Há algumas semanas acompanho os botões, que brotaram como se fosse pipoca pulando na panela dos meus vasos. A pequena árvore está carregada de flores potenciais, que esperam pacientemente o momento de se abrir. E o Manacá tem uma característica interessante. A flor nasce branca, vai ficando rosada, desbota e por fim cai, em um ou dois dias.
Violetas, orquídeas, calanchoes, beijos, azaléas, trevos de quatro folhas, bonsai... todos moram no meu quintal e florescem vez ou outra, quando chegada a hora. As pragas insistem em comer suas folhas, o sol ou a chuva fortalecem ou enfraquecem, mas os botões estão todos lá, em seu potencial de virar flor. Penso que assim também somos nós. Desabrochamos quando é chegada a hora. Desabrochamos para o amor, para a carreira, para a maternidade, para envelhecer, para os outros. Mas diferentemente do que acontece na natureza, a gente se inquieta quando o desabrochar demora. A gente quer tudo ao mesmo tempo e agora. Quer virar flor quando ainda está nutrindo as folhas. Quer abrir botão quando ainda está fortalecendo as raízes. Existe um tempo de preparo, de expectativa e ansiedade que precisa ser vencido antes de virar flor. As flores do meu quintal sabem disso. Por mais que eu as vigie, elas brotam apenas quando estão prontas. Não quando eu quero.
A natureza ensina. Observar o desabrochar do Manacá no meu quintal me ensina e perceber que o momento de desabrochar depende do lado de fora (sol, temperatura, água, terra) e do lado de dentro (amadurecimento). Quando uma flor desabrocha, na verdade ela explode, pois já não cabe em si. E nessa explosão, a beleza toma conta do meu pequeno quintal.
Para os amigos Marcelo Couto e Marco Lara, que me deram as plantas que são as rainhas do quintal, um bonsai de mais de 15 anos e uma pata de elefante. Ambos não dão flores, mas me encantam com seus brotos. Mais que belas plantas, são símbolos de amizade.
2 comentários:
As coisas mais simples da vida nos trazem tanta alegria em nossa vida... Hoje a maioria das pessoas não dão valor.
Adoro ler esse texto, já devo ter lido uma três vezes, e sempre me emociono. Obrigada por escrever palavras tão bonitas! Rejane Rezende
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