1 de out. de 2010

Recomeçar

"O mundo dá tantas voltas

E nessas voltas eu vou
Cantando a canção tão feliz, que diz
Hy Lili Hi Lili Hello!"

Essa canção é de um filme antigo, que passava na sessão da tarde, sobre a história de Lili. Não me lembro bem dos detalhes, mas era algo ligado a uma moça simples, que passava por grandes dificuldades até chegar a um final feliz, como sempre acontece nos filmes de mocinha.
Mas me lembrei desse trecho porque acredito realmente que o mundo dá muitas voltas e a cada uma delas temos o poder de nos reinventar. De repensar nossas atitudes, nossas escolhas, nossos amores e nossos rancores. As voltas que a vida dá são oportunidades de mudança ou de reiterar o que há de melhor em cada um de nós.
Há alguns anos comecei um processo de mudança pessoal e profissional, um pouco forçada, um pouco por decisão própria. Durante algum tempo, sofri muito por minhas escolhas e pensei que o cenário não iria melhorar. Temos a tendência de pensar isso quando estamos no olho do furacão: "Nossa, isso só acontece comigo!"; "Por que eu?", "Será que essa tristeza não vai passar?" ou "Queria tanto sair desse buraco"... Esses pensamentos invadiram minha vida na época. Sou humana, de carne e osso. Por mais positiva que possa parecer, também desanimo e sofro por me sentir incapaz de fazer algo que sei que posso fazer.
Na época, parecia que as coisas não iam melhorar nunca, que os problemas iriam crescer, as portas iriam se fechar. Mas me recusei a pensar assim e procurei ajuda. Na terapia, na religião, nos amigos. Busquei novos projetos, voltei a estudar, passei a dar aulas, me propus uma reinvenção, novos papéis, novos desafios, deixar para trás muita coisa na qual eu me apegava para ser eu.
Hoje, quando olho no espelho, vejo uma pessoa feliz. Que canta na rua e sorri para a Lua Cheia. Uma pessoa realizada, embora ainda falte tanta coisa que posso viver e conquistar. Ser feliz é uma dádiva do hoje. Sei que tenho caminhos a percorrer, alguns retos, outros sinuosos, mas sei também que estou preparada e que saberei usar o calçado mais adequado.
No meio de todas as mudanças pelas quais passei, fiquei doente, tive que me cuidar para evitar uma cirurgia, dedicar tempo a mim para ficar bem. Também tive que aprender a conviver com um novo status, com falta de dinheiro e de apoio para seguir minha carreira. Tive que lidar com um assalto infeliz, onde o prejuizo material aliou-se a um medo grande, que quase se tornou patológico. Tive que lidar com o fato de não me reconhecer no espelho, mas vislumbrar o surgimento de alguém diferente.
A vida dá muitas voltas... e nessas voltas a gente muda, se torna alguém diferente do que foi. Nessas voltas eu vou. Vou ser feliz. Vou me estruturar profissionalmente. Vou ter saúde. Vou me dedicar mais a Deus. Vou me relacionar de maneira mais próxima com minha família. Vou brincar com meus cachorros. Vou ser mais expontânea. Vou amar mais. Vou me aventurar se der vontade, afinal não sou de ferro.
E vou cantando a canção (nem tão feliz), que diz: tudo passa, tudo passará... Lembrei de Renato Russo agora, que compos essa canção - Vento no Litoral - quando um de seus amores partiu. Ele sobreviveu a essa dor, mas sucumbiu à doença... Perdas irrecuperáveis...

Música de qualidade não envelhece

Quem viveu os anos 80 como adolescente ou adulto vai lembrar-se de duas belas canções de uma cearense que se apresentou na noite de sábado em Uberlândia: "Foi Deus quem fez você" e "Mulher nova, bonta e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor". Estou falando de Amelinha, cantora que fez grande sucesso nos anos 80, alguns nos anos 90 e praticamente saiu do cenário nos anos 2000.
Cerca de 300 pessoas assistiram ao espetáculo que Amelinha trouxe para Uberlândia no sábado, 3 de setembro. Um show no Teatro Rondon Pacheco, aberto pelos acordes tão familiares de "Foi Deus...". Uma canção tão intensa e maravilhosa que levou muitos dos presentes para recônditos de um passado onde música brasileira era rica em letra, em melodia e em intérpretes que consagravam versos como "Foi Deus que fez a gente, somente para amar, só para amar" ou "A mulher tem na face dois brilhantes, condutores fiéis do seu destino, quem não ama o sorriso feminino, desconhece a poesia de Cervantes"... Infelizmente muita gente nem sabe se Cervantes é de comer ou de passar no cabelo...
A voz de Amelinha talvez não seja exatamente a mesma dos anos 80, mas ela tem uma técnica vocal fantástica. Foi capaz de mudar seu tom ao longo do show, driblando as dificuldades de sua própria força, além das falhas do sistema de som do nosso teatro municipal.
O público viajou na voz alegre, cantou junto várias canções, como Frevo Mulher. Para mim, o ponto alto foi a clássica "Mulher Nova, Bonita e Carinhosa..." que todos sabíamos de cor. A música fala de mulheres como Helena, Roxana e Maria Bonita, que seduziram heróis e tornaram homens bravios seus escravos para sempre. Uma letra belíssima e uma interpretação primorosa, contida para preservar a voz. Ela também fez uma homenagem a músicos como Caetano Veloso, com um trecho de "Alegria, Alegria" e Chico Buarque, com "A Banda". O público cantou, bateu palma, dançou em suas poltronas.
Amelinha é uma bela mulher. Canta, dança, dialoga com o público, emociona, encanta. Ao vê-la no palco, após tantos anos, imaginei cantoras do passado, como Maísa, que chegou ao auge e depois ao fundo do poço, mas nunca foi esquecida. Assim é com Amelinha. Enquanto a geração que foi jovem na década de 80 estiver por aqui, haverá público para suas músicas, pessoas que vão ao teatro para ouví-la cantar.
Entristeceu-me a cobertura que o único jornal da cidade deu ao espetáculo. Duas linhas numa página interna, dedicada à programação cultural da cidade. Nenhuma matéria, nenhuma foto, nenhum texto falando de suas clássicas canções, da compositora maravilhosa, cuja voz forte foi um símbolo da mulher brasileira durante uma época da história do nosso país. Na capa do jornal, neste mesmo dia, espaço foi dado para uma ex-BBB que lançava um livro na cidade. Na verdade, o jornal fez uma edição acertada, afinal, as novas gerações reconhecem nos personagens do programa da Globo algo muito mais interessante de se ler do que o perfil de uma cantora ícone de uma época. Coisa de gente antiga.
Por outro lado, a fantástica Rádio Universitária passou a tarde de sábado divulgando o show e nos fazendo relembrar as canções de Amelinha, muitas das quais ela não cantou no show, uma pequena seleção de seu repertório. O desinteresse do jornal e a cobertura da rádio Universitária me fazem pensar sobre a vida que se leva por aqui, onde o espaço midiático pertence a quem agrada a uma maioria inculta, e nem sempre bela. Cada cidade tem o povo que merece.

Para quem quiser matar saudade, um trechinho de Foi Deus Quem Fez Você. Clique aqui para ver.

Falta de educação no trânsito

Hoje cedo, quando estava saindo de casa para um delicioso compromisso dominical, parei meu carro atrás de outro no semáforo. Quando o sinal abriu, o motorista à minha frente saiu bem devagar, quase parando, mostrando para alguém as obras de um mega condomínio que está sendo construído em nosso bairro. O detalhe é que estávamos na faixa da esquerda, normalmente considerada a faixa de quem está dirigindo mais rápido e destinada à ultrapassagem. Como se fosse o dono da rua, ele continuou dirigindo lentamente, ignorando a existência de carros atrás dele. Do lado direito, uma fila de veículos impedia que eu o ultrapassasse. Do meu carro, pensei alto: "Será que ele não poderia andar mais devagar?". Devo ter pensado muito alto, porque neste mesmo momento o motorista colocou o braço para fora, fez um gesto obceno para mim e continuou lentamente, sem se importar com nada. Na primeira brecha, consegui ultrapassá-lo pela direita e segui meu caminho, chateada por ter sido alvo de tamanha grosseria.
Por uma questão de educação, de formação e talvez até mesmo de berço, não aprendi a falar palavrões, não faço gestos obcenos e só busino em situações de batida iminente. Muitas vezes, xingo o motorista imprudente da maneira como fiz hoje, dentro do meu carro, em voz alta ou baixa, mas sem a intenção de ser ouvida. Detesto qualquer manifestação de grosseria ou baixaria. Sou uma motorista que também comete erros, se distrai, de vez em quando pisa um pouco mais do que deveria. Quero dizer que não sou nenhuma santa no trânsito. Mas procuro não ser mal educada.
Detesto pessoas grosseiras, que ao primeiro sinal de conflito soltam palavrões cabeludos. Detesto palavrões. São vulgares e não combinam com quem aprecia a beleza da língua portuguesa. Eu fico brava, xingo, esperneio como qualquer pessoa normal, mas quando isso acontece costumo falar "Que Meleca", "Que Caca", "Que saco". Ultimamente, parei de seguir algumas pessoas no twitter por causa do alto uso de palavrões. Não preciso disso.
O gesto obsceno no trânsito me fez ficar triste e refletir sobre o quanto somos insensíveis ao outro. O motorista nem se importa com quem está no outro carro. Quer simplesmente demonstrar que é o dono da rua e vai continuar sendo, que se danem os outros e seus direitos. Segui pensando no episódio durante toda a manhã. Uma pessoa que agride a outra assim, tão gratuitamente, deve ser o tipo de pessoa que é grossa com os pais, com os filhos, com o companheiro ou companheira. É o tipo de pessoa que fura a fila, joga lixo no chão, se vale de pequenas maracutaias para levar vantagem em tudo. É uma pessoa para quem o outro não tem a menor importância.
Coisas do cotidiano da cidade. Nem deveria me sentir ofendida, temos que nos habituar a essas grosserias. Mas vou seguir do meu jeito, sem responder com palavrões, nem businar, sem jogar luzes. Talvez eu pense em voz alta, ranhete, fique brava... mas vou aprender a fazê-lo apenas para mim mesma. Afinal, sempre é possível desviar nosso caminho de uma criatura mal educada.

A beleza está nos olhos de quem vê

Chuva! Como a chuva é boa quando chega. Como a gente tem vontade de ficar embaixo dela, sentindo a brisa fresca. Eu estava no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, quando começou a chover. Havia meses não sentia cheiro de chuva, molhado de chuva, gosto de chuva. Sem pensar, entrei debaixo dela e deixei cair, como se não estivesse em um congresso, no meio de gente séria e compenetrada. Tudo o que eu queria era curtir a chuva.

Enquanto estava lá, choveu aqui também. Chuva que deixou meu jardim alegre. As flores deram as caras, novas folhas criaram vida, plantinhas que andavam tristes agora se erguem altivas. Chuva que alimenta a terra e faz com que meu pequeno jardim ganhe vida nova.
Mas chuva que também traz problemas, casas destelhadas, queda de energia, trânsito complicado, quintais sujos, roupas que não secam.
Ainda assim, continuo curtindo a chuva que não quer cessar. Que ela molhe o meu amor. Que ela molhe a alma endurecida de algumas pessoas. Que ela molhe a semente com vontade de germinar. Que ela molhe a falta de ética de alguns dos nossos políticos. Que ela molhe a desesperança.
Lá fora, o cheirinho gostoso de terra molhada me faz lembrar que estou em Uberlândia, uma cidade que adoro, onde escolhi viver e amar. Uma cidade onde a chuva traz alegria e tristeza, progresso e paralisia, frutos e perdas.
Tudo tem sempre duas faces. Mais até. Depende dos olhos de quem vê. Hoje recebi de um novo amigo o link para um vídeo. Um homem, ao ver pássaros pousados nos fios de energia, viu mais que passarinhos pousados no fio. Ele viu música. E transformou a visão de uma foto em uma bela melodia. O vídeo encantou meu dia. A beleza sempre me comove. Sempre existirão pessoas que verão música nos passarinhos pousados no fio. Outras verão apenas passarinhos. Outras verão apenas o fio. Nosso olhar é tão sensível quanto nosso coração. Ficou curioso e quer assistir? Clique aqui.
Assim é com a chuva. Alguns vêem música em seu despencar. Outros, que perdem tudo em tragédias provocadas pelo excesso dela, vêem dor. Outros vêem beleza quando as poças viram arco-iris. A beleza está nos olhos de quem vê.

Gestão de crises

Nessa semana, tive o privilégio de assistir a uma palestra sobre gerenciamento de crises, ministrada por José Alberto Cunha Couto, Secretário de Acompanhamento e Estudos Institucionais da Presidência da República. O evento aconteceu na sede da OAB em Uberlândia, promovido pela ADESG. Foi uma aula sobre o processo de preparação e prontidão para lidar com crises institucionais, que serve tanto para o governo quanto para empresas privadas.

A gente tem a mania de pensar, em nossas vidas pessoais e no contexto organizacional, que determinados fatos que tem o potencial para gerar uma crise jamais acontecerão conosco. Pensamos mais ou menos assim: "Dou leite aos meus filhos, eles crescerão saudáveis". Veio o caso do leite contaminado com produtos químicos inadequados. "Eu tomo anticoncepcional, não vou engravidar". Vieram as pílulas de farinha. "Os Estados Unidos se protegem contra todas as ameaças". Atentados de 11 de setembro. "Nem Deus afunda o Titanic". Essa nem precisa explicar...
Na maior parte desses casos, faltou gerenciamento de crise. Segundo Cunha Couto, o gerenciamento acontece quando mapeamos todo o cenário e identificamos todos os fatores que potencialmente poderiam gerar um problema sério, capaz de abalar a imagem e a operação de determinada organização. Gestão de Crises tem mais a ver com planejamento, previsão, estudos de cenários. Isso é estratégia. Uma vez que a crise estourou, vamos lidar com ela, tomar decisões rapidamente, inicialmente sem muitas respostas. Quando a empresa tem processos estabelecidos de gestão de crise, fica mais fácil lidar com os problemas, embora tudo dependa do contexto e da complexidade. Por exemplo, existem protocolos muito bem definidos para acidentes aéreos. Ainda assim, cada um assume facetas específicas e que fogem completamente aos cenários. O desafio é tentar planejar sobre o imponderável.
No caso da crise no setor de laticínios, o que se viu foram empresas tentando apagar o fogo gerado pelas denúncias de que eram adicionados produtos inadequados para conservar o leite. Algumas indústrias fizeram comunicados, outras silenciaram. Não sei quantas investiram em se precaver. As pílulas de farinha geraram a retirada do produto do mercado e uma marca negativa na relação da empresa com as consumidoras, além de indenizações milionários e muitas crianças indesejadas.
Cunha Couto contou alguns casos que ilustram bem essa preocupação. Um dos mais interessantes foi que a rede de pesquisadores que apóia o trabalho dele identificou que uma nuvem de gafanhotos que estava destruindo plantações no Senegal tinha forte possibilidade de chegar ao Brasil por meio de correntes marítimas e devastar plantações no nordeste, como estava acontecendo no exterior. Após articulação política, o Brasil enviou um avião para o Senegal que detetizou a região afetada e eliminou os gafanhotos antes de qualquer migração.
O Secretário falou também sobre todos os riscos que o Brasil corre, políticos, ambientais, tecnológicos, econômicos. No mapa de risco apresentado, tinha até queda de meteoros. Além de monitorar cenários, a equipe da SAEI conta com uma ampla rede de pesquisadores, universidades e laboratórios que monitoram todas as condições do ambiente. Qualquer sinal de problema que possa afetar a opinião pública brasileiras e, consequentemente, o governo, passa a ser tratado como crise.
O trabalho de gestão de crise envolve também uma grande capacidade de articulação. São diferentes ministérios, lideranças políticas e sociais envolvidas, impactos, custos, entre vários outros fatores. O desafio de trabalhar em prol da segurança tem que ser colocado acima de egos.
Muitas organizações ainda enxergam a gestão de crises como gasto, mas na verdade trata-se de um investimento sério na proteção de reputação e imagem corporativa. Na verdade, muitas organizações acreditam que não precisam preocupar-se com sua reputação, que o que importa são os lucros. A curto prazo, isso pode fazer sentido. Mas a longo prazo, apenas empresas com imagem sólida irao resistir às crises, que podem vir de todos os lugares.
A palestra de Cunha Couto foi filmada pela ADESG. Ainda não sei de que maneira ela será disponibilizada, mas aconselho quem tiver interesse em procurar saber. Valeu a pena. Uberlândia anda carente de conteúdo de qualidade na área de comunicaçao.

Caminhar pela cidade

Gosto muito de caminhar pelas ruas do meu bairro, que considero calmo e seguro, apesar de registrar esporádicos registros de violência. É um bairro grande, talvez um dos maiores de Uberlândia atualmente, e que em breve receberá uma leva de novos moradores, com a construção de dois grandes condomínios na vizinhança do campus Santa Mônica.

Na medida em que cresce, o bairro ganha algumas coisas, como infra-estrutura de transportes, serviços e comércio ativos. Mas perde outras. O trânsito já está ficando complexo e perigoso. Uma série de novos semáforos foram instalados recentemente, mas as pessoas ainda não os respeitam, não seguem a sinalização das placas e muitos acidentes ainda hão de ocorrer.
O entorno das obras dos condomínios também oferece riscos. Ontem, quando caminhava pela Segismundo Pereira fui obrigada a andar na avenida porque a calçada havia sido destruída. No lugar, terra e uma estrutura onde provavelmente será construída uma nova calçada. O quarteirão ali é enorme, mas o trecho da avenida é o mais perigoso. Carros e ônibus sobem em alta velocidade. O impacto não é comunicado à vizinhança, simplesmente temos que nos adaptar e pronto. Vimos o condomínio ser erguido, mas nunca fomos informados acerca dos seus impactos, que ainda hão de se revelar piores do que pensamos.
Na Belarmino também existem vários trechos onde somos obrigados a caminhar na rua. Um deles, de uma empresa que instala sons em carros. As rampas de acesso para os carros, feitas de metal, tomam conta da calçada aciontosamente, durante todo o dia. Mais abaixo, são as mesas dos bares que obrigam os pedestres a caminharem na rua.
Esses são apenas alguns exemplos de desrespeitos que flagro todos os dias. Lixeiras nas calçadas impedem a passagem dos pedestres e muitas vezes dos cadeirantes. Árvores mal cuidadas invadem o trecho que deveria ser dedicado aos pedestres. Motoristas estacionam em garagens atrapalhando a saída dos motoristas. Pessoas passeiam com seus cachorros sem se preocupar com os detritos que eles geram. É tanta coisa fora do lugar que até desanima.
Parece que vivemos numa era em que reina o individualismo completo. A construtora do condomínio julga que os atuais moradores do bairro não merecem respeito. Que se danem, estamos fazendo tudo pelos futuros moradores, não importa o impacto que vamos causar (e acredito que muitos virão, com a quantidade enorme de pessoas e carros que irão circular por ali...). Os empresários pensam apenas em seus lucros, pouco se importando se os pedestres tem que andar na rua. Que se danem, o espaço é público e é meu! Esse deve ter sido também o raciocínio dos políticos que infestaram nossa cidade com suas placas e carros de som barulhentos.
Existe uma alegria grande em respeitar o outro. Em evitar fazer barulho porque seu vizinho merece descansar tanto quanto você merece fazer uma reunião com amigos. Em evitar deixar a caca do seu cachorro no chão e respeitar o direito das pessoas a uma cidade limpa. Em evitar causar transtorno para a vizinhança e ao mesmo tempo conduzir corretamente sua obra.
Pequenas coisas. Gentileza parece ter caído em desuso. Isso me entristece, me contamina algumas vezes, me faz sentir que de alguma maneira deve ser possível fazer diferente.