2 de jul de 2011

Meio ambiente: não seriam necessárias as leis se investíssemos em educação

Fonte:
http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com/
Teoricamente, começaria a valer hoje (2 de julho), em Uberlândia, a lei que proíbe estabelecimentos comerciais de oferecerem sacolas plásticas tradicionais aos consumidores. Em substituição, eles deveriam oferecer embalagens feitas com um material diferenciado, cuja impacto ambiental seria reduzido. Poderiam também estimular o uso de sacolas retornáveis ou caixas de papelão.
Usei o adjetivo "teoricamente" porque logo cedo fui à feira e as sacolinhas eram utilizadas normalmente, sem o menor constrangimento. Uma das feirantes, quando uma cliente pediu uma embalagem a mais, respondeu prontamente: "Adoro quando vocês me pedem mais, sinal que vão levar muita coisa".
Particularmente, uso sacolas retornáveis há alguns anos, mas para carregar folhas e o queijo fresco, que compro semanalmente, preciso ainda das sacolas de plástico. Como é que vou carregar e conservar as folhas soltas na geladeira? Posso aproveitar as embalagens semanalmente, aliás, estou pensando nisso, em não jogar fora essas embalagens e reaproveitá-las para as compras semanais.
A lei que trata do assunto em Uberlândia, ao que parece, foi mal elaborada, porque deixa muitos pontos em branco. Por exemplo, a responsabilidade em relação às embalagens seria do consumidor ou do varejista? Já se falou até mesmo em cobrar pelas embalagens, prática adotada em países que assumiram o compromisso de abolir o plástico das compras cotidianas. Já li reportagens onde o Procon defende um ponto de vista, a procuradoria que defende os direitos do consumidor outro, a associação dos varejistas um terceiro, o vereador que redigiu a lei um quarto... e assim por diante. Li hoje que a lei federal, se colocada em prática, faz com que sejam desnecessárias regulamentações municipais ou estaduais.
Li um texto engraçado ontem, que falava sobre o uso doméstido que se faz das sacolas, entre eles o de embalar o lixo. Há tempos, quando eu era criança, não se embalava o lixo. Ele ia para latas, que por sua vez eram colocadas na rua nos dias que o caminhão passava. Os lixeiros esvaziavam nossas latas e as devolviam, algumas vezes umas três casas para a frente, mas todo mundo se conhecia e sabia qual era a lata do vizinho. Medidas de higiene levaram toda a população a adotar os sacos para embalar o lixo. Mudamos de hábito e agora somos premidos a mudar novamente.
As compras dos supermercados eram embaladas em sacos de papel. A gente comprava arroz, feijão, café, macarrão a granel (os mais jovens nem vão saber o que é isso...) e tudo era embalado nesses sacos. Se a quantidade era maior, tinha a embalagem feita de juta, muito usada na época.
O mercado forçou uma série de mudanças de hábito. Embalagens individuais, pequenas, médias e grandes. Sacolas de plástico apareceram como algo que iria facilitar a vida da dona de casa. O saco de lixo passou a ser obrigatório e os lixeiros pararam de recolher as latas. Só os sacos de lixo em diferentes cores e modelos.
Aí vem uma lei e fala: vamos mudar tudo de novo. Não creio que sejam leis que farão com que as pessoas sejam ambientalmente responsáveis. Desde os anos 80 nós ouvimos falar sobre aquecimento global, buraco na camada de ozônio, uso exagerado dos recursos naturais. As sacolas plásticas não são o único vilão. Se as leis resolvem, sugiro aos vereadores de Uberlândia que criem mais algumas e que comecem eles mesmos a praticá-las:
1) vamos proibir as donas de casa de lavarem as calçadas com água escorrendo pela mangueira. Calçada se limpa com vassoura e pazinha na mão;
2) vamos proibir os órgãos públicos de desperdiçar energia, com o acendimento das luzes apenas quando necessário. Chega de prédios públicos com todas as luzes acesas antes e depois do horário de funcionamento;
3) vamos proibir as pessoas de pegar o carro para ir até a padaria do bairro, afinal, é possível andar dois ou três quarteirões à pé;
4) vamos obrigar os donos de cachorros e cavalos a recolher os dejetos de seus animais, afinal, é necessário gastar água para limpar a sujeira deixada para trás;
5) vamos proibir empresas de distribuírem encartes publicitários que lotam nossas caixas de correio e acabam indo parar no lixo. Vamos proibir a impressão exagerada de santinhos em campanha eleitoral, porque depois eles vão parar nas ruas, onde vão entupir bueiros.
Proibir o uso das sacolas plásticas não vai resolver muita coisa. Educar a população para o uso racional delas seria mais produtivo. Que tal colocar mais itens por sacola nos supermercados? Que tal recusar sacolas para embalar pequenos itens, que podem ser colocados na bolsa? Que tal distribuir sacolas retornáveis aos consumidores, ao invés de vendê-las? Que tal reaproveitar a sacola de plástico na feira?
Não sou contrária à lei que impede a utilização das embalagens. Apenas acredito que, em uma sociedade que exerce sua cidadania, leis como essa são desnecessárias e demagógicas. Vamos fazer leis que tragam recursos para a educação. Vamos educar as crianças, para que não seja necessário punir os homens, como preconizou Pitágoras.

Este post está participando do Concurso Cultural “Iniciativa Verde”, promovido pela Algar Telecom, detentora da marca CTBC. Acesse: www.ctbc.com.br/sustentavel e saiba mais.

Um comentário:

Sobre disse...

Olá Adriana.
Gostaríamos de compartilhar algumas ideias sobre sacolas plásticas contigo.
Fica um convite para que conheça nosso blog: www.sacolinhasplasticas.blogspot.com

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Um abraço!