1 de mai de 2010

Um beijo, Adriana

Há muitos anos, quando a internet ainda engatinhava e nem se falava em redes virtuais, resolvi procurar um namorado via web. Cadastrei-me em um site de namoro movida pela boa experiência de uma amiga, que acabara de se casar.
Não encontrei o amor da minha vida, mas conheci Neo Classic. Na época, começamos a nos corresponder enigmaticamente, primeiro pelo site, depois por emails. Nunca nos conhecemos pessoalmente e provavelmente nunca iremos fazê-lo. Mas por alguns anos, trocamos emails um com o outro, que acabaram se tornando um conjunto de belas reflexões.
Procurando crônicas antigas, esbarrei num documento onde salvei as mensagens que eu enviava. Perdi as que ele me enviava, mas os recortes de meus pensamentos geraram reflexões sobre a vida, o trabalho, dores de amor, que resolvi publicar aqui, editando aquelas que mais me tocaram.
Um dia, gostaria de resgatar minhas velhas cartas, meus emails, minhas conversas jogadas fora. Talvez daí nascesse quem sabe um livro. Mas enquanto não consigo resgatá-los, segue um extrato de minhas mensagens para Neo Classic, que sempre terminavam com a frase "um beijo, Adriana".

Alma de ipê

Há momentos em nossa vida em que temos que destruir para construir, morrer para renascer. Sou como um ipê, que na maior parte do ano se confunde com todas as outras árvores do cerrado, com seu tronco irregular e folhas do mesmo verde. Quando chega o inverno, as folhas todas caem e os galhos secos e nus ficam com frio até que elas, as flores, chegam como poesia, colorindo a paisagem do cerrado de rosa, roxo, amarelo, branco.
Minha alma se parece com um ipê amarelo, a árvore mais linda que há. Eles florescem depois dos roxos e rosas. As ruas da cidade ficam alegres e tudo ganha vida nova. É lindo ter alma de ipê. No inverno eles reinam sobre as demais árvores, chamando atenção para sua beleza.

Tormenta

De repente algo externo vem e muda nossa agenda... Foi o que me aconteceu. Percebi o quanto é tênue a linha que separa um dia normal, uma viagem até então tranquila, de um acidente que poderia ter me levado para o lado de lá. Ainda estou confusa se estou aqui e se sou apenas um espirito errante que não conhece seu lugar.
Mas acho que espírito não usa a internet, nem fala no celular. Logo, se você me responder normalmente, é porque ainda sou de carne e osso e alguns arranhões... Eu, que já amo tanto a vida, amo ainda mais este
momento. O céu está mais azul, as flores mais coloridas e as pessoas mais especiais. Estou com medo demais de encarar o que aconteceu e escrever é uma das minhas formas de enfrentar meus medos.

Na estrada

A trilha sonora desta semana incluiu Chico Buarque, Elis Regina, Gilberto Gil e Ivan Lins. Bons companheiros de viagem. Tinha também um com clássicos do cinema. Ouvi 10 vezes "I will survive", com Dianna Ross. Estou com o coração partido e esta música levanta até defunto. Ainda não consigo dizer "You are no wellcome anymore" para o homem a quem entreguei meu coração, mas se as coisas continuarem como estão, terei que desenvolver esta coragem.
A beleza do fim de semana, é óbvio, esteve na estrada. A vegetação, o vermelho do por do sol, a luz da lua.

Borboletas são flores que voam

Turbilhões como este fazem parte de nossa vida. Já passei por isso algumas vezes e foi difícil encontrar meu ponto de equilíbrio novamente. Há momentos em nossa vida que nos sinalizam a necessidade de mudanças internas e externas. Momentos de virada podem ser cruciais para os caminhos que tomamos rumo à nossa felicidade. Algumas vezes somos atores destes momentos, em outras somos levados pela correnteza. Por isso, o importante é saber nadar, saber voar, saber sentar e esperar, ter resiliência para aceitar o que acontece e seguir em frente.
Plantei um girassol no meu jardim. Ficou lindo. È uma das minhas flores favoritas e me lembra as borboletas, que são flores que voam. O girassol é a flor mais alegre que existe.

Um comentário:

Luciana Paranahyba Carvalho disse...

Dri, adorei a ideia de que as borboletas são flores que voam. Já pensou se todas as flores do planeta resolvessem voar ao mesmo tempo?! Seria um espetáculo inesquecível!
Beijo,
Lu