10 de abr de 2011

Combate à dengue: um mal necessário

Símbolo da campanha contra a dengue.
Fonte: http://www.uberlandia.mg.gov.br/
Recentemente, senti na pele (e no bolso) os efeitos do descaso que ainda temos quando se trata do combate à dengue. Procuro cuidar da minha casa, do quintal, da água dos cachorros, do lixo reciclado, dos vasilhames descartados. Mas ainda assim, acabei sofrendo os efeitos deste problema que afeta a todos, de uma maneira inusitada.
Na semana passada, a equipe da Zoonoses visitou minha casa por duas vezes. Na primeira constatou que tudo estava bem, jogou aquele veneno nos ralos, fez as perguntas de costume e foi embora. Um dia depois, uma nova visita. Dessa vez, queriam jogar Fumacê no meu quintal. Minha ajudante estava em casa neste momento, me ligou e perguntei quais seriam os efeitos sobre os cachorros. Eles garantiram que não haveria qualquer tipo de problema, bastava que eles ficassem isolados por duas horas.
Com essa explicação, autorizei a aplicação do Fumacê. Minha ajudante isolou os cachorros e eles fizeram o trabalho. Ao final, quando já haviam aplicado o veneno, avisaram que a roupa que estava no varal deveria ser lavada novamente (não pediram para ela recolher antes...). Ela me ligou novamente, avisou sobre as recomendações, fechou a casa e foi embora.
Um dia depois, um dos meus cachorros começou a demonstrar sinais de indisposição. Como sempre acontece nesses casos, ela comeu a grama que fica no quintal, em alguns vasos. Na madrugada desse dia, começou a ter vômitos e diarréia. Além disso, encheu-se de pelotas em todo o corpo, em uma forte reação alérgica. Levei-a ao veterinário imediatamente e ela teve que ficar internada para uma desintoxicação. Ao longo do dia, foi registrada a presença de urina no sangue. Mas o organismo dela se recuperou e tudo ficou bem. Foi um susto grande e um gasto totalmente imprevisto.
Diante da desconfiança de que pudesse haver alguma relação entre a intoxicação e o Fumacê, liguei para o Centro de Controle de Zoonoses e fui muito bem atendida por um rapaz que me explicou que aquilo jamais poderia ocorrer. Que o veneno apenas matava os insetos e que o único efeito seria o mau cheiro. Explicou-me também que o veneno é distribuído pelo Ministério da Saúde para todo o Brasil e que é inofensivo. Inquieta, fui ao google e descobri que o governo utiliza um inseticida organofosforado e que existem muitas controvérsias a respeito do seu efeito sobre pessoas e animais. Pareceu-me que nada existe de conclusivo em relação aos compostos, mas tudo me leva a crer que minha cachorrinha teve uma reação alérgica a um desses componentes. A suspeita do veterinário foi a mesma.
Agora tudo passou. Ela ainda está tomando uma injeção diária para combater os efeitos da intoxicação, seu comportamento está estranho e ela não tem controle da função urinária. A veterinária me disse que isso vai passar, mas penso que poderia ter sido evitado. Bastava que as informações acerca do inseticida contivessem alerta quanto aos riscos para animais domésticos. Eu teria apenas tirado os animais de casa e autorizado a aplicação.
Reconheço que o problema da dengue é sério e que todos temos que fazer nossa parte. Tanto que autorizei que entrassem em minha casa para jogar o Fumacê, com a garantia de que não faria mal aos animais. De agora em diante, se for meu direito, não vou mais autorizar. Meu bairro deve estar sofrendo uma alta infestação, porque quando conto essa história todos estranham o Fumacê jogado dentro da casa. É importante combater a dengue eliminando as larvas e os mosquitos. Mas todo o cuidado é pouco. Contra-indicações sempre existem. Aqui em casa, creio que fomos vítimas de uma reação adversa, da qual poderíamos ter sido avisados desde o começo.
Meu objetivo não é culpar ninguém pelo ocorrido. Foi um incidente. Minha cachorrinha é alérgica e já teve problemas semelhantes. Meu outro cachorro não teve nada. Mas acho que vale a pena alertar outros proprietários de animais e também a Zoonoses. Se houve animais domésticos em casa, melhor pedir que sejam retirados ou adiar a aplicação do veneno. E vamos todos continuar evitando que os focos de larvas do Aedes Aegypt se multipliquem. Nunca tive a doença, mas ela acabou me atingindo da mesma maneira. Mais do que nunca, serei cuidadosa em minha casa para evitar que eles se multipliquem por aqui.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi Drika que bom que tudo acabou bem para a Bela. A nossa Nina tbm é hiper alérgica, assim como eu. Quando o fumacê passa aqui na rua eu fecho as portas e janelas. O cheiro me incomoda e ataca a minha asma. O que temos que fazer é cada um cuidar da higiene da sua casa, quintal e não facilitar a proliferação das larvas do Aedes Aegypt, para que toda a comunidade possa se beneficiar. Bjos

Família Bloco