20 de mar de 2011

Mentira tem perna curta, já dizia minha vó...

Tem até blog chamado A arte de copiar e colar,
de onde tirei essa imagem (mas cito a fonte!).

http://aartedocopiarecolar.blogspot.com/
Agora há pouco, estava lendo no site da revista IstoÉ uma matéria sobre a clonagem de projetos que teria sido produzida pelos irmãos Prado. Um no Congresso Federal, outro na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Eles se apoiam em desculpas, alegando um erro no sistema de registro dos projetos, mas, aparentemente, rolou o famoso Ctrl C + Ctrl V nas duas casas legislativas. Quem quiser ver a matéria, clique aqui.
Algumas coisas me preocupam neste episódio. A primeira é que vivemos essa cultura do Copia e Cola muito abertamente. A internet facilitou o acesso a qualquer tipo de dado. Textos de blogs podem ser copiados sem qualquer menção ao autor. Fotos de relacionamentos amorosos podem ser enviados para o mundo todo pela rede. Nas escolas, isso virou uma verdadeira praga. Os alunos normalmente copiam textos inteiros da internet, sem sequer refletir sobre eles ou citar a fonte. É corriqueiro receber trabalhos de alunos que são cópias na íntegra de sites. Eles copiam inclusive os erros, textos em primeira pessoa do plural (quando eu pedi a opinião individual) e assim por diante.
Para combater um pouco essa cultura, sites anti-plágios foram criados. Mas nem precisa ir tão longe. Uma frase jogada no Google indica a fonte em segundos. Muitas vezes faço isso e confesso que já encontrei plágios até em trabalhos de conclusão de curso. E no mercado de trabalho, quando o futuro profissional for convidado a inovar? Será que a tática do copia e cola vai funcionar? Por outro lado, iniciativas como o Creative Commons valorizam a geração coletiva de conteúdo e conhecimento, o que vale muito a pena, mas vai além de reproduzir conteúdo alheio sem dar crédito.
Outra preocupação que tenho é com a leviandade com que a imprensa local tratou o episódio, chamado pelo site da revista de "A família que copiava". Vi uma matéria na TV Integração, inclusive lembrando que, quando os projetos foram apresentados, os irmãos foram entrevistados pela emissora como sinônimo de qualidade no trabalho parlamentar. No Correio, principal jornal da cidade, uma notinha muito curta na coluna de política. Nada mais.
Preocupa-me a postura da imprensa nos dois momentos. Quando os irmãos Prado apareceram como autores de um grande número de projetos em tão curto espaço de tempo, ninguém questionou. Gente, deve ser muito difícil fazer um projeto de lei. Ele tem que ser embasado, tem que ter referências legais, sociais, consulta às bases, informações qualitativas e quantitativas. Envolve pesquisa e estudo. Não dá para elaborar tão rápido. A imprensa elogiou e pronto. Agora, quando parece que realmente houve o plágio, a imprensa se aquieta, exceto pela Rede Integração, cuja postura achei bacana. Talvez a dica para os jornalistas que compram versões muito rapidamente, sem questionar releases, seja estudar quanto tempo e qual o nível de produndidade para se apresentar um projeto de lei consistente, nas duas casas.
Mas acima de tudo, preocupa-me que os possíveis plageadores possam vir a ser candidatos à prefeitura de Uberlândia. Em disputa com Odelmo, nas últimas eleições, perderam. Mas sem uma figura forte como a do atual prefeito, teriam chance? Penso que, se eles realmente copiaram projetos para fazer volume e disseram que eram seus (acredito que isso configura falsidade ideológica), podem muito bem fazer promessas para o governo da cidade que não sejam originais, ou mesmo que sejam impossíveis de cumprir por serem inconstitucionais (como parece ter acontecido com um dos projetos copiados).
Não quero aqui discutir a carreira desses políticos, nem sua idoneidade, mas a facilidade com que compramos versões. Não se tem certeza ainda de que eles tenham agido de má fé ou que tenha acontecido um erro nos sistemas, mas o fato é que foram entrevistados pelo grande número de projetos apresentados e confirmaram ser de sua autoria.
O professor que aceita um trabalho copiado da internet e não questiona, uma casa de representação do povo que aceita projetos clonados e só depois descobre. De certa maneira, isso é reflexo da perda de valores que estamos vivendo. Já dizia minha avó e a avó dela antes: a mentira tem pernas curtas. Em tempos de avanços tecnológicos, curtíssimas.

3 comentários:

Vanuza Nobre disse...

Parabéns pelo artigo. Muito bem colocado os argumentos. Concordo plenamente. Principalmente o fato da maioria da imprensa local não ter dado destaque a verdade. O eleitor tem direito de saber desses absurdos.

Anônimo disse...

Muito bom seu artigo! Acho que eles não saíram da escola ainda, mas como refeência de aluno ruim, que copia e cola.
Abração!
Zé Henrique

Família Bloco disse...

Parabéns DriKa pelo artigo. Ótima abordagem.
Sob ponto de vista do ensino, é triste perceber que tem aluno que, pensando estar enganando o professor acaba sabotando o seu próprio aprendizado. O nível de qualidade da educação tanto na escola como no ambiente familiar, impacta diretamente na qualidade da formação do ser humano. Se a gente não acordar para essa questão e não cobrar uma atitude, cada vez mais teremos pessoas no estilo Ctrl C + Ctrl V. Bjos Lau Santangelo