1 de dez de 2010

Cidade sustentável

Estação de coleta de embalagens do
supermercado Carrefour, em Uberlândia
Queria lançar um desafio para as pessoas que realmente se importam em deixar um mundo melhor para quem virá depois da gente. Um mundo com menos desperdício e mais reaproveitamento, com menos consumo e mais compartilhamento, com maior aproveitamento dos recursos naturais, com destinação correta de lixo, com reciclagem de materiais, entre várias outras coisas. Em resumo, queria convidá-los para a construção de uma cidade mais sutentável.
Uberlândia é uma cidade que já ultrapassou a marca de meio milhão de habitantes. Imagine essa enormidade de gente, que diariamente consome os mais diversos itens e descarta as embalagens. Elas vão parar no lixo comum, porque apesar do porte, a cidade não tem coleta seletiva. E se tivesse, tenho minhas dúvidas que o lixo seria efetivamente separado e reaproveitado. A prefeitura deixa esse trabalho de coletar e separar o que é reaproveitável para os catadores de rua. Para isso, capacita e equipa algumas instituições de catadores, mas isso não resolve o problema.
Dois supermercados da cidade já instalaram em suas lojas estações para coleta de lixo reciclado. Mas o que vemos nesses espaços é desorganização e sujeira, muita sujeira. Isso porque não basta descartar as embalagens, é preciso que elas sejam lavadas, limpas e secas, para que o material possa ser reaproveitado. Não só as latinhas de refrigerante ou garrafas pet podem ser reaproveitadas, mas também as embalagens de leite, sucos e outras, cujo papel pode ser separado do alumínio e reaproveitados, desde que devidamente limpos.
O Instituto Ipê Cultural também recebe lixo reciclável, que é reaproveitado para a produção de peças artesanais, como pufes, bolsas, luminárias e várias outras que chamam atenção para a criatividade. Eles não recolhem o lixo na casa das pessoas, mas recebem o lixo em sua sede, desde que esteja limpo e seco. Dia desses, em uma apresentação acadêmica, ouvi do diretor da instituição uma frase muito sábia: "Eu não vou na casa das pessoas levar as compras, então também não vou buscar as embalagens. Cada um deve ter a responsabilidade de descartar corretamente o próprio lixo". Para quem tiver interesse em conhecer mais o instituto, visite o site no endereço http://www.ipecultural.org.br/.
Penso que o papel da Prefeitura de Uberlândia, além de apoiar os catadores (o que tem muito mérito) deveria ser o de investir ou na coleta seletiva ou na conscientização dos moradores para o descarte correto do lixo. Muitas pessoas nem sabem quando o caminhão de lixo vai passar, deixando seus dejetos nas calçadas por dias a fio. Uma vez que investir na coleta parece ser inviável, que tal investir em campanhas de conscientização? Poderia ser feita uma parceria com o próprio Instituto Ipê Cultural.
Outro aspecto a se pensar é que Uberlândia, que é pólo em logística, terá que adaptar-se à regulamentação da logística reversa, onde fabricantes e distribuidores terão que responsabilizar-se pela coleta de embalagens ou baterias utilizadas, por exemplo. A Tetra Pak, que fabrica embalagens longa vida para leite, sucos e outros alimentos líquidos, já investe nesse processo e conta com pontos de coleta em diferentes cidades.
O poder público tem seu papel, é certo, mas cada cidadão pode fazer o seu também. Um passo é reduzir o consumo de itens desnecessários, adquirir itens retornáveis, usar os produtos até o fim de sua vida útil ou doá-los para quem possa fazer isso. A cidade sempre tem bazares promovidos por Organizações Não Governamentais, Centros Espíritas e Igrejas que recolhem roupas e calçados usados e vendem para pessoas menos favorecidas. Dia desses, ali perto da avenida Getúlio Vargas, vi uma CPU de computador em uma lixeira. Estava chovendo, e ela lá, tomando chuva e acabando de acabar. Se tivesse sido doada, talvez pudesse ter sido útil a alguém.
Estação de coleta de lixo so supermercado Extra
Outro passo é limpar, secar e separar as embalagens usadas, descantando-as de maneira adequada. Em Uberlândia, dois supermercados têm estação para recebimento de lixo, o Extra e o Carrefour. O Instituto Ipê também recebe garrafas pet, latinhas, embalagens longa vida e jornal, que são transformadas em artesanato. Quem tiver interesse pode entrar em contato pelo telefone 3214-5447. A ONG fica na Rua Tupaciguara, 600, ali no bairro Brasil. Nas lojas do Boticário, existe um cesto para que os clientes possam retornar as embalgens de vidro ou plástico de produtos da marca, que são posteriormente destinadas.
Outra possibilidade para embalagens é transformá-las em arte. Há algum tempo, o publicitário Marcel Gussoni publicou em seu blog Sabor Sonoro, uma receita de geléias que ele acondiciona em vidros diversos, que ele limpa e reaproveita (Clique aqui se quiser ler, vale a pena!). Artesãos também aproveitam essas embalagens, transformando-as em arte. O que viraria lixo pode virar potes de tempero, de geléia, de doces, organizadores para clipes e outras tranqueirinhas. Dia desses, ao visitar o ateliê de uma artesão local, ela aproveitou garrafas pet para organizar miçangas e outras miudezas.
É fato que ainda não vivemos em uma cidade sustentável e que nossa prefeitura parece considerar inviável investir em coleta seletiva. Mas é fato também que somos cidadãos e não devemos esperar, unicamente, pelo Estado. Cada um pode fazer a sua parte. E vamos lá. Que tal começar agora mesmo?

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