31 de dez de 2010

Rituais de passagem

Somos seres muito ligados a rituais, seja de que tipo forem. A antropologia deve explicar isso de alguma maneira, mas estou com uma certa preguiça de pesquisar a respeito, mesmo que seja no Google. Queria apenas refletir sobre os rituais e sua importância em minha vida, principalmente em uma época do ano tão marcada por eles.
Ontem, maior que o ritual de ver os fogos em Copacabana ou pular sete ondinhas na Praia, o ritual que mobilizou a nação foi a posse da Presidenta Dilma Roussef. Não votei nela, não lhe tenho a menor simpatia, mas confesso que meus olhos e minha atenção prenderam-se à força do ritual de posse, com todas as suas nuances e características únicas, afinal, é a primeira mulher a assumir a Presidência da República no Brasil. Queiramos ou não, fomos todos envolvidos pela força deste momento histórico.
Lembro-me de ter assistido emocionada à diversas posses de presidente, de Collor, Fernando Henrique e Lula. Lembro-me de ter chorado diante da morte de Tancredo. Lembro-me até de ter acompanhado o ritual da posse do presidente americano Barack Obama. Quer fossem políticos admirados ou apenas aceitos com resignação, nos rituais de posse estava contida uma semente de esperança de um novo tempo.
Rituais nos emocionam e fazem chorar ou rir. Ficam gravados na lembrança por muito tempo. São repetidos, registrados formal ou informalmente. Ganham espaço em nosso imaginário e em nossas mentes. Atribuímos a eles significados importantes. Algumas vezes, como na posse de Dilma, são rituais que todo mundo entende. Outras vezes, como na mensagem de fim de ano de minha irmã Ariadne, apenas a família consegue entender.
Nessa virada de ano, meu amigo Marco Lara e eu criamos nosso próprio ritual de passagem. Na verdade, reproduzi uma coisa que vivi em Barcelona, na Espanha, em 1999. Em frente à casa Mila, projetada por Gaudi, diariamente a prefeitura soltava um balão gigantesco contendo o sonho das pessoas, escrito em pedaços de papel. Naquele ano, em que viajava sozinha pela Europa, coloquei meu sonho no papel e lancei na cestinha que subiu com o balão. Nem lembro mais o que escrevi, mas deve ter se concretizado, porque estou muito feliz.
A força simbólica do balão subindo com meus sonhos nunca mais me abandonou. Repeti o gesto em três ocasiões. A primeira na CTBC, a segunda na American Express e agora, aqui na porta da minha casa, debaixo de chuva, ao lado de um grande amigo, em um balão em forma de palhaço, que serviu não apenas para transportar nossos sonhos e desejos, mas para fazer isso com muita alegria.
Foi um ritual alegre, feito com risadas, com lápis de cor, com direito a teste e lembrança dos amigos, parentes e familiares. À meia noite, fomos para a rua e soltamos o balão. Ele subiu, subiu, subiu, até que sumiu de nossa vista, provavelmente foi capturado por um anjo que levou nossos sonhos e desejos para o céu.
Aprendi que rituais tem diversos poderes, mas um deles é o de conectar pessoas. O balão com cara de palhaço é mais um símbolo da amizade que me uniu a quem estava perto e a quem estava longe. No seu vôo pelo céu chuvoso de Uberlândia, a esperança de novos sonhos que virão embalar minha vida em 2011.

Resoluções de Ano Novo de uma cidade que não pára de crescer

Todos fazemos resoluções de Ano Novo. Alguns escrevem, outros mentalizam, outros juram para o espelho ou trocam confidências com os amigos. Dilma Roussef, ao assumir ontem como a primeira presidenta do Brasil, fez sua resolução de Ano Novo em público, para os milhões de brasileiros que anseiam por um governo ético, honesto e que mantenha o país no rumo do desenvolvimento.
Independente da dimensão de nossos propósitos, é momento de lançá-los às boas energias do planeta, para que se concretizem com uma dose de fé, outra de paixão e a maior delas, de muito trabalho. Resoluções não podem se transformar em palavras soltas no vento. Elas precisam colar-se á nossa determinação para que se tornem realidade.
Para mim, resoluções de Ano Novo referem-se a mudanças que queremos provocar em nós mesmos, em aspectos que sabemos que precisamos melhorar ou coisas que precisamos incluir em nossas vidas. São projetos de ruptura, de novos começos, de quebra de paradigmas. Perder peso, aprender a dirigir, deixar de ser sedentário, encontrar um grande amor. Novos começos.
Ao refletir sobre isso, resolvi pensar em como seriam as resoluções de Ano Novo da querida cidade de Uberlândia, que me acolhe desde 1994 e tornou-se minha cidade, onde vivo, trabalho, estudo, tenho amigos e sou feliz. Concendendo-me a liberdade da qual blogueiros desfrutam, incorporo a seguir a alma da cidade e empresto esse espaço para que Uberlândia possa escrever suas resoluções de Ano Novo. Quem quiser, pode colaborar também.

 
Resoluções para 2011 da cidade de Uberlândia, terra gentil que seduz

 
  1. Em 2011, quero que os motoristas que trafegam pelas minhas ruas e avenidas sejam pessoas mais gentis, que obedeçam a sinalização e se respeitem uns aos outros. Vou manter os espaços urbanos limpos, sinalizados e, se necessário, policiados, para que todos se sintam seguros em andar pelas minhas largas avenidas ou pelas estreitas ruas do centro, seja a pé ou de carro. Vou também orientar motoristas de ônibus a respeitarem mais os veículos menores, os passageiros e os pedestres;
  2. Quero gerar muita riqueza e desenvolvimento por meio do trabalho, quero criar condições para que muitos empregos formais sejam criados e as pessoas que moram aqui encontrem condições de manter suas famílias com dignidade e alegria;
  3. Quero ter mais saúde, hospitais melhores, um atendimento público capaz de oferecer qualidade e segurança para os cidadãos que me escolheram para viver. Mais que grandes obras e discursos, quero promover ações concretas para que as pessoas consigam vagas em UTIs, sejam gentilmente atendidas nas UAIs e possam voltar para casa com esperança de que tudo vai melhorar;
  4. Quero que os estabelecimentos de serviços que funcionam aqui sejam capazes de atender às necessidades das pessoas de forma mais educada e gentil, que todos se orgulhem pelos seus trabalhos e façam com que o comércio local seja profissional o suficiente para que as pessoas prefiram consumir aqui e não pela internet ou em outras cidades;
  5. Quero que as pessoas parem de abandonar ou de perder seus cães em minhas ruas. Eles não sabem se virar sozinhos e podem acabar morrendo de fome, tristeza e solidão. Queria também pedir aos donos dos animais que fossem mais responsáveis, inclusive pela sujeira que os pets deixam para trás nas caminhadas;
  6. Quero que mais pessoas conheçam o Parque do Sabiá, onde bate meu coração verde. Que se exercitem mais, que visitem o Parque de forma consciente, com respeito à natureza e ao que represento;
  7. Quero menos lixo no chão e mais consciência quanto à necessidade de reciclagem, de economizar água, energia e outros recursos finitos do planeta. Quero que minhas calçadas sejam belas e limpas, mas que não seja necessário jogar água sobre elas para que isso aconteça. Basta que as pessoas não joguem lixo nas ruas e aprendam a usar melhor as vassouras;
  8. Quero que os políticos que me governem se deixem pautar mais pelo interesse público do que pelo privado; que pensem mais em todos os uberlandenses e uberlandinos do que em seus próprios bolsos e egos inflados;
  9. Quero que os empresários aprendam a investir para melhorar o bem comum, que sejam capazes de colocar recursos para incentivar a cultura, as artes, a cidadania, o apoio aos mais necessitados. Além é claro, de gerarem impostos, empregos, lucro e riqueza;
  10. Quero ser uma cidade livre de enchentes, com ruas limpas, pessoas educadas e que me amem tanto quanto eu as amo;
  11. Quero mais educação, para que os futuros cidadãos uberlandenses vivam em uma cidade onde meus desejos possam ser bem mais simples que esses que faço agora. Quero crianças e jovens aprendendo a ler, a escrever e a pensar por si mesmos, tornando-se grandes inovadores, que contribuirão para que eu me torne ainda melhor;
  12. Quero menos drogas e menos violência, menos assassinatos, roubos, furtos e desmandos. Quero mais policiamento nas ruas, quero mais ação e menos falação.
São muitos e muitos os meus desejos e resoluções de Ano Novo. Mas só vou conseguir concretizá-los por meio de cada cidadão uberlandense ou uberlandino.
E você, que resoluções acha que eu poderia tomar para ser uma cidade melhor? Posso contar com sua ajuda?

Este texto foi escrito no final de 2010. Pelo menos um de meus desejos parece ter sido realizado. A partir desta semana começa um projeto de coleta seletiva no bairro Santa Mônica. Vamos torcer para que seja bem sucedido!

 

 

 

14 de dez de 2010

Para que se contentar com o mínimo se você pode brilhar?

Entrei no carro e como sempre faço, liguei o rádio. Tocava Frejat. "Todo mundo sabe que homem não chora". Dissonância momentânea entre a letra da música e a realidade que eu acabara de viver, onde vi não apenas um, mas alguns homens chorando. Lágrimas que caíam na forma de emoção. Outras na forma de superação. A maior parte delas, na forma de ousadia.
Homens e mulheres que presentearam uma platéia atônita diante de uma apresentação de um projeto de fim de curso em uma universidade particular da cidade. Sim, apesar de muito jovens, eram homens e mulheres maduros, conscientes do que aprenderam e colocaram em prática na forma de uma proposta comunicacional para uma ONG de Uberlândia, chamada Ipê Cultural.
Há cerca de 18 meses tenho o privilégio de ser professora na ESAMC de Uberlândia, uma instituição particular de ensino que, assim como todas as universidades contemporâneas, tem qualidades e pontos a serem aprimorados. Uma dessas qualidades é o formato dessa avaliação final de curso, chamada PGE, que permite aos alunos colocarem em prática seus conhecimentos, na forma de um plano de marketing, comunicação, negócios ou estratégia. As equipes podem combinar diferentes saberes, com membros oriundos de cursos como Administração, Propaganda, Relações Públicas e Design.
O que assistimos estarrecidos hoje foi a apresentação de uma equipe chamada Candeia, que ousou apresentar seu projeto na forma de uma apresentação teatral, com um roteiro praticamente impecável, baseado nas análises de marketing feitas para o Ipê Cultural, uma organização não governamental de Uberlândia cujo fundador é um dos poucos idealistas que conheço e realmente merecem esse nome.
Desde o primeiro momento, o grupo captou completamente minha atenção. Ri alto, chorei, me emocionei, critiquei silenciosamente pequenos equívocos. Já na entrada, o primeiro impacto, o figurino era composto por saias e leques, usados igualmente por homens e mulheres. Um homem que tem a audácia de usar saia diante de seus colegas de classe, professores e demais alunos da faculdade já é, por definição, um homem de coragem. O texto, ao invés dos ensaiados jograis em que se transformam muitos projetos acadêmicos, fluía como em um palco. Aliás, o auditório, sala de aula em tantas situações, tornou-se um palco sob os corpos desses alunos que só podem ser definidos de uma maneira: brilhantes.
O texto foi redigido com cuidado, as repetições, a entonação, a interação entre os alunos / atores. Eles apresentaram temas como análise do ambiente interno e externo, matriz swot, terceiro setor, relacionamento com stakeholdes de uma maneira transparente, tão simples de entender que quase mataram uma professora de inveja pela capacidade comunicacional. Inveja branca.
Aqueles homens e mulheres aceitaram o desafio de se superar. Lembro-me bem que, quando apresentaram a primeira versão do projeto, no meio do ano, sofreram duras críticas. Naquela noite, vi lágrimas de tristeza. Hoje à noite, vi lágrimas de realização. Mas antes de serem homens e mulheres, são alunos de uma universidade privada, jovens da chamada Geração Y, tão criticados pela gente, um bando de pessoas mais velhas que muitas vezes ficamos indignadas com o comportamento deles. Somos diferentes, temos que aprender a conviver com isso. Melhores ou piores? Não faço a mínima idéia. Diferentes? Certamente.
A equipe Candeia mostrou que qualquer um tem o poder de se superar, mas que isso depende de algumas coisas, como o direcionamento do professor, que deve estar disponível e aberto para compartilhar seus conhecimentos; a capacidade de aprendizado, de mergulhar em leitura, de desafiar-se e ir além do que foi dado em sala de aula; de muitas horas de trabalho, fins de semana sacrificados, discussões, brigas, correções de rota.
Esse grupo de homens e mulheres, mesmo tão jovens, estabeleceram nessa noite um novo patamar do que se espera de um aluno que está concluindo seu curso. Não é que todos devam optar pelo teatro ou pelos formatos inusitados, mas que cada um deve buscar se superar. Por que aceitar uma nota 7 e passar de ano, se é possível conquistar um 10 e entrar para a galeria dos melhores? Ocupar esse lugar não é para qualquer um. É para aqueles que sonham, que querem conquistar o mundo e não apenas a nota mínima. Sinto falta disso nos jovens de hoje. Eles se contentam em passar de ano com notas limite. Poucos buscam superação.
Fiquei tão emocionada com o que assisti que quis compartilhar nesse espaço tão meu e de alguns leitores queridos. Ao longo da apresentação, me contive para não bater milhares de palmas, soltar assobios, abraçar cada um dos alunos / atores / profissionais. O trabalho teve falhas, que podem facilmente ser superadas. Mas foi um esforço de gente que não se contenta com pouco, gente que quer sempre mais, que busca a perfeição, que tem coragem de ousar, quebrar paradigmas, que estuda, que brilha e sabe da força que fez para brilhar.
Parabéns aos alunos da equipe Candeia da ESAMC de Uberlândia. Não é apenas porque sou professora nessa instituição, mas uma faculdade que incentiva o presente que recebemos hoje como educadores, é um lugar muito especial, onde estão se formando mais que profissionais melhores. Estão se formando pessoas melhores. Parabéns também ao professor Rubens Santos, nosso maestro!

Hoje, 20 de dezembro, saiu o resultado da avaliação final do PGE na ESAMC Uberlândia e a equipe Candeia ficou com 9,7 (nota mais alta do semestre). Os alunos ganharam um MBA na própria faculdade. Eles merecem!

5 de dez de 2010

Música sacra pertinho de casa

Uma das coisas que me encanta é música de qualidade. Fui educada para gostar de arte. Meus pais levavam a gente desde pequena ao teatro e a concertos. Meu pai tinha uma coleção de LPs dos grandes clássicos da música mundial e isso despertou em mim um delicioso espírito metade artista, metade incapaz de tocar qualquer instrumento (não gosto muito dessa metade, mas tenho que conviver com ela).
Eis que hoje, em plena Uberlândia do século XXI, fui levada em uma viagem pela música sacra. Cheguei na porta do céu, ouvi anjos cantando, mas preferi voltar para a Terra, afinal, tenho muita coisa para fazer por aqui ainda.
A apresentação aconteceu na igreja São Paulo, no bairro Santa Mônica, que frequento aos domingos. O coral era formado por alunos do curso de música da Universidade Federal de Uberlândia, que apresentou-se como parte de um processo de conclusão da disciplina. Padre Júlio, responsável pela nossa paróquia, aceitou a proposta da professora para que a apresentação acontecesse após a missa. Os fiéis, sempre tão apressados, aguardaram um pouco mais e puderam apreciar um momento único, eu diria raro, nessa nossa vida tão acelerada da cidade.
Somos vizinhos do campus Santa Mônica e poucas vezes vemos a universidade se aproximar da população dessa maneira. Os muros da UFU são altos, mas a voz dos anjos foi capaz de transpor a barreira e chegar até a pequena igreja, que fica a poucos quarteirões.
As peças apresentadas pelo coral encantaram os católicos. A mim, remeteu-me a um tempo de compositores clássicos que viam na música sacra sua maneira de chegar a Deus, ou mesmo sua fonte de renda, uma vez que quem contratava suas peças é que queria a sublimação espiritual por meio da melodia. As peças sacras são de uma beleza ímpar. Existem missais completos compostos por mestres, bem como peças isoladas que tornaram-se populares, como "Jesus, alegria dos homens", de Johan Sebastian Bach.
Para iluminar a semana de quem ler este post, selecionei um trechinho dessa música interpretada ao violão pelo brilhante violonista brasileiro, Baden Powell. Clique aqui para assistir.
Meu domingo fechou-se com chave de ouro, ou melhor, com clave de sol.

\0/ Campanha pela Gentileza \0/

Mais uma criação de Ceó Pontual
http://frasesilustradas.wordpress.com
Queria fazer uma proposta para quem ler este post. Uma campanha pela gentileza.
O Natal está tão pertinho. O novo ano quase batendo à nossa porta. A perspectiva de recomeço rondando nossos corações. Então, que tal mudar pequenos hábitos e ser mais gentil?
Existem várias maneiras de fazer isso. A começar por cumprimentar nossos vizinhos. Cumprimentar com alegria, perguntar como estão passando, fazer um pequeno elogio. Nada de entrar no elevador fingindo que fala ao celular só para evitar o olhar. Um sorriso alegre, sincero, daqueles gostosos de dar logo cedo, quer seja no elevador, quer seja naquele momento em que tiramos o carro da garagem.
Outra opção é ser gentil no trânsito (difícil essa!). Começa pelo uso consciente da buzina, que deve ser acionada apenas em caso de acidente iminente. Quando alguém entrar na sua frente de repente, mudar de faixa sem dar seta, te ultrapassar pela direita, mover-se lentamente pela esquerda, entre outras barberagens, conte até dez... Respire, reflita e siga adiante. Outra maneira de ser gentil no trânsito é dar passagem, deixar que um motorista entre na nossa frente, que passe para a outra faixa, que saia de uma faixa secundária. Experimente. Ser gentil no trânsito traz bons resultados.
É muito gostoso também elogiar as pessoas. Fazer pequenos comentários sobre um novo corte de cabelo, um perfume, um detalhe da roupa. Todos adoramos elogios. Eles fazem um bem enorme, tanto quando a gente faz como quando a gente recebe. Tem um professor da faculdade que sempre me elogia quando chego. Não se trata de assédio, mas de carinho verdadeiro.
Também dá para ser gentil nas filas, onde ao invés de reclamar, vamos conversar, elogiar a moça do caixa pela cor das unhas dela, olhar as pessoas nos olhos. Dá para ser gentil no ônibus e ceder o lugar para que as pessoas mais velhas possam se sentar. Dá para ser gentil na faculdade e falar mais baixo para que todos os alunos possam prestar mais atenção.
Outro lugar onde precisamos praticar a gentileza é em família. Quantas vezes nos ofendemos por pequenas coisas, ou nos esquecemos de elogiar uma conquista de um irmão, uma mudança de visual da esposa, uma mudança significativa na vida dos pais. A gente só se critica em família, cada vez mais. Da última vez que fui para a casa da minha mãe deixei de ser gentil com uma de minhas irmãs e o resultado foi péssimo. Tem momentos em que a falta de gentileza nos atinge como uma faca no coração.
Nem sempre a gente consegue ser gentil. Somos humanos, pisamos na bola. Todos temos nossos defeitos de fábrica, mas eles têm conserto. Então, está lançada a campanha pela gentileza.
Quem quiser participar, compartilhe sua história comigo. Conte aqui como a gentileza fez seu dia bem melhor. Vou adorar conhecer.
\0/ Campanha pela Gentileza!

1 de dez de 2010

Muito mais que uma empresa

Painel da artista Tomie Ohtake na CTBC de Uberlandia
extraída do site http://mosaicosdobrasil.tripod.com  /
Há pessoas que acreditam que uma empresa é apenas um lugar onde se trabalha. Ledo engano. Uma empresa é um espaço de convivência, de estabelecimento de laços emocionais, de trocas de conhecimento. È também um espaço onde conhecemos pessoas, onde fazemos amigos, até mesmo onde nos apaixonamos por alguém. É também o espaço onde se trabalha, se ganha dinheiro, se constrói sentido para algumas coisas, se investe em uma carreira.
Nessa semana, depois de muitos anos, voltei a visitar o prédio de uma empresa onde trabalhei durante cerca de 8 anos. Ao entrar, atrasada para um compromisso, mal tive tempo de deixar que as emoções tomassem conta. Afinal, iria apenas fazer uma palestra, estava acompanhada de uma pessoa da empresa e tudo foi muito rápido, como deve ser nas relações profissionais.
O impacto aconteceu ao sair. Eu sabia que encontraria pessoas, estaria novamente no meio daquela praça onde encontrava tantas pessoas diariamente, onde tomava café, onde desabafava, onde dava risada, onde ficava sabendo de boas e más notícias. No meio daquele espaço, um painel gigantesco da artista Tomie Ohtake tornou-se de repente um mosaico de minha própria vida na empresa. Entrei ali pouco mais que uma menina, saí uma profissional, uma pessoa decidida, certa de meus rumos e de minhas escolhas.
Cada pecinha do mosaico feito pela artista é também uma pecinha do meu próprio mosaico de vida. Da experiência dos desafios profissionais, dos estudos, das pessoas que conheci, da paixão que ficou calada pela falta de coragem de gritar, do casamento onde um morcego andando pelo chão assustou às convidadas, da amiga que quase perdeu o marido para uma doença, das crianças que nasceram e aprenderam a falar e andar em nossa companhia, das festas infantis em que passávamos horas preparando os balões, das conquistas profissionais e pessoais, da viagem para a Europa sentindo saudade dos colegas...
Vivi tantos momentos naquela empresa, que ela se tornou para mim muito mais que um trabalho.
Na verdade, naquele retorno percebi que a empresa é o menos importante. O que nos faz sentir saudade, chorar e sentir aquele aperto no peito, é a lembrança de todas as relações que se estabeleceram. Empresas gastam fortunas tentando manter pessoas felizes em seus ambientes de trabalho, porque acreditam que assim elas serão mais produtivas e atenciosas. Mas o que nos mantém em uma organização são as outras pessoas. São elas que nos fazem sentir saudade, porque foi com elas que vivemos momentos especiais.
Naquele dia, quando saí de lá, entrei no carro chorando muito. Não pelo que o prédio representou, mas pelo que cada pessoa com a qual convivi representa no desenho, sempre mutante, do mosaico da minha vida.

Natal é tempo de celebrar a vida!

Desde criança, eu adoro o Natal. Naquela época, meu pai tinha o dom de transformar gestos simples em momentos mágicos, talvez tentando mostrar às crianças que a fantasia nos ajuda a lidar com aspectos da realidade com os quais não queremos lidar, pelo menos por algum tempo.
Hoje acordei com espírito natalino. Tenho um CD do Frank Sinatra onde ele canta belas músicas de Natal. Quando começo a ouví-lo, é porque entrei no clima do nascimento do menino Jesus. Hoje ele foi minha trilha sonora. O engraçado é que o clima natalino me inspira a repensar minhas atitudes, pensar mais antes de buzinar para o babaca que fura o sinal ou para o péssimo motorista que pensa que a seta é artigo de luxo no carro.
Saí de casa ao som de Jingle Bells e neste clima permaneci o dia todo. Cantei com Frank Sinatra e com o Padre Fábio de Melo canções que falam de amor, da companhia dos amigos e familiares, do tempo de paz, de companheirismo, de solidariedade, de carinho. Resolvi que nada iria me chatear, de que eu vou viver em dezembro, e talvez pelo resto do ano que vem, em um clima de tranquilidade e paz, sem me aborrecer.
Para completar meu sentimento natalino, um bebê de passarinho caiu no meu quintal. O ninho é muito alto, não vou conseguir colocá-lo lá em cima. Improvisei um ninho para ele, coloquei água e um pouco de farelo. Ele resistiu até agora. Espero que se fortaleça e aprenda a voar, para conquistar seu lugarzinho no céu dos passarinhos, não no céu dos anjos passarinhos.
Enquanto isso, na cidade, o clima é de incentivo às compras. Eu optei por adiantar ao máximo, já escolhi os presentes e para isso, decidi atender ao pedido do amigo secreto, mas também comprar algumas coisinhas alternativas e exclusivas, diretamente das mãos de artistas muito especiais. Hoje fui tomar um chá no ateliê da Bela Cacique, que faz coisinhas lindas em pano, madeira, croche... Tudo muito gostoso.
O bacana deste chá é que foi um espaço de conversa, de trocas, de compartilhamento. Teve compra sim, mas teve uma troca que a gente não encontra de jeito nenhum nos shopping centers ou nas lojas abarrotadas do centro. Tem coisa mais antiga que mulheres sentadas em volta de uma mesa? Fala-se de casa, de filhos, de cachorros, de estudos, de sonhos. Fala-se de vida.
Ando sedenta de falar de vida. Ando sedenta de gente inteligente, que goste de conversar, de ler livros, de cinema, de pensar. Ando sedenta de ser provocada intelectualmente, de varar madrugadas conversando. Ando um tanto quanto farta da mediocridade das pessoas que concentram suas vidas na busca de um companheiro que talvez nunca venha, ou desperdiçam o rico tempo do diálogo julgando outras pessoas, ou ainda destilam críticas a desafetos que se estabeleceram com razão, mas não deveriam durar tanto tempo. Ando cansada de pessoas infelizes com o lugar que ocupam no mundo, que reclamam mais do que buscam uma mudança. Ando farta de homens de corações vazios, que buscam prazer no presente mesmo que encontrem um grande vazio em suas almas no momento seguinte.
Muitas vezes ando até mesmo farta de mim, com minhas fraquezas que me assombram como fantasmas.
Mas então vem o Natal, com sua magia. Decorei a casa com as peças do presépio que representam a Sagrada Família, Jesus, Maria e José. Coloquei-os bem à entrada da minha porta, convidando o amor natalino para entrar. Neste Natal, quero energia boa de presente. Será que é pedir muito?
Esses anjinhos fazem parte de minha decoração de Natal. Protegem minha casa contra energias negativas.
Por falar em energia boa, resolvi ilustrar este post com o comercial que O Boticário fez para o Natal. Clique aqui para assistir. Uma mensagem de amor, onde uma chuva de perfume traz alegria aos homens. É o que sinto quando vivencio o Natal na igreja católica, onde as palavras de Deus sobre o nascimento de Jesus iluminam minha vida e trazem importantes lições sobre a entrega absoluta a um propósito de vida.

Lugares (nada) gentis

Hoje de manhã, entrei na farmácia do Carrefour para comprar um remédio, que não havia encontrado na Drogalíder. Três moças estavam atrás do balcão. Elas estavam bastante concentradas em arrumar as prateleiras e quando chamadas, se dignavam a olhar para os clientes. Pedi o medicamento e também uma pasta de dente específica, que estava disponível nas prateleiras. Uma das três moças, novamente voltada para a arrumação da prateleira, me disse que eu podia pegar e depois ir para o caixa. Não prontificou-se a absolutamente nada. Quando fui ao caixa, novamente tive que aguardar que uma das três me desse atenção, já que a arrumação da prateleira parecia ser a coisa mais importante daquele estabelecimento. Essa história se repete muitas vezes, com cada um de nós. Vendedores que nos viram as costas e preferem cuidar das prateleiras. Vendedores que demonstram desinteresse por nos mostrar produtos diferenciados, em especial os da oferta. Fui comprar um produto na loja Cento e Oitenta Graus, que anunciou fortemente uma promoção de até 90% de desconto. Quando cheguei lá, o vendedor me mostrou tudo, menos os itens da tal promoção. Acabei comprando em outro lugar. Isso sem falar das inúmeras vezes em que os vendedores nos oferecem um número menor dizendo que com o tempo, ele laceia.
Outro exemplo de mau atendimento eu tive no restaurante Banana da Terra, no Santa Mônica. Pedi um refrigerante que chegou quando eu já estava quase terminando minha refeição. Fui pegar a sobremesa e deixei a lata e o copo sobre a mesa, com minha bolsa e meus óculos. Assim que me levantei, a atendente imediatamente veio limpar a mesa, retirou o refrigerante e o prato que eu havia utilizado. Quando eu fui pagar, reclamei para o caixa. Ele perguntou se eu queria outro refrigerante. Respondi que não. Queria apenas respeito!
Infelizmente, em Uberlândia a gente tropeça em mal atendimento todos os dias, em todos os lugares. Pessoas mal humoradas, que não gostam de servir, que trabalham por obrigação e não por gostar do que fazem. Muitas vezes, no comércio e em prestadores de serviços, parece que o cliente está fazendo um favor para o lojista.
Volta e meia vejo o CDL se mobilizando para organizar treinamentos para capacitação dos funcionários das empresas que atuam no comércio. Mais importante seria entender como o consumidor se sente, o que ele considera importante, como gostaria de ser tratado. Eu gostaria que meu refrigerante ficasse lá, esperando meu retorno. Gostaria que a moça da farmácia me ajudasse a achar a pasta de dente e que eu pudesse comprar o produto com preço promocional.
Penso que temos um problema ligado aos profissionais, mas também um problema ligado aos valores das pessoas. Ser gentil e simpático parece estar fora de moda. Tanto que, quando a gente vai em algum lugar e tem um tratamento diferenciado, sente-se maravilhado. Dia desses fui à creperia do Vila 207. O rapaz que nos atendeu é extremamente gentil, atencioso, lembra-se da gente de outros lugares onde trabalhou, é simpaticíssimo. Além do crepe ser ótimo, o atendimento é encantador. O mesmo aconteceu na Czaruste, onde fui comprar o presente que deixei de comprar na outra loja. O próprio dono me atendeu, não sabia o que fazer para me agradar e ainda me deu um brinde de Natal.
É por essas e outras que vou começar a criar a minha lista de estabelecimentos gentis, que vou sempre frequentar, divulgar, indicar. Quanto à lista dos lugares onde trabalham pessoas de mal com a vida, não vou insistir em voltar lá ou perder meu tempo falando bem ou mal. Vou apenas riscar de minha lista de compras qualquer lugar com energia ruim.

Meu lugar

Imagem do site do artista brasileiro Romero Brito
Alguma vez você já se sentiu completamente deslocado em um lugar que deveria te acolher? Já sentiu que não pertence a um lugar onde sempre esteve? Ou que não consegue mais um pequeno espaço naquele lugar que um dia foi seu ninho? Dia desses me senti assim. Como se eu não pertencesse a um lugar ao qual deveria pertencer. Um lugar familiar, aconchegante, acolhedor, mas ao qual eu não pertenço mais.
Todos nós temos o dom de conquistar nosso lugar no mundo. E nesse caminho, vamos nos afastando daquele lugar que já foi nosso um dia, mas já não é. Isso acontece quando saímos da casa de nossos pais em busca de nossos sonhos. Quando deixamos o conforto do lar, os cuidados da mãe e do pai, o companheirismo dos irmãos e partimos, mochila nas costas, peito aberto para conquistar o mundo. Acontece também quando saímos de um casamento, mudamos de cidade ou de país ou resolvemos morar com outra pessoa.
Neste caminho, nem tudo são flores. A gente fica sem lugar mas pensa sempre naquele canto que deixou para trás. Se algo der errado, ainda pode voltar para lá. Como na velha canção do Roberto Carlos, onde o cachorro lhe sorriu latindo. E vamos passando de canto em canto, conhecendo novas pessoas, novos lugares. Dormindo em qualquer canto, dividindo o quarto com gente estranha, morando sozinho, com amigos, com família de novo, algumas vezes morando com aquele que deveria ser nosso amor para sempre. E talvez seja.
A inquietude e a busca pelo nosso lugar continua. Cada passo nos distancia mais e mais daquele lugar da infância, que era tão nosso. Tão certamente nosso. O primeiro emprego aumenta a distância. Relacionamentos amorosos aumentam a distância. Filhos aumentam a distância. O tempo aumenta a distância. Quando a gente olha para trás, aquele lugar ainda está lá, mas deixou de nos pertencer há tempos. Isso porque nosso lugar é aqui, agora.
O lugar do presente pode ser povoado de amigos, amores, filhos, plantas, cachorros, alunos. Pode ser povoado de amor. Pode ser povoado de solidão. Pode ser embalado pela voz de Elis Regina ou Frank Sinatra. Pode ser enfeitado com coloridas gérberas. Pode conter em suas estantes as palavras de Caio Fernando Abreu travando duelos semânticos com Fernando Pessoa.
Quando a gente finalmente perde o lugar ao qual pertenceu um dia, dá uma grande vontade de chorar. Mas dá também uma vontade imensa de comemorar. A perda do lugar passado significa que assumimos definitivamente o lugar presente. Aquele onde fazemos amor à luz da lua, onde dançamos apaixonados ao som de Everytime We Say Goodbye, onde tomamos uma garrafa de vinho sentados no chão da sala, onde conversamos com a alma gêmea sobre como seria nossa vida se tivéssemos escolhido outros caminhos, onde passamos 24 horas seguidas estudando, onde cozinhamos novas e velhas receitas, onde recebemos amigos.
O lugar presente é o melhor lugar, onde quero estar hoje, agora, compartilhando comigo mesma o prazer das palavras, do gosto suave da minha Bohemia, o perfume das flores e do vento com cheiro de chuva. Eu pertenço a esse momento e ele é tudo que importa. Assim, fica menos triste a dor de não pertencer mais às sombras dos lugares passados. 
Em homenagem a este momento em que não quero mais voltar ao lugar passado, a música de Roberto Carlos, O Portão, na propaganda da Cofap, já que Belarmina faz parte do lugar presente. Quem quiser entender, assista. Clique aqui e mate saudade.

Alagada


Dia desses, da maneira mais inusitada, fui uma das quase vítimas das enchentes que atingem nossa cidade na temporada de chuvas. Perto da virada do ano, parei meu carro no estacionamento do Sacolão Center na Av. Segismundo Pereira, perto do campus Santa Mônica. Ele não é cimentado, os carros para sobre uma camada de brita que foi colocada no local.

Enquanto fazia minhas compras, começou a chover forte. Chuva de verão, pensei. Não há de ser nada, vai passar rapidinho. Cinco, dez, quinze minutos e nada da tempestade amainar. Foi quando um funcionário do sacolão perguntou de quem era o carro vermelho parado no estacionamento. Meu coração veio na boca. Ele disse que era melhor eu tirar o carro dali porque iria encher de água. Pediu a um dos funcionários que pegasse o guarda-chuva e fosse comigo até o carro. Ninguém se habilitou.
Peguei o guarda chuva e disse que eu mesma iria. Quando vi o estacionamento, a água tampava as rodas do carro e chegava até pouco abaixo do meu joelho. Deixei uma parte das frutas cair no chão e encarei a tempestade sozinha. Entrei no carro tremendo, com medo que ele não pegasse. Mas tudo estava bem. O interior estava sequinho e o motor pegou de primeira.
O próximo desafio foi sair de ré no meio daquela água toda e enfrentar a avenida Segismundo Pereira, que parecia um rio. Fui com força, engatei a primeira e foi assim até sair da avenida. Foi pouco, mas me deu muito medo porque a chuva não me deixava ver nada.
Quando cheguei em casa, eu tremia demais, mas depois fiquei pensando na quantidade de pessoas que são arrastadas pelas enchentes que acontecem nas cidades, com seus sistemas de escoamento de água entupidos de lixo urbano. E na rapidez com que a água sobe, impedindo que as pessoas tomem qualquer atitude. No meu caso, penso que seria mais adequado ter enfrentado a chuva no começo, antes do carro ficar em risco. Mas a gente nem pensa nisso, até que alguém nos avise.
Refleti também a respeito da forma como tratamos a cidade, jogando lixo no chão, sem nos preocuparmos com o fato de que esse lixo é que entope bueiros e impede que a água possa escorrer.
Em Uberlândia, parece que as consequências das grandes chuvas tem sido pequenas até agora. A prefeitura está avisando a população (pelo menos a que usa internet) sobre as áreas de risco praticamente em tempo real. Nós naturalmente já evitamos alguns trechos, mas podemos fazer um pouco mais, como evitar jogar lixo no chão, manter nossas casas bem conservadas, evitar sair de carro durante as tempestades ou procurar um lugar seguro quando a chuva começar.
Posso dizer que senti medo naquele dia. Não tanto pelo carro, que tem seguro, mas por enfrentar aquele mundaréu de água sem qualquer tipo de apoio. Nossa cidade cresce e com ela o ritmo dos seus problemas...

Este texto foi escrito antes do Natal. Antes do devastador efeito das enchentes que destróem encostas, casas e vidas no Rio de Janeiro. Nada se compara. Minha sensação pelo ocorrido em Uberlândia passa a ser nada perto do que assistimos estarrecidos pela televisão.

Uberlândia e o Natal

Fachada da Escola Estadual de Uberlândia durante
apresentação do espetáculo Janelas Encantadas
Neste ano, a cidade foi presenteada com inúmeras maneiras de celebrar o Natal. Quase diariamente, o jornal Correio traz matérias sobre apresentações natalinas, sejam na forma de teatro, de música, de artes plásticas.
Hoje fui assistir ao espetáculo Janelas Encantadas, realizado há 8 anos por iniciativa de Rogério Tibery. Mais uma vez, um momento de beleza marcando o Natal da cidade. Foi uma apresentação bacana, embora inferior à do ano passado, que me levou às lágrimas diversas vezes. Este ano foi mais música. Ano passado foi mais magia do Natal.
Mas o que importa é a beleza do espetáculo e das pessoas envolvidas, que decoraram a Escola Estadual de Uberlândia, conhecida como Museu, e fizeram dela um cartão vivo, onde as vozes do coral encantam nossos corações. Homens, mulheres e crianças compartilharam o mesmo espaço em total harmonia, com segurança pelas ruas do centro normalmente desertas à noite.
O centro da cidade ficou bonito com a iluminação do Museu Municipal e do coreto, além da Oficina Cultural, todos na Praça Clarimundo Carneiro. A Escola Estadual também foi decorada com luzes, destacando-se na paisagem do centro, pelo qual passamos tantas vezes sem nos lembrar do que o Natal verdadeiramente significa.
As luzes devem servir para iluminar o caminho que nos guia até Jesus, como outrora a estrela guiou pastores e reis magos. Elas servem para que a gente reflita que Natal vai além do consumismo exagerado que domina nossos dias.
O espetáculo Janelas Encantadas, as luzes nos prédios antigos do centro da cidade, as apresentações do Coral da UFU, as peças teatrais e tantos outros eventos que marcam o Natal na cidade contribuem para que a gente viva o espírito natalino, tempo de solidariedade, gentileza e recomeços.

Cidade sustentável

Estação de coleta de embalagens do
supermercado Carrefour, em Uberlândia
Queria lançar um desafio para as pessoas que realmente se importam em deixar um mundo melhor para quem virá depois da gente. Um mundo com menos desperdício e mais reaproveitamento, com menos consumo e mais compartilhamento, com maior aproveitamento dos recursos naturais, com destinação correta de lixo, com reciclagem de materiais, entre várias outras coisas. Em resumo, queria convidá-los para a construção de uma cidade mais sutentável.
Uberlândia é uma cidade que já ultrapassou a marca de meio milhão de habitantes. Imagine essa enormidade de gente, que diariamente consome os mais diversos itens e descarta as embalagens. Elas vão parar no lixo comum, porque apesar do porte, a cidade não tem coleta seletiva. E se tivesse, tenho minhas dúvidas que o lixo seria efetivamente separado e reaproveitado. A prefeitura deixa esse trabalho de coletar e separar o que é reaproveitável para os catadores de rua. Para isso, capacita e equipa algumas instituições de catadores, mas isso não resolve o problema.
Dois supermercados da cidade já instalaram em suas lojas estações para coleta de lixo reciclado. Mas o que vemos nesses espaços é desorganização e sujeira, muita sujeira. Isso porque não basta descartar as embalagens, é preciso que elas sejam lavadas, limpas e secas, para que o material possa ser reaproveitado. Não só as latinhas de refrigerante ou garrafas pet podem ser reaproveitadas, mas também as embalagens de leite, sucos e outras, cujo papel pode ser separado do alumínio e reaproveitados, desde que devidamente limpos.
O Instituto Ipê Cultural também recebe lixo reciclável, que é reaproveitado para a produção de peças artesanais, como pufes, bolsas, luminárias e várias outras que chamam atenção para a criatividade. Eles não recolhem o lixo na casa das pessoas, mas recebem o lixo em sua sede, desde que esteja limpo e seco. Dia desses, em uma apresentação acadêmica, ouvi do diretor da instituição uma frase muito sábia: "Eu não vou na casa das pessoas levar as compras, então também não vou buscar as embalagens. Cada um deve ter a responsabilidade de descartar corretamente o próprio lixo". Para quem tiver interesse em conhecer mais o instituto, visite o site no endereço http://www.ipecultural.org.br/.
Penso que o papel da Prefeitura de Uberlândia, além de apoiar os catadores (o que tem muito mérito) deveria ser o de investir ou na coleta seletiva ou na conscientização dos moradores para o descarte correto do lixo. Muitas pessoas nem sabem quando o caminhão de lixo vai passar, deixando seus dejetos nas calçadas por dias a fio. Uma vez que investir na coleta parece ser inviável, que tal investir em campanhas de conscientização? Poderia ser feita uma parceria com o próprio Instituto Ipê Cultural.
Outro aspecto a se pensar é que Uberlândia, que é pólo em logística, terá que adaptar-se à regulamentação da logística reversa, onde fabricantes e distribuidores terão que responsabilizar-se pela coleta de embalagens ou baterias utilizadas, por exemplo. A Tetra Pak, que fabrica embalagens longa vida para leite, sucos e outros alimentos líquidos, já investe nesse processo e conta com pontos de coleta em diferentes cidades.
O poder público tem seu papel, é certo, mas cada cidadão pode fazer o seu também. Um passo é reduzir o consumo de itens desnecessários, adquirir itens retornáveis, usar os produtos até o fim de sua vida útil ou doá-los para quem possa fazer isso. A cidade sempre tem bazares promovidos por Organizações Não Governamentais, Centros Espíritas e Igrejas que recolhem roupas e calçados usados e vendem para pessoas menos favorecidas. Dia desses, ali perto da avenida Getúlio Vargas, vi uma CPU de computador em uma lixeira. Estava chovendo, e ela lá, tomando chuva e acabando de acabar. Se tivesse sido doada, talvez pudesse ter sido útil a alguém.
Estação de coleta de lixo so supermercado Extra
Outro passo é limpar, secar e separar as embalagens usadas, descantando-as de maneira adequada. Em Uberlândia, dois supermercados têm estação para recebimento de lixo, o Extra e o Carrefour. O Instituto Ipê também recebe garrafas pet, latinhas, embalagens longa vida e jornal, que são transformadas em artesanato. Quem tiver interesse pode entrar em contato pelo telefone 3214-5447. A ONG fica na Rua Tupaciguara, 600, ali no bairro Brasil. Nas lojas do Boticário, existe um cesto para que os clientes possam retornar as embalgens de vidro ou plástico de produtos da marca, que são posteriormente destinadas.
Outra possibilidade para embalagens é transformá-las em arte. Há algum tempo, o publicitário Marcel Gussoni publicou em seu blog Sabor Sonoro, uma receita de geléias que ele acondiciona em vidros diversos, que ele limpa e reaproveita (Clique aqui se quiser ler, vale a pena!). Artesãos também aproveitam essas embalagens, transformando-as em arte. O que viraria lixo pode virar potes de tempero, de geléia, de doces, organizadores para clipes e outras tranqueirinhas. Dia desses, ao visitar o ateliê de uma artesão local, ela aproveitou garrafas pet para organizar miçangas e outras miudezas.
É fato que ainda não vivemos em uma cidade sustentável e que nossa prefeitura parece considerar inviável investir em coleta seletiva. Mas é fato também que somos cidadãos e não devemos esperar, unicamente, pelo Estado. Cada um pode fazer a sua parte. E vamos lá. Que tal começar agora mesmo?

Um milhão de amigos

Há muito tempo, quando eu era criança e tinha um canal direto de comunicação com Papai Noel, lembro de alguns pedidos que fiz a ele. E olha que nem existia twitter ou msn. As crianças escreviam cartinhas ou tinham conversas diretas, semelhantes àquelas que tínhamos com os anjos da guarda ou amigos imaginários.
Meus pedidos para o bom velhinho eram singelos, entre eles, o de ter muitos amigos, para não me sentir sozinha. E Papai Noel parece que me entendia, pois sou uma das raras pessoas que tem muitos amigos verdadeiros, mais do que podem contar os dedos das mãos.
Hoje, ao vir para casa, depois de um encontro delicioso com uma dessas amigas que Papai Noel me deu de presente e a quem amo imensamente, lembrei-me de uma velha canção, que dizia: "Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar". Com a ajuda do Google, descobri que é uma música do rei Roberto Carlos. Quer ouvir? Clique aqui. Pode parecer brega, mas e daí?
Em tempos de orkut e facebook, tem gente que pode se orgulhar de ter um milhão de amigos, mas na virtualidade promovida pela internet, amizades assumem uma configuração diferenciada. Amigos virtuais fazem parte dos meu mundo concreto e real.
Devo ter sido uma boa menina, porque Papai Noel trouxe para minha vida amigos verdadeiros, daqueles que me acompanham há anos. Ontem foi aniversário de um deles. Passei o dia todo tentando ligar e cheguei a pensar que seria a primeira vez em mais de vinte anos que não conseguiria dar os parabéns para ele. Consegui, no comecinho da noite. Ao ouvir sua voz tão conhecida, meu coração pulou de alegria. Talvez tenha sido assim que Maria sentiu-se quando soube que seria a mãe de Jesus. Sim, porque a voz do anjo que sussurou em seu ouvido é a mesma voz que sussurra no nosso quando acontecem os encontros com os amigos.
São tantos os presentes que Papai Noel colocou em meu caminho na forma de amigos que se eu fosse listar todos e todas as boas lembranças, talvez fosse necessário um livro. Este ano, vivi o prazer do reencontro com uma amiga irmã, sumida há vários anos e que me reencontrou por meio de meu antigo blog, o Pessoa de Estimação. Ainda não nos encontramos pessoalmente, mas chorei de alegria quando ouvi sua voz, tão familiar, depois de tantos anos.
Semana passada, fui visitar um casal de amigos sem avisar. Estava ao lado da casa deles e resolvi bater, mesmo sabendo que talvez ele não estivessem em casa. Acontece que estavam. E me receberam muito bem. Envolvidos com o banho dos filhos, com mudanças na casa, me receberam com tanto carinho, aquele tipo de carinho que eu pedia para Papai Noel quando era criança.
Hoje fui me encontrar com uma dessas amigas e levei um presente de Natal. A gente morreu de rir quando descobriu que havia comprado uma para a outra um presente quase igual, que tem toda uma história dos inúmeros cafés que tomamos juntas em agradáveis tardes de conversas, risadas e trocas verdadeiras de boas energias.
Tenho amigos com quem morro de rir, em conversas sem sentido. Amigos com quem compartilho sonhos de amor. Amigos que não vejo há anos, mas de quem acompanho os passos. Amigos que me acolhem quando preciso de um lugar para ficar. Amigos que me indicam para trabalhos quando sabem que estou por baixo e precisando me reerguer. Amigos que compartilham meu amor pelos cachorros. Amigos com quem compartilho as agruras e alegrias do mestrado. Amigos que se casam, que têm filhos, que buscam o amor. Amigos que acreditam em uma amizade colorida, que nunca vai acontecer. Amigos reais e virtuais, amigos que se declaram apaixonados. Amigos que moram perto. Amigos que moram longe. São tantos os tipos de amigos que nenhuma classificação daria conta deles.
Fico pensando no quanto Deus é bondoso comigo. Faço amigos por onde passo. No trabalho, na escola, na igreja, na vizinhança, na cãominhada, no meio do nada em Minaçu. Mas Papai Noel, desde os tempos de menina, me advertiu para o seguinte: amizades precisam ser cultivadas. Pequenas coisas, como um telefonema, uma visita programada ou inesperada, um email, um almoço ou um sorvete. Amizade precisa de flor, de carinho, de saudades, de contatos, de encontros e despedidas. Em tempos de contatos virtuais, um emoticon no msn para mandar um sorriso ou um pensamento feliz, um bom dia no twitter.
Penso que terei que escrever novamente ao Papai Noel, dessa vez para agradecer. Agradecer porque figurativamente, tenho um milhão de amigos. Não necessariamente em quantidade, mas na qualidade do afeto de nossas relações. É para eles que desejo um Natal cheio de paz e um novo ano cheio de felicidade, sucesso e muita, mas muita amizade mesmo.
Como hoje sou uma menina moderna, resolvi mandar minha cartinha por aqui mesmo, nesse blog. Obrigada Papai Noel. Não apenas pela quantidade de amigos, mas pela qualidade de cada pessoa que faz parte do meu mundo.

20 de nov de 2010

Mudança de Paradigma: Comunicação COM os públicos e não PARA os públicos

Imagem extraída do Blog
http://aadriatico.blogspot.com/
Vida de professora muitas vezes nos leva a trazer muito trabalho para casa. Não são apenas as provas e trabalhos para corrigir, mas a inquietação mental que toma conta da gente durante uma aula, nas conversas de corredor, nos questionamentos e contribuições dos alunos.
Ultimamente, um tema que tem me feito refletir muito e com intensidade é a reputação corporativa. Inpirada por dois casos recentes, o do Pintos Shopping e o do Banco Panamericano, passei a considerar o quanto a reputação do empresário Sílvio Santos vem contribuindo para atravessar a tormenta e o quanto o ator Reynaldo Gianechinni teve sua imagem levemente arranhada pela leitura de uma propaganda fora do seu contexto.
Sei que na crise do Panamericano não existem santos, mas a excelente reputação do empresário Sílvio Santos provocou uma reação que "nunca antes na história desse país" se viu a respeito de banqueiros.
Os dois casos me remeteram a uma conclusão antiga acerca dos relacionamentos que as empresas desenvolvem com seus públicos. Steven Covey, no livro "Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes" cita que cada um de nós, em nossos relacionamentos interpessoais, temos uma conta bancária emocional. A amizade, o carinho, as boas ações, são depósitos que fazemos nessa conta, a cada dia. Mas de repente, por algum motivo, a gente pisa na bola e precisa fazer um saque na conta bancária. Quando o saldo for positivo, a conta se equilibra. Mas se o saldo for negativo, aí tudo fica a perder.
O mesmo acontece com as organizações. Aquelas que investem em ações consistentes de relacionamentos com seus públicos, vão fazendo depósitos na conta bancária. Tecnologia, bom atendimento, sustentabilidade, preço justo, inovação, respeito com as pessoas, são processos corporativos que se transformam em depósitos que contribuem para que a empresa acumule um saldo positivo. Fraudes, crises, acidentes se traduzem na necessidade de saques, que podem desequilibrar a conta eventualmente, mas não chegam a zerar todas as reservas.
Empresas que se preocupam com relacionamentos, mantém essa conta sempre em equilíbrio, investindo no público interno, imprensa, comunidades, investidores, fornecedores, concorrentes, acionistas, governos, entre outros. Fazem isso por meio de áreas estruturadas de Relações Públicas ou Comunicação Corporativa. Elas vão construindo um saldo positivo a cada dia, fortalecendo sua imagem e acumulando um ativo intangível muito importante: credibilidade.
Empresas que focam unicamente em propaganda, ou nem mesmo nela, podem até construir um capital reputacional, mas ele poderá ser baixo e em caso de saque, a conta bancária dos relacionamentos poderá se tornar negativa. Com isso, a empresa levará mais tempo para equilibrar o saldo, se é que irá conseguir fazê-lo. Propaganda, Relações Públicas, produtos de qualidade, excelente atendimento, respeito pelo consumidor, entre outros, são moedas para os depósitos positivos.
Em Uberlândia, vejo poucas empresas que se importam em investir na comunicação com seus públicos. Isso porque elas estacionaram em um patamar anterior, o da comunicação para seus públicos. Em tempos de amplo acesso à informação, buscamos dialogar com as organizações. Deixamos de ser meros consumidores de produtos e serviços, sem criticidade. Confrontamos o discurso da empresa com o discurso dos diversos stakeholders envolvidos e tiramos nossas próprias conclusões. Entristece-me ver que um dos primeiros investimentos cortados pelas organizações nos momentos de crise financeira são os de áreas de Comunicação. Departamentos inteiros, com profissionais experientes, são desfeitos.
Imagem do blog http://assessoria.blogspot.com
Reputação é algo que se constrói ao longo do tempo, com um trabalho conjunto que passa pelos especialistas em cada área, mas passa também pelos gestores, que precisam demonstrar e praticar ética e transparência no dia a dia dos negócios. É importante agir e falar com coerência, estabelecer a era do diálogo, das conversações. É preciso compartilhar sentidos. Nenhum de nós é mais um consumidor passivo dos discursos corporativos.
Somos pessoas e nos relacionamos, nas empresas, com pessoas.

Feira de adoção de animais

Hoje de manhã teve uma feira de adoção de animais na Praça Tubal Vilela, organizada pela Associação Protetora dos Animais (APA) e pelo Colégio Nacional. Aproveitei para incentivar meus alunos do curso de Relações Públicas a entrevistar pessoas ligadas ao tema, para um projeto que eles precisam entregar até o final do semestre. Foi uma aula prática, onde eles puderam conversar com pessoas que adotaram animais, pessoas que não adotaram, profissionais da APA, do colégio e voluntários.
Eu fiquei um pouco à parte, com meus dois cachorros, Belarmina e Pacheco. Aproveitei para observar o movimento, conversar com as pessoas e refletir sobre a questão da posse responsável de animais, tema que vem me acompanhando há algum tempo.
Na feira, haviam filhotes de cachorros e gatos. Havia também dois cães adultos. Os cachorros todos encontraram um novo lar. Os gatinhos tiveram menos sorte. Para cada pessoas que adotava um cão, os voluntários da APA orientavam, vermifugavam o bichinho e falavam da importância da castração e de cuidados com o serzinho recém adotado.
Os adultos eram mais reticentes, as crianças pegavam os cachorrinhos e gatinhos e não queriam largar mais. Os pais verdadeiramente responsáveis foram aqueles que não levaram o cachorro para casa apenas para satisfazer à vontade dos filhos, mas com a consciência de que ali tem uma vida, um serzinho dependente, que viverá pelo menos 15 anos e vai precisar de alimento, disciplina, carinho, proteção. Melhor deixar a criança chorar um pouquinho do que abandonar um bicho no futuro, por falta de condição de cuidar dele.
Muitos me perguntaram se um dos meus cães, o Pacheco, estava também disponível para adoção. Eu dizia que não e contava a história dele, de como foi abandonado doente, resgatado por uma cuidadora, cuidado por um pet shop e finalmente chegado até a nossa casa, onde hoje vive feliz. Muitos querem adotar o bicho quando ele está bonito, saudável, esperto. São poucos os que fazem o trabalho de pessoas como a Leila e a Cida, da APA, que socorrem animais maltratados e abandonados e procuram uma nova casa para eles. Nosso aplauso a essas idealistas e a tantos outros, como o Professor Silvestre e sua mãe, D. Salete, que cuidam de 27 cães abandonados.
A feira de adoção foi um momento muito legal, mas teve um incidente que me fez ficar com raiva. Pessoas que deixaram seus animais procriarem e que resolveram passar pela praça para abandonar seus bichinhos e ver se alguém queria. Um homem teria passado em um carro e entregue uma caixa com três filhores para o rapaz da Zona Azul, pedindo que ele entregasse para a APA. Outro, queria deixar uma caixa cheia de gatinhos, mas a APA não aceitou. Fico me perguntando por que esses homens não evitaram que seu animal procriasse, o que seria muito mais simples, por meio de uma cirurgia que pode ser feita de graça.
Quem deixa o animal procriar de maneira irresponsável devia responsabilizar-se integralmente pelos filhotes. Tem ainda muita gente que abandona, que joga fora, que mata e maltrata. Por que não castrar? Por que não prender dentro de casa durante o cio?
Uberlândia ainda tem muitos cães de rua. Mas tem também muitas pessoas de alma boa, que fazem seu papel. Nosso aplauso para elas!

7 de nov de 2010

Cãominhada cada vez melhor

A cada encontro, a Cãominhada "Eu amo meu pet", promovida pelo Clube do Pet e por um grupo de pessoas apaixonadas por cachorros, se torna um encontro mais legal. Quinzenalmente, nas manhãs de domingo, cachorros e humanos se reúnem na margem direita do rio Uberabinha, no Parque Linear de Uberlândia, para passear e prosear (pessoas falam, cachorros latem e cheiram uns aos outros).
Algumas pessoas se conheciam, outras nunca haviam se visto, mas agora, formam uma comunidade real, que pensa em como se organizar para cuidar melhor dos cães domésticos e também fazer alguma coisa no sentido de criar políticas públicas adequadas para minimizar o abandono de animais e a procriação desenfreada, que acaba levando para as ruas dezenas de cachorros que sofrem maus tratos, doenças, fome, intempéries.
Basta andar por Uberlândia para ver muitos cachorros abandonados. Algumas pessoas de bom coração recolhem e levam para casa, cuidam dos doentes e posteriormente procuram um lar para eles. São os cuidadores, que muitas vezes abrigam um grande número de cães e gatos, que acabam nunca sendo adotados. Alguns veterinários e pet shops oferecem atendimento gratuito a esses animais, cuidando, oferecendo remédios, cuidados e carinhos. Eu mesma adotei um desses bichinhos, o Pacheco, que foi acolhido por uma cuidadora, levado para o Bichos e Caprichos para tratamento e hoje está aqui com a gente, feliz.
Nas Cãominhadas, mais que um encontro entre apaixonados por bichos, conversamos também sobre coisas sérias e modos de influenciar a população a cuidar melhor de seus cães, começando pela castração. Quem cuida de um cachorro e não pretende deixá-lo criar, deve optar pela castração, pelo bem da saúde do animal e evitando que ele escape na tentativa de seguir seu instinto de cruzar. A cirurgia é simples, pode ser feita gratuitamente através da Universidade Federal de Uberlândia, desde que indicado pela Vigilância Sanitária, o animal não engorda, se recupera rapidamente, no caso dos machos, ocorre uma rápida redução do xixi dentro de casa. Os benefícios são muitos. Meus dois são castrados e muito de bem com a vida. Parece que vivem sorrindo!
Outra coisa importante é cuidar para que o nosso animal não saia para a rua, onde pode se perder e somar-se à grande quantidade de cães e gatos que vagam pela cidade. São cuidados simples, como prender dentro de casa quando abre o portão ou tira o carro, passear sempre com coleira, evitar soltar o animal apenas para ele ir fazer as necessidades na rua. Aliás, isso leva a outro cuidado: catar a caca do seu bicho quando for passear com ele. Basta levar um saquinho, catar, fechar o saquinho e descartar em uma lixeira pública ou na sua casa, quando voltar do passeio. Nada mais desagradável que pisar em caca de cachorro.
Discutimos também nas Cãominhadas a melhor forma de educar nossos amigos caninos. A melhor receita é dar disciplina, alimento e carinho, nessa ordem. Bicho é bicho, tem que ter seu lugar na casa, ter limites e saber respeitá-lo. Meus bichos são mimados, mas são bichos. Não os chamo de "filhinhos", nem os trato como crianças. Eu estraguei um deles ao permitir que dormisse na minha cama, mas um dia mudo isso... Falamos também de uma doença grave, que vem atingindo muitos cães na cidade, chamada Leishmaniose. Ela é transmitida por um mosquito, mas o cachorro é hospedeiro e se for detectado que ele tem a doença, o dono é obrigado a sacrificar o animal. Para cuidar, a receita é simples: manter o quintal limpo, afastar os insetos e proteger o animal com coleira especial, vacina ou remédio colocado diretamente sobre a pele do bicho.
Cachorro é uma coisa boa demais. Vale a pena conviver com eles, mas é necessário ter paciência, cuidado e amor. Hoje a gente ouviu a história de uma moça que adotou um cachorrinho porque queria evitar a depressão. Linda a história dela. Eu também, quando trouxe a Belarmina para casa, foi para espantar a tristeza profunda provocada por uma série de incidentes. Mais que alegria, ela me trouxe vida nova, cor e um amor que não tem tamanho. Vamos ter bicho sim, mas com muita consciência. Todos merecemos isso.
Outra coisa importante que falamos muito nas cãominhadas é sobre a adoção de animais. Se estiver decidido a ter um cão ou gato em casa, não compre, adote. Vários cuidadores precisam que os animais encontrem um novo lar e a Associação Protetora dos Animais (APA) está sempre cheia de bichinhos que querem uma nova casa. Cachorros de todos os portes, filhotes e adultos, de raça e vira-latas. Além de muitos gatos. Ao adotar um cão adulto, você tem a vantagem de saber que ele não cresce mais, e escolher aquele que cabe na sua casa e no seu orçamento. Sim, cachorro tem que fazer parte do planejamento financeiro da casa, porque ele dá despesa com alimentação, vacinas, cuidados contra pulgas, carrapatos e Leishmaniose, além de possívies doenças. Sem contar no tempo que ele precisa, para brincar, correr, passear.
Para quem não pode ter um bichinho, mas gostaria de ajudar de alguma maneira, faça uma doação para a Associação Protetora de Animais de Uberlândia. Eles precisam de ração, remédios, cobertores e também recursos financeiros para a construção de canis.

6 de nov de 2010

Gente jabuticaba

Todos os dias, impreterivelmente, julgamos uma pessoa pela aparência. E somos julgados também, com certeza. Todos os dias rotulamos pessoas, algumas vezes de maneira simpática, outras sarcástica. Pessoas nos rotulam de volta. Somos humanos, fazemos essas coisas.
Hoje, ao comer jabuticabas, comecei a refletir sobre isso. Mas o que jabuticabas tem a ver com as reflexões acima? Se a gente tiver que descrever a frutinha, vai dizer que ela é preta, casca dura, normalmente vem sujinha da feira, é dura para morder. Mas uma vez que aquela melequinha branca sai de dentro dela.... quanta doçura e delícia.
Algumas pessoas são jabuticabas. A gente evita se aproximar delas, porque muitas vezes são vistas como "cascas grossas", como pessoas de difícil convivência, fechadas. Com medo de uma resposta enviezada, ou de uma dose de ironia, melhor nem chegar perto. Podemos estar diante de uma pessoa doce e gostosa, mas como já rotulamos, melhor deixar para lá. Difícil mudar um rótulo...
Pessoas jabuticaba são surpresas deliciosas para quem resolve passar pelo limite da casca, lava a sujeirinha e morde a frutinha. Que prazer doce se descobre em cada bolinha, sendo que elas nunca são iguais, mesmo vindo do mesmo pé. Umas mais docinhas, outras nem tanto. Mas toda jabuticaba com sua cor, seu sabor, sua doçura.
Outras pessoas são abacaxis. Caroquentas, ásperas e até mesmo cortantes do lado de fora. Dão um trabalho danado para descascar. Uns carocinhos parecem que não saem nunca. Mas quando a gente enfrenta, descasca e come a fruta... Delícia das delícias. Impossível descrever gosto de abacaxi, não é mesmo? Alguns são doces como mel, outros mais azedinhos. Nenhum abacaxi é igual ao outro. Cada um tem sua casca mais ou menos dura. Cada um tem seu doce.
O mesmo acontece com outras frutas deliciosas, como o Kiwi, peludo e áspero por fora, verdinho e cheio de desenhos de semente por dentro. A jaca, grosseira no pé, deliciosa em cada gomo. O coco, que pode até machucar se cair no pé da gente, mas branco e doce por dentro, incapaz de quebrar dente.
Por outro lado, frutas como o morango, lindas por fora, podem estar lindas por cima da caixa, mas apodrecendo por baixo. Nem toda a beleza garante que a caixa inteira estará impecável. Goiabas podem ter bichinhos, conhecidos no interior como bigatos. Maçãs, frutas tão lindas, podem estar totalmente tomadas por bichinhos que se escondem e não se deixam perceber na casca. O pequi nasce de uma flor belíssima, tem um cheiro bom, mas se a gente morder, enche a boca de espinhos...
A casca pode esconder algo muito bom ou algo muito ruim. Por isso precisamos nos permitir enxergar as pessoas além da casca. Quem julga o outro apenas pelo rótulo, ou por uma primeira impressão, pode perder a oportunidade de conviver com alguém muito bacana. Já mudei de idéia sobre pessoas várias vezes. Mas para isso, precisei deixar de lado minha resistência e minha vontade de não aceitar. É fácil rotular alguém. Difícil é aceitar as pessoas como elas são. Dífícil é aceitar gente jabuticaba, gente abacaxi, gente coco... Mas necessário refletir que somos todos gente. Simplesmente.

Texto inspirado pelas várias jabuticabas que comi hoje!

Memória organizacional

A vida sempre me presenteia na área profissional. Atualmente, estou desenvolvendo um projeto de memória corporativa para o grupo Algar, aqui de Uberlândia. Nosso desafio é escrever a linha do tempo da empresa, que começou sua história na década de 50, no ramo das telecomunicações. Hoje é um grupo consolidado, que atua na área de telecomunicações, entretenimento, serviços e tecnologia.
Para fazer o trabalho, uma das etapas foi um mergulho em uma publicação corporativa criada no final dos anos 60, chamada Teleco. Conseguimos resgatar desde o primeiro até o último número da revista, que começou como um informativo rodado em mimeógrafo e terminou como uma bela publicação, impressa em quatro cores, papel couchê, já em meados dos anos 2000. Foram mais de 30 anos de edição contínua. Uma fonte importantíssima de conhecimento e história.
Sempre na vanguarda, o grupo Algar já possuía uma Assessoria de Relações Públicas na década de 70, quando apenas as grandes empresas se preocupavam com isso. O grupo já investia em programas para relacionamento com o público interno, com a imprensa e com o governo, que decidia sobre as concessões para os serviços de telecomunicações. A cidade não tinha profissionais graduados na área específica, mas os que assumiram esse desafio foram extremamente competentes em consolidar a imagem de uma organização que em breve completará 60 anos.
Ao folhear as revistas antigas, percebe-se que a empresa desenvolvia uma série de programas para seus funcionários, como festas do dia das mães, pais, páscoa, natal, dia da telefonista. Distribuia jornal interno para todos os funcionários. Desenvolvia programas focados em segurança, treinamentos, integração. A marca sempre foi tratada nas publicações corporativas, que trazem sua evolução, tanto no mercado quanto em aspectos ligados a design. Toda a evolução da organização se reflete nas páginas amareladas pelo tempo, mas que indicam fatores que levam o grupo Algar a ser o que é.
Tive o privilégio de fazer parte deste processo, quando trabalhei na CTBC, entre 1994 e 2002. Cuidei de comunicação interna e assessoria de imprensa, herdando processos estruturados por essa geração das décadas anteriores e construindo novos processos, que embasaram as estratégias de quem veio depois. O mergulho no passado da organização me fez ter mais clareza sobre coisas que vivenciei enquanto funcionária. Uma cultura forte não se constrói, ela se consolida quando os sentidos que a organização dá para sua missão, visão e valores, são compartilhados pelas pessoas, que colocam esses valores em prática para executar seu trabalho.
Em Uberlândia, poucas são as empresas que investem de maneira consistente em comunicação. Algumas começam e param, cortam investimentos, tentam fazer Relações Públicas sem estratégia, executando ações pontuais. Outras nunca investiram, consideram que reputação corporativa se constrói sozinha, com bons produtos e bom atendimento. Isso pode se sustentar por algum tempo, mas um dia a casa cai. Organizações bem sucedidas são aquelas que valorizam seus relacionamentos com seus públicos, que investem na consolidação de uma imagem forte, fundamentada em princípios e valores.
Uma organização que investe há 40 anos em comunicação, é um exemplo a ser observado, pelo menos. Há muito aprendizado nessa publicação que estou estudando. Trabalhos acadêmicos podem emergir dali. O futuro nos chama, mas suas bases são fundamentadas na história. Relações Públicas atua também em programas de memória e cultura organizacional. É preciso ir além das abordagens tradicionais e pensar a comunicação de maneira mais ampla. O mercado existe, profissionais competentes nossa cidade tem. Agora é a hora de fazer acontecer.

Onde estão as pessoas a fim de trabalhar?

Acabo de chegar de uma nova pizzaria que abriu em Uberlândia, a Sapataria da Pizza, que começou em Franca, por obra de um empreendedor de lá que resolveu apostar em uma velha receita de pizza, feita na frigideira, com casquinha fina e muito recheio. Lá, a pizzaria foi montada em uma velha sapataria, no centro da cidade, que durante muito tempo marcou a paisagem das ruas antigas daquele lugar. Em Uberlândia, a pizzaria acaba de chegar. O lugar é perfeito, a pizza é a mesma e deliciosa, o empreendedor responsável, uma pessoa profissional e interessada em atender bem ao cliente. Mas mesmo com todo o esforço, algo não começou bem em nossa cidade e esse algo foram justamente as pessoas contratadas para atender às mesas e o caixa.
Pessoas despreparadas, confusas, algumas até mal humoradas. Por alguns instantes, enquanto via os garçons meio confusos, prestava atenção também ao dono, que servia mesas, coordenava a equipe, fechava contas e tentava, ele mesmo, minimizar os pequenos erros de sua equipe. Nessa noite, além da equipe nova, dois haviam faltado e a Cemig, que tem falhado com frequência em nossa cidade, o deixou sem luz por cerca de 30 minutos.
Haja equilíbrio para ser empreendedor nessas ocasiões. Converso com certa frequência com empresários da cidade e ouço uma reclamação com cada vez mais frequência: falta gente preparada e que queira trabalhar. Isso acontece na área de atendimento, vendas, operações, construção e qualquer outra onde pessoas sejam necessárias. Eles falam da dificuldade em encontrar profissionais comprometidos, que queiram trabalhar, atender com qualidade, ser solícitos, prestar serviços. Tem muita gente procurando emprego, mas poucas pessoas querendo trabalhar.
Servir pessoas é algo que envolve muito mais que educação e gentileza. Envolve gostar de gente. Estamos carentes de pessoas que gostem de gente, que gostem de servir, que gostem de sorrir e de ser simpáticos. Estamos fartos de pessoas grossas, mal educadas, que pensam que fazem um favor em nos servir.
Penso que a resposta passe por melhor remuneração, treinamento e investimento nos seres humanos, mas penso também que passa pelo desenvolvimento de pessoas melhores. Todos temos que exercer alguma atividade que nos garanta a subsistência e também a satisfação como profissionais e como seres humanos. Procuramos a felicidade. Mas penso que, precisamos de um emprego para sobreviver, mesmo que a gente não goste dele, vamos procurar fazer da melhor maneira possível o que precisa ser feito.
A gente nunca esquece uma pessoa que nos atendeu bem. Um empreendedor vai sempre valorizar aquele funcionário que fez mais que os outros. Muitas vezes a gente critica sem levar em conta todos os aspectos. Gostar de gente é a chave. Tudo muda quando isso acontece. Vale a pena tentar.
A propósito, a Sapataria da Pizza é tudo de bom. Recomendo muito. Mas por enquanto, será necessário enfrentar pequenos erros... Coisas de Uberlândia.

1 de nov de 2010

Uma escolha infeliz

Imagem extraída do site da prefeitura de Uberlândia
www.uberlandia.mg.gov.br
Nesta semana foi inaugurado o Hospital Municipal de Uberlândia, obra aguardada há algum tempo e que acabou se tornando motivo de minha primeira decepção com o prefeito da cidade, Odelmo Leão. Quero deixar claro que tenho uma grande admiração por esse político, um homem ético, transparente, focado em fazer uma cidade cada vez melhor. Votei e votaria nele outras vezes, mas isso não me impede de comentar o que considero um grande erro da atual administração, que foi ter escolhido o nome do tio do atual Prefeito para batizar a obra.
Vou explicar a razão de minha decepção. Não conheci o tio do Prefeito Odelmo Leão, nunca ouvi falar nele em meus 16 anos de Uberlândia e só agora descobri que o prefeito provavelmente foi batizado com seu nome como uma forma de homenagem, uma vez que seu nome completo é Odelmo Leão Carneiro Sobrinho.
Nos dias da inauguração da obra, estava muito ocupada com um projeto que precisava entregar para um cliente. Ouvi falar o tempo todo em Hospital Municipal e o nome nem me chamou atenção. Dias depois, dirigindo, ouvi pelo rádio do carro uma propaganda sobre o novo hospital, onde se falava o nome completo: Hospital Municipal e Maternidade Dr. Odelmo Leão Carneiro. No primeiro momento, fiquei chocada! Pensei comigo mesma no tamanho do oportunismo de um prefeito que dá seu próprio nome a uma obra que construiu com o dinheiro do povo. Depois, ainda indignada, pensei se Odelmo seria Médico ou Advogado, comumente chamados "doutores" em nossa sociedade. Depois pensei se ele teria feito um programa de Doutorado. Em qualquer desses casos, talvez se justificasse que ele se auto-denominasse "Doutor". Meu choque foi tanto pelo uso da expressão quanto pelo nome do Prefeito batizar a obra.
Por fim, para não ser injusta com um homem público a quem admiro tanto, fui pesquisar e descobri que viveu em Uberlândia um tio do prefeito, chamado Odelmo Leão Carneiro, e que foi médico, portanto, chamado Doutor. Consultei também o blog @uberlândia, que entrevistou um advogado e que confirmou que a escolha do nome foi feita dentro de todos os parâmetros legais. Mas nem sempre aquilo que é legal é bem visto aos olhos da população. Quantas pessoas, como eu, vão se embrenhar pela internet para tentar desfazer um possível mal entendido? Eu não queria acreditar que o prefeito tivesse dado seu próprio nome ao Hospital. Seria um erro grosseiro de gestão e imagem, que com certeza a equipe do Odelmo não o deixaria cometer.
Sim, o nome foi escolhido de acordo com os parâmetros legais. Sim, o tio de nosso prefeito deve ter sido um homem digno de tal homenagem. Mas um homem público do porte de Odelmo Leão Carneiro deveria ter agradecido a homenagem e buscado outros profissionais da medicina que poderiam igualmente ser homenageados. Alguém ligado à Universidade Federal de Uberlândia, por exemplo. Alguém que não carregasse o mesmo nome e sobrenome do atual prefeito.
Como ensino aos meus alunos, o Prefeito Odelmo Leão tem uma reputação excelente, pelo menos para mim. Eu o admiro e respeito. Mas essa escolha, que particularmente considero infeliz, será um arranhão na boa imagem que tive até hoje. Compreendo a homenagem, entendo que o tio do prefeito deve ter sido um homem notório. Mas para a maior parte da população, sem acesso à internet e outros meios de comunicação que permitam fazer o caminho que fiz em busca da informação, o nome do Hospital ficará ligado ao Prefeito Odelmo, e não ao seu tio. Lembrando ainda que as pessoas mais simples já costumam se referir ao prefeito como Doutor.
Essa decisão deve ter sido pensada e discutida na equipe do Prefeito. Apenas me espanta que ele tenha compactuado. O Prefeito Odelmo que sempre admirei é um homem que iria se opor ao nome, por saber que a ligação com sua própria pessoa seria inevitável. Talvez seja o momento de rever meus conceitos acerca dos raros homens públicos que ainda admiro. Afinal, todos os dias são feitas escolhas infelizes. Espero, honestamente, que independente do nome, o Hospital Municipal preste um serviço de qualidade para uma população que anda tão carente de saúde, ética e transparência.

31 de out de 2010

Amizade

Amigos são a família que a gente escolhe. Minha mãe me fala isso desde que sou pequena. Acho que acreditei tanto que passei a escolher muitos amigos pelos caminhos da vida. Alguns moram aqui perto, no mesmo bairro. Outros moram em outras cidades, outros estados, outros países.
A amizade é um sentimento muito especial porque para ela a noção de espaço / tempo é totalmente diferente de outras relações. Quando a gente encontra um velho amigo, pode ser depois de um dia ou depois de muito tempo, a felicidade é a mesma. Isso me lembra o belo "O Pequeno Príncepe", de Saint-Exupery, que fala sobre a felicidade que a gente sente quando sabe que vai rever um amigo daqui a pouco, e muito antes começa a sentir o coração pular de alegria.
Penso que quem tem amigos nunca está sozinho. Pode estar sem um companheiro ou companheira num relacionamento romântico. Mas nunca está sozinho. Nossa sociedade criou uma série de padrões que temos que seguir, entre eles o de termos nossa vida atrelada a de alguém, gerando novos seres, num processo de multiplicação da vida.
O conceito tradicional de família vem mudando a cada dia. Eu, que infelizmente não me enquadro neste modelo de família, vivo sozinha mas, definitivamente, não sou sozinha. Estou sempre em busca do outro, seja nas interações profissionais, sociais, comunitárias, mas sobretudo, nas minhas boas e longas amizades. Elas são tantos em minha trajetória que com certeza ocupam mais que os dedos da mão. São amigos com quem vivi momentos bons e tristes. Amigos que me ensinaram, que guiaram meu caminho, amigos que me fazem ficar feliz perto da hora do encontro e triste na hora da partida.
Solidão é coisa que dói na alma, mas que tem remédio e um dos melhores que conheço é um bom amigo. Amigos são a família que a gente escolhe. Tem os que são mãe e pai, sempre dando bons conselhos. Aqueles que são tios e primos mais distantes, mas com quem todos os encontros são momentos de festa. Tem os que são irmãos, companheiros de artes, cúmplices. Os que partem e os que ficam. Os que se encontram por acaso e os que ligam apenas para dizer que estão com saudade. Os conectados, que se falam diariamente pelo msn ou twitter, encurtando distâncias.
Tem um texto que circula na web, atribuído a Vinícius de Morais, que diz que ele seria capaz de suportar a perda de um amor, mas que morreria se lhe faltassem os amigos. Acho que sou um pouco assim, tenho pelos meus amigos o mais profundo respeito e amor. Espero que continuem por perto mesmo quando estou longe, comprometida com meus estudos, com meu trabalho, com minha vida atribulada, com meus cachorros, com minha família de verdade, que também é formada por amigas que se escolheram pela genética.
Quem cultiva amigos colherá flores lindas, sempre. Para ilustrar, a releitura do Saint Exupery, feita pelo sempre lindo trabalho de Ceó Pontual.

30 de out de 2010

Faz um milagre em mim


Hoje acordei com uma forte presença religiosa. Um forte sentimento de gratidão a Deus por tudo o que ele me proporciona na vida. Logo cedo, na missa, o tema do Evangelho era a história do cobrador de impostos Zaqueu, homem de pequena estatura, que se afasta da multidão e sobe em uma árvore para ver Jesus. Este, ao avistá-lo, avisa que é em sua casa que buscará repouso. Faz-se silêncio seguido de exclamações admiradas porque Jesus escolheu para abrigar-se a casa de um pecador.
Nos tempos de Jesus, os cobradores de impostos eram escória, porque enriqueciam à custa da exploração dos mais pobres. Hoje esses são os homens que governam nosso destino. Mas a história de Zaqueu traz o milagre da conversão, o milagre da transformação de uma vida que se dá mediante o perdão. Faz-se um milagre na vida e nas atitudes do cobrador de impostos.
Muitas vezes, nos nossos tempos modernos, nutrimos rancores profundos e eternos por pessoas que nos magoaram, muitas vezes elas o fazem sem querer. Acredito que poucos são aqueles que magoam a alguém que amam porque realmente querem magoar. Ontem assistia a um filme na TV sobre um homem viciado em assassinar pessoas. Um psicopata frio e sanguinário, mas que se remoía por dentro a cada crime e tentava com todas as suas forças não matar mais. Um bom filme, marcado por um transtorno psíquico que me levou a refletir sobre a minha capacidade de cultivar pequenos rancores.
Sim, ao longo do meu caminho, fui magoada muitas vezes. Algumas por pessoas distantes, outras vezes por pessoas próximas. Algumas vezes me afastei. Outras consegui voltar a conversar, perdoar, esquecer, reatar laços. Muitas vezes magoei pessoas, disse coisas duras, fui fria, distante, má. Não sei se fui perdoada, preferi esquecer, apagar a página e seguir adiante.
Há mágoas que ficam guardadas em gavetas da alma, muito bem fechadas. Aquelas que foram causadas sem que a gente conseguisse encontrar explicação. Aquelas aonde o outro prefere calar para sempre, afastar-se, fugir do enfrentamento de uma conversa que pode ser dura, mas capaz de aliviar um coração. Há mágoas que separam amigos para sempre, pessoas que se admiravam, que se ajudavam, que se gostavam. Há mágoas que matam o amor mais bonito que se viveu, pela dor insuportável do abandono. Há mágoas que se plantam por palavras ditas na hora errada, do jeito errado. Há mágoas que nunca serão corrigidas porque foram vencidas pela morte.
Talvez, assim como Zaqueu, a gente tenha que esquecer do quanto é pequeno, correr para a árvora mais alta e tentar rever as mágoas, tentar resgatar os relacionamentos que valem a pena, tentar ser mais humano, mais gente. Pode ser que esteja particularmente marcada por um dia que começou com uma missa muito bonita e por uma música cujo refrão falava "Porque o Senhor é meu bem maior / Faz um milagre em mim". Quero um milagre em mim. De ser mais gente, mais humana, mais humilde para pedir desculpas àqueles a quem magoei e perdoar àquele que me magoou porque um dia levou um pedaço do meu coração e nunca mais me devolveu.
Faz um milagre em mim.

Felicidade

Uma das fórmulas infalíveis para uma vida feliz é fazer o que a gente gosta. Nada melhor que escolher uma carreira, uma pessoa, um lugar para viver, baseado no quanto a gente gosta desse trabalho, desse parceiro, deste lugar. Amar as escolhas que a gente faz. Escolher com amor. Duas coisas tão simples, mas das quais nos esquecemos com tanta frequência.
Na última segunda-feira, fui assistir a uma palestra com o jornalista Luiz Gustavo, atualmente trabalhando na Rede Record, em Belo Horizonte. Biló, como é conhecido por colegas de profissão e seus muitos amigos, é um dos melhores contadores de histórias que conheço. Um repórter que transforma notícias em enredos recheados de informação, mas também de emoção e da figura humana.
Pensei que ele falaria sobre jornalismo na palestra, voltada para estudantes da Faculdade Católica. Mas ele falou de um tema muito mais importante, ele falou de felicidade. E do quanto ela está ao alcance de todos, desde que se fique muito atento às escolhas.
Em pouco mais de uma hora, Biló falou sobre a importância da gente escolher uma profissão pela qual é apaixonado. E de fazer dessa profissão um ofício a ser exercido com responsabilidade, ética, seriedade, respeito, companheirismo. A saber que apenas passamos pelos cargos que ocupamos, mas eles são transitórios, como transitório é o sucesso, os holofotes e o reconhecimento. Como é transitório tudo o que se constrói sem bases sólidas.
Com meus mais de vinte anos de carreira, ouvi nas palavras do jornalista várias das minhas próprias reflexões acerca de novos caminhos, de escolhas que não têm voltas, de percursos a serem trilhados. A recompensa chega para quem se esforça, para quem ama o que faz, para quem se dedica a ser o melhor. Necessário se faz acreditar, trabalhar muito e seguir adiante, perseguindo metas, sendo construtor do seu próprio futuro.
Há também quem se perde no caminho, senta-se na beira de uma estrada e se coloca a reclamar de tudo e de todos, procurando sempre um culpado pelas suas mazelas. Como é triste viver assim. Como é bom viver como senhor do nosso destino.
Luiz Gustavo é um daqueles profissionais que fazem sucesso porque trabalha muito. Lutou suas batalhas, venceu dificuldades. Aprendeu, ensinou, lembra-se de cada pedra e cada flor do percurso. Um bom contador de histórias, que compartilhou com um grupo de estudantes e de velhos colegas profissionais uma lição muito importante. Ser feliz é adorar o que a gente faz e ainda receber um cheque no fim do mês por isso.
Obrigada Biló. Foi bom revê-lo. Foi ótimo ouví-lo. Apesar de meus vinte anos de carreira, estou recomeçando um caminho e suas palavras serviram de energia renovadora. Sucesso, sempre.