22 de jul de 2012

E que venham as eleições



Estamos a poucos meses da eleição para o novo prefeito de Uberlândia. São três candidatos, sendo dois apoiados pelos principais partidos. O terceiro conta com a junção de pequenos grupos. A cidade cresce continuamente. Na mesma velocidade, crescem seus problemas. Por enquanto, praticamente não se vê campanha nas ruas. Pela imprensa, aqueles que buscam informações já podem conhecer um pouco melhor os candidatos.

Provavelmente a campanha esquentará a partir do horário eleitoral gratuito. Por enquanto, já é possível ver painéis sujando as avenidas da cidade e poucos carros de som com seus jingles repetitivos. Fico me perguntando se isso realmente influencia o eleitor. Parece-me que são ferramentas que servem apenas como reforço. O que me interessa como eleitora é conhecer os candidatos e suas propostas. Vou eleger um representante, não vou comprar um produto.
O discurso do marketing em tempos de eleição me incomoda profundamente. Os candidatos são tratados como produtos, sua trajetória de vida e política são atributos que precisam ser reforçados pelas ferramentas da comunicação. Entre aqueles cuja trajetória é frágil, define-se uma estratégia diferenciada, baseada em transferência de reputação, algo que tem efeito em nosso país (vide o exemplo Lula e Dilma).
Sei que cada campanha conta com estrategistas cada vez mais profissionais e que suas decisões pautam-se em pesquisas e nas melhores práticas de comunicação e marketing. Mas sei também que, ao lado dos cidadãos uberlandenses e uberlandinos, votarei em uma pessoa. Não vou comprar um produto. Uma pessoa que vive nessa cidade como eu, que convive com seus pontos positivos e com seus problemas.
Impossível dizer que tudo é perfeito em Uberlândia. Não é. Temos violência crescente, trânsito intenso, pobreza, falta de estrutura para a saúde, professores mal remunerados. Até o momento, nenhum candidato apresentou seu programa de governo. De um lado temos a proposta de continuidade. De outro, o relacionamento com o governo federal. Se outro, o socialismo como forma de gestão para uma cidade movida pelo capitalismo.
Estou ansiosa pelos debates e pelas entrevistas com mais profundidade. Gostaria de saber o que os candidatos pensam desses temas. Como pretendem melhorar as condições de saúde? E a segurança? Como esperam melhorar o trânsito em uma cidade onde temos um carro para cada dois habitantes?
Paralelamente, começam pelas redes sociais algumas campanhas tímidas. Boa parte de minha timeline no facebook reclama de campanha nessa ferramenta e ameaça bloquear qualquer candidato que o faça.  Concordo. Políticos não são meus amigos. Quando muito, posso interessar-me em curtir uma fanpage para acompanhar o dia a dia dos candidatos, mas pedir para ser meu amigo é um pouco demais.
Entre meus amigos, percebo grande desinteresse pela campanha. Não apenas pelas mídias sociais. Acredito que é necessário manter-se bem informado. Acompanhar pela imprensa, pela televisão, rádio. Não gosto dos carros de som e das placas nas avenidas. Tudo o que elas fazem é buzinar em nossas mentes o nome e o número do candidato. Gosto de entrevistas, de ler propostas, de conversar face a face. Acredito em pessoas que se mostram como gente, não como produto. Confesso que esse ano está difícil. Os candidatos majoritários tem prós e contras. Odelmo Leão foi um bom prefeito, mas seu pretenso sucessor tem uma história que eu, particularmente considero insípida. Seu oponente direto tem história, conhecimento, capacidade e clareza. Mas por trás dele paira a sombra dos irmãos Prado, dos quais morro de medo! Paira também um vice escolhido pela PMDB, que tem como uma de suas lideranças o polêmico Welington Salgado. Já o terceiro candidato pertence a um partido pequeno, pouco expressivo, com bandeiras nas quais não acredito.
Ainda temos alguns meses pela frente. Vamos aguardar com atenção. Vamos participar, buscar informações, ignorar propostas paternalistas. O voto se define na urna e não é produto que se compra ou vende. Um prefeito tem impacto direto em nossa vida por quatro anos. Seu caráter, capacidade de trabalho e competência devem ser conhecidos desde a campanha. O Marketing pode criar um produto eleitoral, mas quem vai nos governar é uma pessoa, com seus defeitos e qualidades. Façamos nossa parte para que seja uma pessoa do bem!

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