31 de out. de 2010

Amizade

Amigos são a família que a gente escolhe. Minha mãe me fala isso desde que sou pequena. Acho que acreditei tanto que passei a escolher muitos amigos pelos caminhos da vida. Alguns moram aqui perto, no mesmo bairro. Outros moram em outras cidades, outros estados, outros países.
A amizade é um sentimento muito especial porque para ela a noção de espaço / tempo é totalmente diferente de outras relações. Quando a gente encontra um velho amigo, pode ser depois de um dia ou depois de muito tempo, a felicidade é a mesma. Isso me lembra o belo "O Pequeno Príncepe", de Saint-Exupery, que fala sobre a felicidade que a gente sente quando sabe que vai rever um amigo daqui a pouco, e muito antes começa a sentir o coração pular de alegria.
Penso que quem tem amigos nunca está sozinho. Pode estar sem um companheiro ou companheira num relacionamento romântico. Mas nunca está sozinho. Nossa sociedade criou uma série de padrões que temos que seguir, entre eles o de termos nossa vida atrelada a de alguém, gerando novos seres, num processo de multiplicação da vida.
O conceito tradicional de família vem mudando a cada dia. Eu, que infelizmente não me enquadro neste modelo de família, vivo sozinha mas, definitivamente, não sou sozinha. Estou sempre em busca do outro, seja nas interações profissionais, sociais, comunitárias, mas sobretudo, nas minhas boas e longas amizades. Elas são tantos em minha trajetória que com certeza ocupam mais que os dedos da mão. São amigos com quem vivi momentos bons e tristes. Amigos que me ensinaram, que guiaram meu caminho, amigos que me fazem ficar feliz perto da hora do encontro e triste na hora da partida.
Solidão é coisa que dói na alma, mas que tem remédio e um dos melhores que conheço é um bom amigo. Amigos são a família que a gente escolhe. Tem os que são mãe e pai, sempre dando bons conselhos. Aqueles que são tios e primos mais distantes, mas com quem todos os encontros são momentos de festa. Tem os que são irmãos, companheiros de artes, cúmplices. Os que partem e os que ficam. Os que se encontram por acaso e os que ligam apenas para dizer que estão com saudade. Os conectados, que se falam diariamente pelo msn ou twitter, encurtando distâncias.
Tem um texto que circula na web, atribuído a Vinícius de Morais, que diz que ele seria capaz de suportar a perda de um amor, mas que morreria se lhe faltassem os amigos. Acho que sou um pouco assim, tenho pelos meus amigos o mais profundo respeito e amor. Espero que continuem por perto mesmo quando estou longe, comprometida com meus estudos, com meu trabalho, com minha vida atribulada, com meus cachorros, com minha família de verdade, que também é formada por amigas que se escolheram pela genética.
Quem cultiva amigos colherá flores lindas, sempre. Para ilustrar, a releitura do Saint Exupery, feita pelo sempre lindo trabalho de Ceó Pontual.

30 de out. de 2010

Faz um milagre em mim


Hoje acordei com uma forte presença religiosa. Um forte sentimento de gratidão a Deus por tudo o que ele me proporciona na vida. Logo cedo, na missa, o tema do Evangelho era a história do cobrador de impostos Zaqueu, homem de pequena estatura, que se afasta da multidão e sobe em uma árvore para ver Jesus. Este, ao avistá-lo, avisa que é em sua casa que buscará repouso. Faz-se silêncio seguido de exclamações admiradas porque Jesus escolheu para abrigar-se a casa de um pecador.
Nos tempos de Jesus, os cobradores de impostos eram escória, porque enriqueciam à custa da exploração dos mais pobres. Hoje esses são os homens que governam nosso destino. Mas a história de Zaqueu traz o milagre da conversão, o milagre da transformação de uma vida que se dá mediante o perdão. Faz-se um milagre na vida e nas atitudes do cobrador de impostos.
Muitas vezes, nos nossos tempos modernos, nutrimos rancores profundos e eternos por pessoas que nos magoaram, muitas vezes elas o fazem sem querer. Acredito que poucos são aqueles que magoam a alguém que amam porque realmente querem magoar. Ontem assistia a um filme na TV sobre um homem viciado em assassinar pessoas. Um psicopata frio e sanguinário, mas que se remoía por dentro a cada crime e tentava com todas as suas forças não matar mais. Um bom filme, marcado por um transtorno psíquico que me levou a refletir sobre a minha capacidade de cultivar pequenos rancores.
Sim, ao longo do meu caminho, fui magoada muitas vezes. Algumas por pessoas distantes, outras vezes por pessoas próximas. Algumas vezes me afastei. Outras consegui voltar a conversar, perdoar, esquecer, reatar laços. Muitas vezes magoei pessoas, disse coisas duras, fui fria, distante, má. Não sei se fui perdoada, preferi esquecer, apagar a página e seguir adiante.
Há mágoas que ficam guardadas em gavetas da alma, muito bem fechadas. Aquelas que foram causadas sem que a gente conseguisse encontrar explicação. Aquelas aonde o outro prefere calar para sempre, afastar-se, fugir do enfrentamento de uma conversa que pode ser dura, mas capaz de aliviar um coração. Há mágoas que separam amigos para sempre, pessoas que se admiravam, que se ajudavam, que se gostavam. Há mágoas que matam o amor mais bonito que se viveu, pela dor insuportável do abandono. Há mágoas que se plantam por palavras ditas na hora errada, do jeito errado. Há mágoas que nunca serão corrigidas porque foram vencidas pela morte.
Talvez, assim como Zaqueu, a gente tenha que esquecer do quanto é pequeno, correr para a árvora mais alta e tentar rever as mágoas, tentar resgatar os relacionamentos que valem a pena, tentar ser mais humano, mais gente. Pode ser que esteja particularmente marcada por um dia que começou com uma missa muito bonita e por uma música cujo refrão falava "Porque o Senhor é meu bem maior / Faz um milagre em mim". Quero um milagre em mim. De ser mais gente, mais humana, mais humilde para pedir desculpas àqueles a quem magoei e perdoar àquele que me magoou porque um dia levou um pedaço do meu coração e nunca mais me devolveu.
Faz um milagre em mim.

Felicidade

Uma das fórmulas infalíveis para uma vida feliz é fazer o que a gente gosta. Nada melhor que escolher uma carreira, uma pessoa, um lugar para viver, baseado no quanto a gente gosta desse trabalho, desse parceiro, deste lugar. Amar as escolhas que a gente faz. Escolher com amor. Duas coisas tão simples, mas das quais nos esquecemos com tanta frequência.
Na última segunda-feira, fui assistir a uma palestra com o jornalista Luiz Gustavo, atualmente trabalhando na Rede Record, em Belo Horizonte. Biló, como é conhecido por colegas de profissão e seus muitos amigos, é um dos melhores contadores de histórias que conheço. Um repórter que transforma notícias em enredos recheados de informação, mas também de emoção e da figura humana.
Pensei que ele falaria sobre jornalismo na palestra, voltada para estudantes da Faculdade Católica. Mas ele falou de um tema muito mais importante, ele falou de felicidade. E do quanto ela está ao alcance de todos, desde que se fique muito atento às escolhas.
Em pouco mais de uma hora, Biló falou sobre a importância da gente escolher uma profissão pela qual é apaixonado. E de fazer dessa profissão um ofício a ser exercido com responsabilidade, ética, seriedade, respeito, companheirismo. A saber que apenas passamos pelos cargos que ocupamos, mas eles são transitórios, como transitório é o sucesso, os holofotes e o reconhecimento. Como é transitório tudo o que se constrói sem bases sólidas.
Com meus mais de vinte anos de carreira, ouvi nas palavras do jornalista várias das minhas próprias reflexões acerca de novos caminhos, de escolhas que não têm voltas, de percursos a serem trilhados. A recompensa chega para quem se esforça, para quem ama o que faz, para quem se dedica a ser o melhor. Necessário se faz acreditar, trabalhar muito e seguir adiante, perseguindo metas, sendo construtor do seu próprio futuro.
Há também quem se perde no caminho, senta-se na beira de uma estrada e se coloca a reclamar de tudo e de todos, procurando sempre um culpado pelas suas mazelas. Como é triste viver assim. Como é bom viver como senhor do nosso destino.
Luiz Gustavo é um daqueles profissionais que fazem sucesso porque trabalha muito. Lutou suas batalhas, venceu dificuldades. Aprendeu, ensinou, lembra-se de cada pedra e cada flor do percurso. Um bom contador de histórias, que compartilhou com um grupo de estudantes e de velhos colegas profissionais uma lição muito importante. Ser feliz é adorar o que a gente faz e ainda receber um cheque no fim do mês por isso.
Obrigada Biló. Foi bom revê-lo. Foi ótimo ouví-lo. Apesar de meus vinte anos de carreira, estou recomeçando um caminho e suas palavras serviram de energia renovadora. Sucesso, sempre.

Triste eleição

Domingo, 31 de outubro. Nunca antes na história desse país havia me decidido por não entregar meu voto a nenhum candidato. Muitos consideram isso como fuga em assumir uma posição, alienação, falta de responsabilidade, até. Eu considero essa a minha escolha, nem um candidato, nem outro. Fiquei triste na urna, muito triste por ter que chegar a um momento em que sou incapaz de escolher entre alguém ruim e alguém muito pior para liderar meu país pelos próximos quatro anos.
Sei que de toda forma alguém será eleito e irá gerir essa imensa nação, cheia de potencialidades, cores, riquezas, alegrias, mas também cheia de tramóias, corrupção, máscaras de poder sobre a realidade do homem simples, que trabalha, paga contas, tenta educar os filhos para que estes tenham uma vida melhor.
O domingo em Uberlândia amanheceu triste. Acinzentado. Como se o azul do céu fizesse falta nesta que deveria ser a grande festa da democracia. Fui às urnas logo cedo, depois de ir à missa e rezar para Deus me iluminar e manter, mesmo que totalmente contra minha natureza política, minha decisão de votar em branco, pela primeira vez desde que tirei meu título de eleitor, há cerca de vinte anos.
Ao caminhar para a seção eleitoral, me perguntei sobre a tal festa, ao me deparar com pessoas mal humoradas trabalhando como mesárias (e é para ficar assim mesmo), trabalhei em várias eleições e sei bem o que é passar um domingo todo ali, ouvindo o repetitivo e chato barulho da urna eletrônica. No percursos, meu olhar se cruzou com o de muitos eleitores que refletiam em seus rostos uma certa tranquilidade. No final, o que nos resta é esperar que venham os próximos quatro anos.
É triste ver a que ponto "o país do futuro" chegou. Um país onde a política está ligada à corrupção, onde predomina a lei de Gérson, aquela que diz que o importante é levar vantagem em tudo, mora? Um país de pobres morrendo soterrados após deslizamentos, onde a educação está sucateada, onde pessoas morrem diariamente na fila de hospitais. Um país onde a imprensa é tratada como vilã ao invés de guardiã da democracia. Um país onde o chefe de Estado nunca vê o que acontece fora das dependências de seu gabinete e influencia, pela força de seu carisma, a eleição de uma marionete para assumir o cargo de presidência da república. Talvez ele se esqueça que, em velhos filmes de terror, a marionete ganha vida e volta-se contra o ventríloco.
Mas apesar destes pesares, é o país que eu amo. O Brasil que é minha casa. Que é forte, verde e amarelo, que produz música como ninguém, país de todos os ritmos, cores e sabores. País de gente honesta, trabalhadora, que acredita no futuro. País de paradoxos.Para fechar este post, busquei alguma versão de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, música que para mim é o verdadeiro hino do país. Como falei acima de paradoxos, uma das belas versões que encontrei foi a feita por Walt Disney, onde ele apresenta um país de música e magia, embalado pelo Zé Carioca mostrando os encantos do Rio para Pato Donald. Clique aqui para conferir. Tempos boêmios de uma cidade que não existe mais.

17 de out. de 2010

Obrigada aos meus professores

Quando a gente é criança, sempre nos perguntam: "O que você quer ser quando crescer?". Responde-se de tudo. Médico, veterinário, advogado, engenheiro, salsicha... Quando eu era criança, meus pais eram professores, mas isso nunca me fez responder que queria seguir a carreira deles. Na verdade, eu sonhava em ser astronauta, em desenhar, pintar, fazer arte.
Aos 16 anos, em pleno processo de democratização política do Brasil, decidi que queria ser jornalista. E lá fui eu em uma jornada que já dura a maior parte de minha vida. Para tornar-me jornalista, estudei bastante, afinal, era necessário ser aprovada numa universidade pública, pois naquela época não poderia nem sonhar em pedir à minha mãe que pagasse por uma faculdade. Quando fui aprovada no vestibular, lembrei-me de mestres como Dona Isolema, que ensinou-me português, que me fez tomar gosto pela redação e pelo uso da língua em sua forma culta. Lembrei-me também da temida Dona Ulda, o terror das professoras de história. Uma carrasca, mas muito querida porque nos levava a viajar pelo tempo. Livros, jornais, revistas e enciclopédias também foram professores, pois parte de minha jornada rumo ao vestibular eu tracei sozinha.
Já na faculdade, tive bons e maus professores. Alguns, estáveis em suas cadeiras de funcionários públicos, mal davam aulas. Outros nos encantavam com seu conhecimento, nos fazendo vislumbrar como seria nossa vida profissional. Além de jornalismo, fiz vestibular para letras, porque não tinha dinheiro para estudar inglês e sabia que o idioma seria importante no meu futuro. Lembro-me de alguns professores, como o Boni (fotografia) e Maria Helena (redação). Mas o que mais me marcou foi um que escreveu em uma das minhas primeiras matérias: "Desista, você nunca será uma boa profissional". Tomei aquilo como um desafio. Estudei mais que todos, me dediquei intensamente, passei a beber cada palavra daquele professor. No fim do semestre, ele escreveu em um dos meus textos "Delícia". Depois disso, aprendi a jamais me deixar vencer por uma avaliação ruim.
Depois de graduada, tive diversos professores que me ensinaram a prática profissional. Colegas de redação, colegas de empresa, chefes, subordinados. Mesmo sem serem professores, me ensinaram imensamente e agradeço a todos, em especial à Laudelina Santângelo, Neuza Ramos, Mauricio Icaza, Patrícia Carvalho e Marilene Micheleto.
Fiz duas especializações depois disso e novamente, muitos mestres. Duas me marcaram bastante. Uma, Margarida Kunsch, uma das maiores especialistas em Relações Públicas do Brasil. Outra, Maria Aparecida Baccega, que foi minha orientadora na USP. Séria, sizuda, ela semeou em mim o gosto pela pesquisa, a seriedade de produzir um trabalho consistente, maduro, mesmo que à custa de muito esforço, algumas perdas e muitas noites em claro. Era a orientadora mais temida por todas, fiquei com receio a princípio, mas fiz a escolha certa. E fui escolhida.
Chego então ao mestrado, onde comecei um percurso confuso e hoje percebo o quanto amadureci. Deparei-me com situações muito diversas, aulas marcantes e outras nem tanto. Um novo universo aberto por mestres como Valdir Valadão, Stela Naomi, Márcia Freire, João Bento e Raquel Cristina. Tive muitas crises de identidade até me encontrar como uma pesquisadora em processo de amadurecimento. Ao participar de congressos, pude estar diante de Sylvia Vergara, Marlene Marchiori, Maria Aparecida Tonelli, que me fizeram ter ainda mais certeza sobre meu caminho. Mais uma vez, a importância do papel do professor orientador, tido como o mais exigente (Valdir). Professor tem que ter esse perfil. Ele exige de quem tem o potencial para entregar. Sabe enxergar nosso talento melhor que nós mesmos.
Agradeço a todos esses mestres que deixaram sua marca em minha vida. Alguns contribuiram para que eu me desafiasse a ser melhor do que eu achava que era. Outros compartilharam comigo a possibilidade de novas idéias, de pensar fora da caixa. Outros, não citados aqui, simplesmente passaram pela sala de aula, deixando o espaço do mesmo tamanho depois da saída.
Hoje, começo a trilhar os primeiros passos rumo à carreira de professora. Espero algum dia poder ver nos meus alunos que consegui compartilhar uma coisa de valor com eles: o conhecimento. Aprendi muito ao longo da minha vida e da minha carreira. Seria egoismo de minha parte ficar com tudo isso guardado para mim. Por isso escolhi essa profissão, para compartilhar. Espero que meus alunos possam colher no futuro os frutos das sementes que estamos plantando juntos.

1 de out. de 2010

Recomeçar

"O mundo dá tantas voltas

E nessas voltas eu vou
Cantando a canção tão feliz, que diz
Hy Lili Hi Lili Hello!"

Essa canção é de um filme antigo, que passava na sessão da tarde, sobre a história de Lili. Não me lembro bem dos detalhes, mas era algo ligado a uma moça simples, que passava por grandes dificuldades até chegar a um final feliz, como sempre acontece nos filmes de mocinha.
Mas me lembrei desse trecho porque acredito realmente que o mundo dá muitas voltas e a cada uma delas temos o poder de nos reinventar. De repensar nossas atitudes, nossas escolhas, nossos amores e nossos rancores. As voltas que a vida dá são oportunidades de mudança ou de reiterar o que há de melhor em cada um de nós.
Há alguns anos comecei um processo de mudança pessoal e profissional, um pouco forçada, um pouco por decisão própria. Durante algum tempo, sofri muito por minhas escolhas e pensei que o cenário não iria melhorar. Temos a tendência de pensar isso quando estamos no olho do furacão: "Nossa, isso só acontece comigo!"; "Por que eu?", "Será que essa tristeza não vai passar?" ou "Queria tanto sair desse buraco"... Esses pensamentos invadiram minha vida na época. Sou humana, de carne e osso. Por mais positiva que possa parecer, também desanimo e sofro por me sentir incapaz de fazer algo que sei que posso fazer.
Na época, parecia que as coisas não iam melhorar nunca, que os problemas iriam crescer, as portas iriam se fechar. Mas me recusei a pensar assim e procurei ajuda. Na terapia, na religião, nos amigos. Busquei novos projetos, voltei a estudar, passei a dar aulas, me propus uma reinvenção, novos papéis, novos desafios, deixar para trás muita coisa na qual eu me apegava para ser eu.
Hoje, quando olho no espelho, vejo uma pessoa feliz. Que canta na rua e sorri para a Lua Cheia. Uma pessoa realizada, embora ainda falte tanta coisa que posso viver e conquistar. Ser feliz é uma dádiva do hoje. Sei que tenho caminhos a percorrer, alguns retos, outros sinuosos, mas sei também que estou preparada e que saberei usar o calçado mais adequado.
No meio de todas as mudanças pelas quais passei, fiquei doente, tive que me cuidar para evitar uma cirurgia, dedicar tempo a mim para ficar bem. Também tive que aprender a conviver com um novo status, com falta de dinheiro e de apoio para seguir minha carreira. Tive que lidar com um assalto infeliz, onde o prejuizo material aliou-se a um medo grande, que quase se tornou patológico. Tive que lidar com o fato de não me reconhecer no espelho, mas vislumbrar o surgimento de alguém diferente.
A vida dá muitas voltas... e nessas voltas a gente muda, se torna alguém diferente do que foi. Nessas voltas eu vou. Vou ser feliz. Vou me estruturar profissionalmente. Vou ter saúde. Vou me dedicar mais a Deus. Vou me relacionar de maneira mais próxima com minha família. Vou brincar com meus cachorros. Vou ser mais expontânea. Vou amar mais. Vou me aventurar se der vontade, afinal não sou de ferro.
E vou cantando a canção (nem tão feliz), que diz: tudo passa, tudo passará... Lembrei de Renato Russo agora, que compos essa canção - Vento no Litoral - quando um de seus amores partiu. Ele sobreviveu a essa dor, mas sucumbiu à doença... Perdas irrecuperáveis...