1 de dez de 2010

Alagada


Dia desses, da maneira mais inusitada, fui uma das quase vítimas das enchentes que atingem nossa cidade na temporada de chuvas. Perto da virada do ano, parei meu carro no estacionamento do Sacolão Center na Av. Segismundo Pereira, perto do campus Santa Mônica. Ele não é cimentado, os carros para sobre uma camada de brita que foi colocada no local.

Enquanto fazia minhas compras, começou a chover forte. Chuva de verão, pensei. Não há de ser nada, vai passar rapidinho. Cinco, dez, quinze minutos e nada da tempestade amainar. Foi quando um funcionário do sacolão perguntou de quem era o carro vermelho parado no estacionamento. Meu coração veio na boca. Ele disse que era melhor eu tirar o carro dali porque iria encher de água. Pediu a um dos funcionários que pegasse o guarda-chuva e fosse comigo até o carro. Ninguém se habilitou.
Peguei o guarda chuva e disse que eu mesma iria. Quando vi o estacionamento, a água tampava as rodas do carro e chegava até pouco abaixo do meu joelho. Deixei uma parte das frutas cair no chão e encarei a tempestade sozinha. Entrei no carro tremendo, com medo que ele não pegasse. Mas tudo estava bem. O interior estava sequinho e o motor pegou de primeira.
O próximo desafio foi sair de ré no meio daquela água toda e enfrentar a avenida Segismundo Pereira, que parecia um rio. Fui com força, engatei a primeira e foi assim até sair da avenida. Foi pouco, mas me deu muito medo porque a chuva não me deixava ver nada.
Quando cheguei em casa, eu tremia demais, mas depois fiquei pensando na quantidade de pessoas que são arrastadas pelas enchentes que acontecem nas cidades, com seus sistemas de escoamento de água entupidos de lixo urbano. E na rapidez com que a água sobe, impedindo que as pessoas tomem qualquer atitude. No meu caso, penso que seria mais adequado ter enfrentado a chuva no começo, antes do carro ficar em risco. Mas a gente nem pensa nisso, até que alguém nos avise.
Refleti também a respeito da forma como tratamos a cidade, jogando lixo no chão, sem nos preocuparmos com o fato de que esse lixo é que entope bueiros e impede que a água possa escorrer.
Em Uberlândia, parece que as consequências das grandes chuvas tem sido pequenas até agora. A prefeitura está avisando a população (pelo menos a que usa internet) sobre as áreas de risco praticamente em tempo real. Nós naturalmente já evitamos alguns trechos, mas podemos fazer um pouco mais, como evitar jogar lixo no chão, manter nossas casas bem conservadas, evitar sair de carro durante as tempestades ou procurar um lugar seguro quando a chuva começar.
Posso dizer que senti medo naquele dia. Não tanto pelo carro, que tem seguro, mas por enfrentar aquele mundaréu de água sem qualquer tipo de apoio. Nossa cidade cresce e com ela o ritmo dos seus problemas...

Este texto foi escrito antes do Natal. Antes do devastador efeito das enchentes que destróem encostas, casas e vidas no Rio de Janeiro. Nada se compara. Minha sensação pelo ocorrido em Uberlândia passa a ser nada perto do que assistimos estarrecidos pela televisão.

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