14 de mar de 2012

O dia em que Uberlândia parou

Fonte: Blog da Mary
http://maryvillano.blogspot.com
Há muitos anos, Raul Seixas gravou uma música chamada "No dia que a Terra parou". Nela, o maluco beleza conta de um sonho, onde todas as pessoas combinaram que não saíriam de casa. Ao longo dos versos, o compositor lista uma série de coisas que não aconteceram de um lado porque as pessoas sabiam que do outro lado não haveria ninguém.

Assim, o empregado não foi ao trabalho porque sabia que o patrão não estaria lá. O aluno não foi à escola pois sabia que o professor não estava lá. E assim aconteceu no dia em que a terra parou.
Uberlândia parou na semana passada, quase literalmente. Tudo por causa de um colapso no sistema de internet da cidade. Aparentemente, houve uma ruptura de fibra óptica. Tentei achar algum posicionamento da empresa na internet, mas não consegui. Apenas informações muito genéricas. O mesmo aconteceu na mídia. A paralisação durou praticamente a tarde toda, paralisando bancos, comércio, escritórios, indústrias, prestadores de serviços.
Embora eu trabalhe em casa, naquele dia estava em um de meus clientes. As pessoas não conseguiam trabalhar porque não havia internet disponível. Foi nesse contexto que me lembrei da música de Raul Seixas. Como todos sabiam que a web estava fora do ar, para que enviar emails? Para que responder pendências? Para que colocar o trabalho em dia? Afinal, a culpa pela paralisação daquela tarde era da internet.
À noite, na faculdade onde dou aulas, vários dos meus alunos relataram que não conseguiram trabalhar devido à falta de internet. Uma de minhas alunas simplesmente foi para casa, porque tudo o que precisava fazer dependia da web.
Muitas vezes penso na sociedade que estamos nos tornando. Dependemos dos recursos da web para coisas que antes se resolviam de outra maneira. O mundo do trabalho mudou profundamente, bem como o dos relacionamentos, da educação, do comércio. É uma fase de transição ainda sem desenho final. Estamos em fase de rascunho quando se discutem os impactos da internet em nossas vidas.
Acabo de participar de um projeto onde pesquisei a história da internet. A abertura comercial do acesso à rede no Brasil aconteceu em 1995. Passamos pela primeira geração, onde os websites eram pouco mais que folders institucionais em formato digital. Emails agilizaram a comunicação administrativa nas organizações. Veio a segunda geração, democratização da geração de conteúdo, interatividade, mídias sociais. Na mesma velocidade com que surgiram novas tecnologias, cresceu nossa dependência delas.
Sou apaixonada por web. Trabalho, falo com amigos e família, pesquiso, estudo, preparo aula, até já namorei pela web, uma história que se arrastou por alguns meses e deu muito errado, por sinal. Já fui mais dependente do mundo virtual, hoje tento controlar meu tempo. No dia em que a internet parou, consegui trabalhar normalmente, com a ajuda de telefone, papel e caneta.
Mais tarde, quando o sistema tinha voltado ao normal e as pessoas já haviam mudado de assunto, escrevi mentalmente o título desse post. O dia que Uberlândia parou, ou, ou... O dia que Uberlândia parou...
Para os amantes do maluco beleza, segue um vídeo da música, do saudoso Raulzito. Clique aqui para assistir.

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