2 de mai de 2010

Felicidade

Há muitos anos, um professor da USP, chamado Clovis Barros, indicou aos seus alunos um livro chamado "A Felicidade, Desesperadamente". Na ocasião ele avisou que não se tratava de um livro de auto ajuda, mas de uma obra libertadora, de filosofia pura, de conteúdo para levar à reflexão e alterar significativamente a vida de uma pessoa.
Comprei o livro na mesma tarde, na Livraria Cultura da Paulista. O autor, André Comte-Sponsville, um filósofo contemporâneo, que escreve sobre o homem de hoje relacionando nossas experiências aos autores clássicos que versaram sobre felicidade, razão de viver, importância da existência.
No pequeno livro, o autor desafia seus leitores a vivenciarem a felicidade no momento presente, sem esperar que algo aconteça e promova a felicidade como num passe de mágica. Ele diz que normalmente fazemos planos de sermos felizes depois de determinadas conquistas - quando comprar a casa, quando conseguir aquele emprego, quando me casar, quando criar os filhos, quando me apostentar. A felicidade vai sendo postergada dia a dia. Vamos empurrando com a barriga. E pedindo à felicidade que espere, espere, espere...
Quando li o pequeno tratado da felicidade na desesperança, aprendi a viver profundamente meus momentos de felicidade. Um deles aconteceu ontem à tarde, da maneira mais singela possível. Fui ao clube de manhã e, quando resolvi ir embora, vi que teria um show de chorinho a partir das 12h. Resolvi então almoçar, sentar à sombra de uma árvore a ouvir um pouco do show, enquanto terminava de ler um livro. A brisa da árvore me fez viajar para outro lugar. Fresco. Quando a música começou, foi emoção pura. O choro combinou-se ao violino, numa soma do erudito e do popular capaz de encantar qualquer passante.
Neste momento, senti uma felicidade tão grande, que meu coração parecia que ia parar de felicidade. Aí me lembrei de meu filósofo admirado. O momento era perfeito. O vento, o sol, a música, o prazer do momento. Ao fundo, a banda tocava Carinhoso, que reúne os versos mais bonitos já escritos em língua portuguesa.

"Meu coração
Não sei por que
Bate feliz
Quando te vê

E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim
Foges de mim..."

Felicidade é ouvir Carinhoso, depois de ter ganho beijinhos de um bebê de olhos azuis, de um passarinho pousar ao meu lado e cantarolar, de terminar um livro maravilhoso e ouvir Carinhoso no bandolim. Precisa mais?

(No link, escolhi uma versão na voz de Elis, que torna a canção ainda mais linda...)

Um comentário:

osfantinis disse...

Ola Adriana, vi seu link no msn e resolvi te visitar, parabens pelo texto, em minhas buscas por sentido (são várias as buscas) a pouco tempo descobri que meu objetivo na vida é buscar a felicidade, daí surgiu outro problema o que é felicidade para mim? Bom, após refletir defini algumas felicidades, então, resolvi que daquele dia em diante somente faria coisas que me levariam a minha felicidade futura, mesmo que no presente eu não estivesse muito satisfeito... e ai vem você com toda essa simplicidade imediata... quer saber?
Você tem razão! Um abraço Pedro Henrique - www.potencializando.com