20 de mar de 2011

Enfrentando os próprios fantasmas

Imagem do site Frases Ilustradas,
do incrível Ceo Pontual
http://frasesilustradas.wordpress.com/
Você já sentiu medo de alguma coisa? Medo mesmo, daquele que te paralisa, faz seu coração bater diferente, a garganta seca, todos os sentidos ficam alertas. Uma sensação de quase morte. Como se fosse uma adaga afiada entrando peito adentro e fazendo um estrago enorme. Eu sinto isso às vezes, mas com o tempo, aprendi a distinguir os medos reais dos imaginários. Para os reais, não encontrei a cura ainda. Para os imaginários, talvez as lições venham de Harry Potter e suas estratégias contra Bichos Papões e Dementadores.
Já tive minha vida ameaçada algumas vezes. Quando criança, vivia uma situação de medo constante devido a questões familiares. O medo era tanto, e tão grande, e tão forte, que refletia-se em tudo na vida da pequena menina. Tinha medo de arquibancada de circo, de andar de bicicleta sem rodinha, de andar de patins, de falar coisas que não deveria.
Mais tarde, na faculdade, muitos medos me atormentaram. Medo de enlouquecer, medo da solidão, medo do exagerar na vida de estudante regada a sexo, álcool e rock´n roll. Medo de explorar minha mãe, que com dificuldade pagava minha faculdade. Esses não chegavam a ameaçar minha vida, mas muitas vezes tiraram meu sono.
Já adulta, profissional, tive medo da morte de novo. A primeira vez, ao ser ameaçada por um louco. Depois, ao sofrer um acidente de carro. Passei alguns dias sem ter certeza se estava do lado de cá, vivenciando todo o sofrimento das pessoas, ou se estava do lado de lá, apenas observando. Acho que estou por aqui ainda, afinal, essa história de "Ghost Writer" deve ser apenas para políticos.
Depois, em um assalto, vem a morte com sua foicezinha de novo chegando perto. Ela passou de lado, olhou no seu fichário e ufa... Não era minha hora. Passou. Meu nome não estava na listinha dela.
Mas tem também a enorme lista dos medos imaginários. Esses são os piores. Eles nos fazem enxergar ameaças onde elas não existem. Nos paralisam para valer porque não conseguimos desenvolver defesas, afinal, eles não existem. Até hoje, sempre me deixei dominar pelos medos imaginários. Principalmente aqueles que me lembram de minhas limitações, de meus erros, de minha humanidade. Acho que gosto da fantasia da pessoa que faz tudo certinho, que não decepciona os outros, que cumpre prazos, que consegue o que quer. Mas que sente muito medo de errar, de meter os pés pelas mãos...
Semana passada tive uma dessas crises de medo. Tinha um prazo a cumprir e não conseguiria. Dormi mal, tive dores de cabeça, taquicardia e mais um monte de sensações desagradáveis. No auge da confusão, fiz a coisa mais simples que poderia fazer. Assumi minha incapacidade de lidar com aquilo. Reuni minhas forças e invoquei meus protetores para que mandassem os demantadores para o inferno. E eles foram.
Aprendi, de alguma maneira, a olhar de frente para os medos reais e imaginários e a enfrentá-los. Aprendi sobre meus limites. Sobre minhas forças. Aprendi a invocar aquilo que há de melhor em mim para enfrentar as fraquezas. Como Harry Potter, invoquei meus guardiões para me protegerem contra o mal ou para tornar meus medos ridículos como os bichos papões que se transformam em coisas engraçadas.
E descobri, nesse aprendizado, que a força estava o tempo todo em mim. Tudo o que precisei fazer foi invocá-las. E percebi que o primeiro passo para vencer nossos medos, é enfrentá-los. Naquele vídeo famoso, chamado Filtro Solar, tem uma frase que adoro: "enfrente pelo menos um de seus medos diariamente". Depois que vi esse vídeo, há muitos anos, aprendi a andar a cavalo, a dirigir, perdi peso, cantei um cara na lata, fiz coisas inacreditáveis no trabalho, fui para o Egito, amei sem reservas, odiei também. E até hoje me desafio a enfrentar meus medos. Sei que eles virão, mas protetores estão sempre a postos. Basta olhar para dentro de mim.
Para lembrar, quem estiver a fim, dê uma olhada no vídeo original do Filtro Solar (sem a narração do nojento Pedro Bial, que cheguei a admirar um dia, mas que acho absurdamente medíocre em tempos de Big Brother). Clique aqui para assistir ao vídeo produzido pela agência DM9DDB.

Texto em homenagem à mulher que vem me ajudando a enfrentar meus medos, minha querida Maria Augusta. E também ao lindo amigo Marco Lara, que foi quem pela primeira vez me mostrou o filme Filtro Solar, há muitos anos. Ele não vai lembrar disso, claro...

Yes, we can

Criação do cartunista Maurício de Sousa,
postada por ele no twitter, em homenagem à
visita do presidente Barack Obama ao Brasil.
Como o Brasil inteiro deve ter assistido pelo Jornal Nacional, a família Obama está visitando o Brasil. À parte todo o circo da mídia, as reverências políticas, o vestido da Dilma e os vários modelitos de Michelle Obama, o que mais me chamou atenção foi o discurso da primeira dama americana a respeito da importância da educação. Ao falar de sua formação, destacou o fato de seus pais se preocuparem com sua educação. Em sua mensagem aos jovens, ela reforçou muito este que é um dos pilares da cultura dos norte americanos.
Eles podem confundir Buenos Aires e Brasília, se achar os donos do mundo, ter uma atitude imperialista. Mas se tem uma coisa que acho interessante na cultura do povo americano é a crença de que eles podem mudar sua vida por meio da educação. Já tive a oportunidade de visitar aquele país por duas vezes e em ambas conheci pessoas que construíram sua história a partir dos estudos. Ou refizeram suas trajetórias com dedicação e afinco.
Obama adotou o slogan "Yes, we can" (Sim, nós podemos). Gosto do sentido dessa frase. Acredito fortemente que, se quisermos nós podemos escrever nossa própria história. Mas para isso, educação é tudo. Venho de uma família de classe média, onde educação sempre foi valorizada. Tudo o que conquistei em minha vida pessoal e profissional é consequência da minha educação. Consegui bons empregos, boas promoções, boa reputação, bons salários. Sempre procurei romper limites, pensar fora do quadrado, ultrapassar meus próprios medos em busca de atingir objetivos cada vez mais arrojados.
Hoje sou professora e acredito fortemente que é pela educação que podemos construir uma sociedade melhor. Tenho alunos excelentes e alunos medianos. Alunos que acreditam em si mesmos e alunos que colocam dificuldade em tudo. Alunos que me dão vontade de inovar em cada aula e outros que me desanimam momentaneamente com sua falta de interesse. O mesmo vale para os professores.
Uberlândia é uma cidade que tem inúmeras faculdades, universidades e centros universitários. Tem também um conservatório de música, boas bibliotecas, pesquisadores renomados no Brasil e no mundo, uma imprensa diversificada e abrangente, músicos, atores, escritores. Mas tem também muita gente que não valoriza educação.
Eventualmente, percebo em meus alunos um certo desânimo pelos estudos, como se estivessem ali para cumprir uma obrigação. Aviso aos navegantes: a educação tem o poder de abrir portas para universos inimagináveis. Pode ser que, assim como em "Alice no País das Maravilhas", algumas portas sejam pequenas demais. Outras sejam tão altas que mal alcançamos a maçaneta. Mas Sim, Nós Podemos cruzar as fronteiras da ignorância e abrir a porta de nossa própria mente para o maravilhoso mundo do conhecimento.
Para finalizar, uma frase que li há algum tempo e venho adotando como filosofia de vida:

"Quem realmente quer fazer alguma coisa, encontra um meio.
Quem não quer, encontra uma desculpa".


Enquanto escrevia este post, começou a passar Big Brother Brasil, a típica versão de que para vencer na vida existe um caminho mais fácil... Desliguei a TV, coloquei um CD do Tom Jobim para tocar e assim mergulho na delícia das palavras... Neste exato momento, as águas de março invadem meus ouvidos e a cidade lá fora. São as águas de março fechando o verão, é promessa de vida no meu coração...

Leishmaniose: atacar o vetor ou matar os cães?

Pacheco, um amor de cachorro
Tem uma doencinha que anda tirando o sono de quem gosta de cachorro. É a tal da Leishmaniose, transmitida por um mosquitinho muito sacana, que pode picar um animal doente, assintomático, e transmitir a doença para um ser humano.
Os cachorros contaminados podem não desenvolver nenhum sintoma da doença, sendo hospedeiros do bichinho que a transmite. É mais ou menos como no filme Aliens, preservadas as devidas proporções. Quando o tal do mosquito pica um cachorro doente, e esse mesmo mosquito pica o homem, e este adoece, aí é que mora o perigo.
Muitas cidades resolveram sacrificar os cachorros que hospedam o bichinho. Ao invés de discutir formas de controlar a disseminação dos vetores (os mosquitos), acreditam que é melhor matar os animais. Uberlândia, infelizmente, parece que vem adotando essa postura, obrigando os donos a entregarem os bichinhos para serem mortos. Isso é muito cruel.
Nessa semana, a área de controle de Zoonoses começou a visitar residências no bairro onde moro, Santa Mônica, para colher sangue dos animais. Dois rapazes, muito educados, vieram em casa e pediram para tirar sangue dos meus cachorros. Sou muito preocupada com essa doença e sempre cuidei dos dois, aplicando o remédio que previne contra o mosquito e cuidando muito bem do quintal de casa, evitando qualquer coisa que possa atrair moscas. Por isso, não tive medo de atender aos rapazes da Zoonoses.
Apesar de discordar da política adotada pela Prefeitura, de sacrificar os cães hospedeiros do vetor da doença, gostei da postura dos profissionais. Primeiro, porque foram carinhosos com meus cachorros. Depois, porque me explicaram todos os procedimentos com clareza, inclusive as consequências de um resultado positivo. Explicaram que não sou obrigada a entregar os cachorros caso eles sejam portadores da doença, que posso recorrer à justiça e ter o direito de tratá-los. O cachorro doente pode colocar em risco a saúde das pessoas, por isso a questão é tão controversa. Mesmo com a Belarmina, que é super brava, eles demonstraram cuidado e atenção, além de não terem demonstrado medo.
Uma pessoa me disse no twitter que o problema é acabar com o vetor da doença, não sair matando cães. A escolha por essa política é equivocada. Creio que o tema precisa ser mais discutido com os donos de animais, que devem ter conciência em relação à importância de usar a coleira que repele o mosquito ou um produto chamado Pulvex, que mata o vetor se ele pica o cachorro. A vacina ainda não é totalmente aceita, é cara e não se sabe se totalmente eficaz. É importante também que haja maior controle da população de animais nas ruas. A cidade não tem uma política de incentivo à castração de animais (embora isso possa ser feito de graça no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia), nem um lugar adequado para recolher os animais que vivem nas ruas. Cidadãos de alma boa recolhem animais em suas casas e fazem esforços para encontrar novos lares para os bichos abandonados. A Associação Protetora de Animais vive aos trancos e barrancos para se sustentar e parte das pessoas que deixam seus cães procriarem de maneira irresponsável acabam "desovando" os filhotes lá. Ou abandonam nas ruas e alguém leva para lá.
Belarmina, minha outra cachorra, uma fofa

É interessante como, em nossa cidade, muitas coisas são pensadas pelo lado avesso. Projetos de trânsito monumentais, que esquecem de contemplar os pedestres. Leis relativas aos espaços urbanos que não contemplam pessoas com deficiência. Políticas para controle de doenças que matam cachorros inocentes. Programas de acesso ao ensino superior que permitem o acesso de aluno que podem pagar uma faculdade privada. Penso que deveria haver mais reflexão a respeito da origem real dos problemas.
Dependendo das ações, estamos simplesmente jogando o sofá fora, como naquela piada do português que chegou em casa e pegou a mulher e o amante fazendo festinha no sofá. Para resolver o problema, jogou o sofá fora....

Mentira tem perna curta, já dizia minha vó...

Tem até blog chamado A arte de copiar e colar,
de onde tirei essa imagem (mas cito a fonte!).

http://aartedocopiarecolar.blogspot.com/
Agora há pouco, estava lendo no site da revista IstoÉ uma matéria sobre a clonagem de projetos que teria sido produzida pelos irmãos Prado. Um no Congresso Federal, outro na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Eles se apoiam em desculpas, alegando um erro no sistema de registro dos projetos, mas, aparentemente, rolou o famoso Ctrl C + Ctrl V nas duas casas legislativas. Quem quiser ver a matéria, clique aqui.
Algumas coisas me preocupam neste episódio. A primeira é que vivemos essa cultura do Copia e Cola muito abertamente. A internet facilitou o acesso a qualquer tipo de dado. Textos de blogs podem ser copiados sem qualquer menção ao autor. Fotos de relacionamentos amorosos podem ser enviados para o mundo todo pela rede. Nas escolas, isso virou uma verdadeira praga. Os alunos normalmente copiam textos inteiros da internet, sem sequer refletir sobre eles ou citar a fonte. É corriqueiro receber trabalhos de alunos que são cópias na íntegra de sites. Eles copiam inclusive os erros, textos em primeira pessoa do plural (quando eu pedi a opinião individual) e assim por diante.
Para combater um pouco essa cultura, sites anti-plágios foram criados. Mas nem precisa ir tão longe. Uma frase jogada no Google indica a fonte em segundos. Muitas vezes faço isso e confesso que já encontrei plágios até em trabalhos de conclusão de curso. E no mercado de trabalho, quando o futuro profissional for convidado a inovar? Será que a tática do copia e cola vai funcionar? Por outro lado, iniciativas como o Creative Commons valorizam a geração coletiva de conteúdo e conhecimento, o que vale muito a pena, mas vai além de reproduzir conteúdo alheio sem dar crédito.
Outra preocupação que tenho é com a leviandade com que a imprensa local tratou o episódio, chamado pelo site da revista de "A família que copiava". Vi uma matéria na TV Integração, inclusive lembrando que, quando os projetos foram apresentados, os irmãos foram entrevistados pela emissora como sinônimo de qualidade no trabalho parlamentar. No Correio, principal jornal da cidade, uma notinha muito curta na coluna de política. Nada mais.
Preocupa-me a postura da imprensa nos dois momentos. Quando os irmãos Prado apareceram como autores de um grande número de projetos em tão curto espaço de tempo, ninguém questionou. Gente, deve ser muito difícil fazer um projeto de lei. Ele tem que ser embasado, tem que ter referências legais, sociais, consulta às bases, informações qualitativas e quantitativas. Envolve pesquisa e estudo. Não dá para elaborar tão rápido. A imprensa elogiou e pronto. Agora, quando parece que realmente houve o plágio, a imprensa se aquieta, exceto pela Rede Integração, cuja postura achei bacana. Talvez a dica para os jornalistas que compram versões muito rapidamente, sem questionar releases, seja estudar quanto tempo e qual o nível de produndidade para se apresentar um projeto de lei consistente, nas duas casas.
Mas acima de tudo, preocupa-me que os possíveis plageadores possam vir a ser candidatos à prefeitura de Uberlândia. Em disputa com Odelmo, nas últimas eleições, perderam. Mas sem uma figura forte como a do atual prefeito, teriam chance? Penso que, se eles realmente copiaram projetos para fazer volume e disseram que eram seus (acredito que isso configura falsidade ideológica), podem muito bem fazer promessas para o governo da cidade que não sejam originais, ou mesmo que sejam impossíveis de cumprir por serem inconstitucionais (como parece ter acontecido com um dos projetos copiados).
Não quero aqui discutir a carreira desses políticos, nem sua idoneidade, mas a facilidade com que compramos versões. Não se tem certeza ainda de que eles tenham agido de má fé ou que tenha acontecido um erro nos sistemas, mas o fato é que foram entrevistados pelo grande número de projetos apresentados e confirmaram ser de sua autoria.
O professor que aceita um trabalho copiado da internet e não questiona, uma casa de representação do povo que aceita projetos clonados e só depois descobre. De certa maneira, isso é reflexo da perda de valores que estamos vivendo. Já dizia minha avó e a avó dela antes: a mentira tem pernas curtas. Em tempos de avanços tecnológicos, curtíssimas.

6 de mar de 2011

Passatempo: falar mal da empresa

Imagem retirada do blog http://oassuntolegal.com.br
Eventualmente, almoço em um restaurante que fica perto de várias concessionárias de veículos de luxo em Uberlândia. O lugar acaba se tornando refeitório dos funcionários dessas empresas. Lá, eles aproveitam para falar (e muito) mal da organização onde trabalham. Falam mal do chefe, do produto que vendem, dos colegas e até dos clientes. E falam em alto e bom som, de modo que por mais que a gente queira ser educado e não prestar atenção na conversa alheia, impossível não escutar.
Das reclamações destes funcionários, penso duas coisas. A primeira é que devem ser pessoas muito infelizes por trabalharem em um lugar do qual não gostam. Como reclamam de tudo, devem se sentir miseráveis no ambiente de trabalho. Acordar deve ser um sofrimento, atender clientes deve representar um suplício. A segunda coisa que passa pela minha cabeça é que a empresa onde trabalham não desenvolve nenhum esforço de comunicação interna. Essas pessoas não devem ter canais internos para discutir problemas, para oferecer propostas de melhoria, para serem ouvidas. Provavelmente trabalham em organizações onde "manda quem pode, obedece quem tem juízo".
Fico pensando no quanto as empresas locais, a despeito das marcas que representam, preocupam-se pouco com o relacionamento com seus funcionários. Essas pessoas que detonam a empresa onde trabalham vendem carros que custam caro, muito caro. As marcas que representam estão entre as mais respeitadas do mundo. Mas nas concessionárias, localmente, empregam-se pessoas que parecem estar com raiva do mundo, que não vêem a hora de chegar o fim do dia para ir embora, afastar-se dos chefes, dos colegas, do produto e dos clientes.
Como deve ser ruim trabalhar em um lugar assim. Eu jamais gostaria de fazer parte de um ambiente desse. No restaurante, os funcionários estão uniformizados. Eles denigrem não apenas a concessionária, mas também a marca de carros que representam. Mas esse episódio é apenas um dos que refletem a falta de visão de muitos empresários, que deixam de investir em ações de relacionamento com funcionários, atividade realizada por profissionais de Comunicação Interna, em especial, os de Relações Públicas.
Manter as pessoas bem informadas sobre o que acontece na empresa, promover a existência do diálogo entre líderes e liderados, manter canais de comunicação, propor ações de engajamento, orientar as lideranças sobre os processos de relacionamento com as pessoas nas organizações são alguma das responsabilidades de uma área de Comunicação Interna. O objetivo é promover o engajamento dos empregados com a empresa, por meio de ações éticas e continuadas.
Vale lembrar que um processo estruturado de comunicação não vai impedir que os funcionários possam se sentir insatisfeitos com a organização, mas poderá contribuir para que essa insatisfação seja discutida dentro de casa e não fora. O profissional especializado, que souber estruturar um processo comunicacional interessante, irá contribuir também para que a equipe possa conhecer melhor a  empresa, dosando o que ela tem de positivo e o que possa ter de aspectos a serem melhorados. Ele irá construir o capital reputacional desse ambiente de trabalho, valorizando os aspectos positivos, criando canais de comunicação e interação e gerenciando possíveis conflitos entre a imagem que a organização quer construir e aquela que seus funcionários projetam.
Fazer comunicação interna envolve investimento. E isso pega muito em Uberlândia, onde culturalmente a comunicação é vista como despesa. Empresas que fazem comunicação interna trabalham de uma forma mais verticalizada, informando os funcionários sobre o que a empresa faz. Informar não é comunicar. São poucas as organizações que investem em ouvir suas equipes para entender aspectos do clima organizacional. Enquanto essa cultura predominar, teremos pessoas que falam mal de seus empregadores e denigrem marcas em restaurantes na hora do almoço.
Quando não somos ouvidos dentro da empresa e estamos insatisfeitos, é necessário encontrar uma válvula de escape. Honestamente, tenho pena das pessoas que se sentem assim. É muito bom trabalhar em um lugar que nos ouve, onde somos vistos como pessoas e não como recursos.

1 de mar de 2011

Olhai as aves do céu

Imagem do site Frases Ilustradas
www.frasesilustradas.wordpress.com
"Não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis . A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão, no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? (...) Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias."
Evangelho de São Mateus, 6: 24-34

Desde pequena, quando minha mãe enfrentava dificuldades em garantir nosso sustento, lembro-me de ouví-la dizendo essas belas palavras, do Evangelho de São Mateus. Ele reproduz um dos sermões proferidos por Jesus. A lição principal é de que Deus, em sua enorme bondade, nos ama tanto que nada nos faltará. Infelizmente, a gente está deixando de acreditar nisso, porque desaprendeu a ver os sinais que ele envia. Estamos tão concentrados em nossas preocupações, de ganhar dinheiro, de conquistar status, de pagar contas, de encontrar um amor, de viver feliz para sempre, que nos esquecemos de nós mesmos.
Quando criança, as palavras de minha mãe soavam difíceis de entender. Hoje, ao ouvir o pároco da paróquia que frequento, entendi de maneira mais plena o que Jesus quis dizer. Precisamos ter mais fé. Em todos os sentidos. Fé na gente mesmo. Fé em quem nos cerca. Fé em nossa família. Fé em que tudo vai melhorar, porque os momentos ruins são passageiros.
E foi assim que Deus falou comigo neste domingo, por meio de seus anjos. Primeiro Padre Júlio, com sua linda e única maneira de explicar as sagradas escrituras. Quantas vezes ficamos imersos nas preocupações de amanhã e esquecemos de sorrir para quem está do nosso lado hoje? Quantas vezes deixamos de conhecer alguém, de amar, de gerar amor, porque estamos concentrados apenas em sobreviver amanhã. Hoje aquela pessoa especial pode se sentar ao seu lado e iniciar uma conversa, mas a gente está ocupado demais pensando em como crescer na carreira, em como juntar dinheiro para aquela viagem... Não vos preocupeis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã trará suas próprias preocupaçoes.
Depois, Deus mandou seus anjos para minha vida na forma de amigos. Um que precisa de cuidados, outra que precisa de companhia, outro que simplesmente faz bem estar junto. Mais tarde, um anjo surge na minha porta, com seus anjinhos, me chamando com alegria na rua, a alegria genuína dos bons encontros. Pouco depois, encontro um bebê anjo, lindo, adormecido, protegido pelos anjos pais, pessoas queridas que dividem algumas coisas comigo.
Mais passos, eis que encontro novamente Padre Júlio, saindo da terceira missa do dia. Agradeço a ele pelas belas palavras da manhã. Um anjo que vem e volta em minha vida, há tantos anos, e me ajuda a entender que se Deus ama as aves do céu e os lírios do campo, ama a mim com mais intensidade. E é nessa fé que aguardo o amanhã, com suas conquistas e dificuldades.
Em casa, meus anjos de quatro patas dormem tranquilamente. Sabem que são amados por mim. São amados por Deus, protegidos pelo São Francisco que cuida da minha entrada. Um exercício difícil não se preocupar com o dia de amanhã. Somos seres que estamos perdendo um pouco a alma. Viemos brincar de ser feliz neste mundo. Viemos para compartilhar nossas vidas, para aprender, para encantar a vida de outras pessoas. Não viemos para sofrer ou para ficar tristes. Mas muitas vezes nos esquecemos do que Ele nos ensinou. A igreja ajuda a lembrar.
Sou católica mas fiquei muitos anos sem ir à igreja. Agora, não saberia viver sem ela. É de onde tiro a força para lidar com as dificuldades. É onde agradeço. É onde falo com Deus e ouço sua palavra. E a palavra de hoje marcou meu coração na voz da minha mãe, mulher guerreira que batalhou muito para criar suas filhas praticamente sozinha, em meio a dificuldades, mas sempre com muita fé. Com ela aprendi a olhar as aves do céu e os lírios do campo e saber que todo sofrimento, por maior que seja, vai passar. Aprendi que Deus me ama e que nunca irá deixar que nada de mal me aconteça. Ele já salvou minha vida incontáveis vezes, literalmente.
Quando a gente acredita que Deus cuida de nossas vidas, as preocupações continuam lá, mas passam a ter seu tamanho real. Desaparece o monstro projetado pelas sombras de nossa solidão. Que domingo mais perfeito.

Viver com sustentabilidade é legal

Caminhão que faz a coleta seletiva
Fonte: site da Prefeitura Municipal de Uberlândia
Já tem pouco mais de um mês a coleta seletiva no bairro Santa Mônica, onde moro. Estou achando o máximo, honestamente. Várias vezes já escrevi aqui sobre os postos de coleta do Extra e do Carrefour, ambos sempre sujos e desorganizados, com mais lixo inútil do que útil. Agora, semanalmente descarto o material reciclável sem sair de casa, colocando-o na minha lixeira.
Faço minha parte. Lavo tudo antes de descartar. Deixo secar e só depois coloco no cesto de lixo. Às terças, minha ajudante já coloca tudo em um saco e deixa lá fora. Normalmente a coleta é à tarde, mas a gente já deixa porque a musiquinha do caminhão engana.
Outra coisa que acho bacana é a participação da vizinhança. Todas as terças a gente percebe o movimento diferente. Os catadores, algumas vezes, passam antes do caminhão e tentam pegar o "filé", que são garrafas pet e latinhas de alumínio. Mas o número diminuiu muito.
Ensinei a Maria, que cuida de mim há anos, a lavar todas as embalagens antes de descartar. Ela, como muitas pessoas, pensam que basta separar o lixo reciclável do orgânico, mas não é só isso. No caso de caixas de leite ou suco, por exemplo, se a gente não lavar e tirar o excesso de água, o líquido pode apodrecer lá dentro, contaminar outras embalagens e até mesmo virar criadouro para moscas. Eu normalmente corto a parte de cima, lavo com água e sabão, enxugo e descarto. Faço o mesmo com latinhas, sacos plásticos, litros de amaciante, qboa, etc. O jornal eu mesma reaproveito, por causa dos cachorros. Atualmente, minha casa gera mais lixo aproveitável que orgânico. Evito também o desperdício, de maneira geral. Tudo o que pode ser reaproveitado em casa mesmo, é reaproveitado. Vidrinhos de geléia viram potes para temperos. Potes de plástico maiores viram potes para guardar restos de comida ou para colocar água para os cachorros. Alguns viram vasinhos para as plantas.
Se a prefeitura finalmente está fazendo a parte dela, coletando o lixo reciclável, a gente tem que fazer a nossa, ao separar o lixo de maneira adequada, ao evitar o desperdício, consumir menos, comer melhor, gastar menos água e energia. Cada pessoa pode ter uma postura sustentável. É fácil e gostoso. Pequenas mudanças de hábito, individuais, que poderão fazer uma grande diferença para quem virá depois da gente.

“Este post está participando do Concurso Cultural “Iniciativa Verde”, promovido pela Algar Telecom, detentora da marca CTBC. Acesse: www.ctbc.com.br/sustentavel e saiba mais”.

Programas de acesso alternativo ou educação de qualidade? Qual deveria ser a verdadeira discussão?

Biblioteca do campus Santa Mônica
Fonte: www.biolab.eletrica.ufu.br  
Semana passada um tema tomou conta da imprensa local e também do twitter em Uberlândia: o Programa de Acesso Alternativo ao Ensino Superior (PAAES) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Na quinta-feira, depois de liminares judiciais e muitas farpas trocadas entre administradores de escolas particulares, Ministério Público, alunos, pais e professores, um grupo de jovens lotou a entrada do campus Santa Mônica para enfim poder se matricular em uma faculdade pública, cujo ensino é gratuito e espera-se, de qualidade.
Sou contra qualquer tipo de cotas porque acho que o problema não é diferenciar as minorias, com base em critérios de classe social, cor da pele ou tipo de instituição de ensino. Em minha opinião, o desafio é igualar os diferentes, fazendo com que crianças, adolescentes e jovens tenham acesso à educação de qualidade, que começa dentro de casa, passa pelo ensino básico e fundamental e vai até a vida acadêmica.
O sistema alternativo de acesso proposto pela UFU tem falhas. Mas as regras são claras. Só podem participar alunos que efetivamente estudaram em escolas públicas durante todo o segundo grau e parte do primeiro. Apesar disso, muitos jovens praticaram falsidade ideológica ao garantir que cumpriam este critério, quando na verdade estavam matriculados em escolas particulares. Classificados pelo PAAES, foram à justiça para garantir um suposto direito à vaga, mesmo sabendo que haviam feito uma declaração falsa.
Fiquei pensando com meus botões no tipo de profissionais que serão estes jovens, que declaram em falso para participar de um processo do qual não têm direito de participar, entram na justiça para garantir uma vaga em uma universidade pública à qual não têm direito. No futuro, quando participarem de um processo seletivo em uma empresa e por algum motivo não forem selecionados, coisa corriqueira no mercado, irão à justiça também? Aprenderão a conquistar as coisas no "grito"... ou com base em suas competências intelectuais?
Quem recorreu à justiça provavelmente participou também do Vestibular e foi reprovado. Ou seja, não estava qualificado a ingressar na universidade por meio do processo seletivo tradicional, mais difícil e concorrido. O mesmo vale para os alunos que têm o direito a participar do Processo Alternativo. Por um motivo comum, ambos estão despreparados para concorrer em condições de igualdade por meio do vestibular: a baixa qualidade do ensino, quer nas escolas públicas ou particulares. O baixo nível de aprendizado e formação dentro de casa, condição fundamental para que uma criança, por exemplo, desenvolva o prazer da leitura.
Tenho 42 anos. Exceto por uma série, todos os meus estudos foram feitos em escolas públicas, estaduais. Lembro-me com carinho do Educandário Pestalozzi, do Barão da Franca e da Escola Estadual Torquato Caleiro, estabelecimentos de ensino de Franca, onde vivi a maior parte de minha vida. Nos bancos dessas escolas tive professores como D. Isolema, que me fez adorar a língua portuguesa; D. Ulda, que me levou em longas viagens pela história do Brasil e da humanidade; D. Rita, que me ajudou a gostar de arte; Pepeu, que me ensinou contabilidade. Antes deles, tive meus pais como professores das letras, das artes, da vida e da cultura. Meus pais me ensinaram a amar os livros e respeitar as palavras. Venho de uma família de classe média, que passou dificuldades financeiras, mas que valorizava imensamente a cultura, a educação, a formação dos filhos.
Hoje, infelizmente, os pais pagam para que os filhos sejam educados, mas se envolvem pouco porque eles mesmos lêem pouco, vão pouco ao cinema, ao teatro, viajam pouco na imaginação das crianças. Melhor assistir Big Brother a ler juntos um livro de estórias, de poemas ou mesmo a Bíblia. Melhor aceitar que o filho declare em falso para poder participar de um processo mais fácil de ingresso à faculdade. Melhor contratar um advogado para garantir uma vaga na marra do que incentivar o jovem a estudar um pouco mais.
Quando chegou minha hora de prestar vestibular, há 20 anos, nem se cogitava a possibilidade de pagar faculdade particular. Era pública ou nada. Não consegui passar na USP, que era o que queria, mas passei em Londrina e fui, sozinha, com pouca bagagem, pouco dinheiro e muita, muita vontade de aprender. Lutei sozinha muitas lutas. Senti medo, dor, tristeza, chorei muito, passei apertos, mas tudo valia a pena. Aprendi a me defender sozinha. Aprendi que para vencer eu teria que ser muito boa. Teria que estudar muito mais, ler muito mais, gastar muito mais tempo para assimilar conteúdos difíceis e novos. Por mais que pudesse contar com o apoio dos meus pais, a partir dali eu começava a fazer meu caminho.
Respeito o direito desses jovens de entrar na justiça para tentar garantir uma vaga na UFU. Mas daqui a pouco eles irão lidar com provas difíceis, com prazos apertados, com professores exigentes. Terão que se dedicar imensamente para acompanhar aulas, escrever trabalhos, fazer provas. Em quatro ou cinco anos, chegarão ao mercado do trabalho, onde disputarão vagas com jovens mais ou menos qualificados. Receberão algumas respostas positivas, outras negativas. E terão que lidar com elas com base em sua competência intelectual e emocional. Sem liminares na justiça, sem tentativas de burlar as regras.
Pensamentos que me afligem, visualizando a sociedade que iremos deixar para os que virão depois de nós.