14 de set de 2012

Sobre favelas, trânsito caótico e a visão da cidade perfeita




Obra do artista plástico Hanilson, que conheci em Pirenópolis (GO). 

Sim, Uberlândia é uma ótima cidade para se viver. Concordo completamente com isso. Sou fã desse lugar, falo sempre bem, divulgo, valorizo. Mas estamos longe de ser uma cidade perfeita, onde se tomam decisões perfeitas, onde dinheiro jorra das torneiras dos governos estadual ou federal para resolver todas as mazelas da população.

Quando viajo para Franca, sempre me entristeço ao voltar e ver a grande favela que cresce às margens da BR 050, já no perímetro urbano de nossa cidade. Os barracos avançam. Lonas, latas, algumas paredes de alvenaria. Não há infra estrutura de eletricidade, não se vêem postes de luz, nem cabos. À noite a favela some. Na mídia a favela some. Talvez seja apenas imaginação da minha cabeça. Vou fechar os olhos, depois assistir ao horário eleitoral gratuito, a favela vai sumir, afinal vivemos na cidade perfeita!
Tenho acompanhado com cuidado tudo o que diz respeito às eleições municipais. Assisto ao horário eleitoral, leio entrevistas, assisto programas de TV. Parece, literalmente, que vivemos no país das maravilhas, como Alices que só enxergam coelhos e perdem de vista os perigos da rainha querendo cortar-lhe a cabeça.
Sou motorista em Uberlândia. O trânsito está cada vez pior. Milhares de carros nas ruas. Pessoas mal educadas. Sistema viário deficiente. Fiscalização próxima a zero. Quase todos os dias, vejo motoristas de ônibus furando sinais vermelhos em lugares importantes e perigosos. Isso sem falar na quantidade de vezes que jogam suas pesadas máquinas sobre nossos insignificantes carros. Gente demais, carro demais, educação de menos, multa de menos, fiscalização de menos.
Não uso a saúde pública, mas conheço quem usa. Em entrevista para a TV Paranaíba, ouvi do candidato Luiz Humberto Carneiro uma frase que me chocou. Ele dizia que sim, algumas vezes o atendimento em uma UAI pode demorar até cinco horas, mas a pessoa é atendida. Sim, isso é verdade. Mas se for uma mãe acompanhando uma criança, são cinco horas de agonia, de falta ao serviço, de ansiedade. Conheço histórias de quem ficou mais de cinco horas esperando. E o trabalho? A casa? Os filhos? Talvez o candidato não saiba o que é ficar cinco horas sentado, passando mal, aguardando por um atendimento que virá, só não se sabe quando. O patrão não quer nem saber, desconta o dia...
Educação e cultura são outros assuntos que me tocam diretamente. Sou professora e vejo pouco investimento sendo feito em sala de aula, na formação, qualificação e atualização constante do professor. A merenda é boa, ganha prêmios. As notas em exames governamentais são razoáveis. Mas e o professor?  Cultura então, melhor nem falar...Um povo sem educação e cultura é muito fácil de manipular. Vota mal, vende voto.
Poucas vezes me vi tão perdida em uma eleição. Se por um lado pinta-se uma aquarela de belezas e perfeição, de outro tanta-se convencer o eleitor de que o governo federal é quem trouxe mais recursos para a cidade. Como se isso fizesse diferença. Uma discussão inútil. Queria mesmo é saber qual será o papel de alguns políticos no governo do Gilmar Machado. Esse é meu principal temor, que ele monte um secretariado com o nome dos aliados do partido e da coligação, que algumas vezes são pouco confiáveis. Como aceitar pessoas sem credibilidade em um futuro governo?
Sinto que vivenciamos um período eleitoral onde tudo está perfeito. A cidade não tem problemas, tudo funciona. E vai funcionar melhor ainda, prometem os dois candidatos majoritários. Uberlândia é linda sim, uma cidade que amo. Meu voto vai para aquele que conseguir me convencer que tem planos para uma cidade melhor, mais humana, solidária e sustentável. Não precisamos apenas de viadutos, corredores de ônibus, avenidas largas (elas são mega importantes), mas precisamos de um gestor honesto, capaz e que consiga nos convencer de que fará um governo ético, transparente e voltado para administrar uma cidade cada vez melhor.
Em tempo, o dinheiro que constrói essa cidade, vem, em primeira instância. do bolso do contribuinte. Pagamos impostos na cidade, do Estado e do país. É o nosso dinheiro que, somado ao bolo tributário, nas três instâncias, volta para a cidade em forma de obras e serviços públicos. Uberlândia não se fez por magia. É uma cidade com 124 anos de história. A cidade que amamos e para a qual queremos um bom líder, seja ele quem for.
A propósito, continuo indecisa. Não faço propaganda para nenhum dos lados. Sou apenas uma observadora do processo democrático.

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