10 de abr de 2010

Por um pouco de respeito

Fui educada para não falar palavrão e respeitar pessoas mais velhas. Por isso, chamo muita gente de senhor e senhora, só deixando de fazê-lo se me pedem. O hábito é mais forte que eu. Por isso, mesmo sem saber sua idade, vou falar hoje do senhor Agostinho Paganini e sua saga por ter seu direito ao silêncio respeitado.
Periodicamente, leio as cartas que o senhor Paganini envia ao jornal Correio de Uberlândia, para a sessão de cartas dos leitores. Como um cavalheiro em uma cruzada, ele defende seu direito a ficar dentro de sua própria casa em silêncio, sem ouví-la invadida pelos barulhos desmedidos que vêm da rua. Algumas vezes, fazem os vidros tremerem.
Pelas cartas escritas para o jornal (há tempos dura sua saga), percebo que esse cidadão uberlandense já tentou de tudo um pouco. Já chamou a polícia, a patrula ambiental, já mobilizou outras pessoas e... nada. Em sua carta de hoje, ele irozina programa de TV que tratou do assunto, com representantes da polícia e da tal patrulha. Inconformado, ele fala da burocracia e morosidade da ação de quem deveria fazer alguma coisa. Aliás, o programa teria feito um grande favor para a cidade se, além de convidar autoridades para falar sobre o tema, convidasse também o senhor Paganini. Em jornalismo, aprendemos que temos que ouvir todos os lados. Por que deixá-lo de fora? Se fosse o caso, por que não ouvir os barulhentos?
Por lei, ruídos acima de determinado número de decibéis não podem ser emitidos depois de determinado horário. Basta andar pelas ruas para ver como essa lei é desrespeitada, em especial nos fins de semana. Se a patrulha tem estrutura insuficiente, crie-se nova estrutura. Ou permita-se que o cidadão comum documente a infração e a envie como prova para um processo contra o infrator. Vale lembrar que os barulhentos normalmente estão em bares, bebendo, enquanto deixam o som dos carros ligados. Se a patrulha ambiental funciona mal, e a Lei Seca?
Tudo o que o senhor Paganini quer é um pouco de sossego. Ele merece, nós merecemos. Abaixo os barulhentos. Temos direito a noites de sono.

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