E nessas voltas eu vou
Cantando a canção tão feliz, que diz
Hy Lili Hi Lili Hello!"
Essa canção é de um filme antigo, que passava na sessão da tarde, sobre a história de Lili. Não me lembro bem dos detalhes, mas era algo ligado a uma moça simples, que passava por grandes dificuldades até chegar a um final feliz, como sempre acontece nos filmes de mocinha.
Mas me lembrei desse trecho porque acredito realmente que o mundo dá muitas voltas e a cada uma delas temos o poder de nos reinventar. De repensar nossas atitudes, nossas escolhas, nossos amores e nossos rancores. As voltas que a vida dá são oportunidades de mudança ou de reiterar o que há de melhor em cada um de nós.
Há alguns anos comecei um processo de mudança pessoal e profissional, um pouco forçada, um pouco por decisão própria. Durante algum tempo, sofri muito por minhas escolhas e pensei que o cenário não iria melhorar. Temos a tendência de pensar isso quando estamos no olho do furacão: "Nossa, isso só acontece comigo!"; "Por que eu?", "Será que essa tristeza não vai passar?" ou "Queria tanto sair desse buraco"... Esses pensamentos invadiram minha vida na época. Sou humana, de carne e osso. Por mais positiva que possa parecer, também desanimo e sofro por me sentir incapaz de fazer algo que sei que posso fazer.
Na época, parecia que as coisas não iam melhorar nunca, que os problemas iriam crescer, as portas iriam se fechar. Mas me recusei a pensar assim e procurei ajuda. Na terapia, na religião, nos amigos. Busquei novos projetos, voltei a estudar, passei a dar aulas, me propus uma reinvenção, novos papéis, novos desafios, deixar para trás muita coisa na qual eu me apegava para ser eu.
Hoje, quando olho no espelho, vejo uma pessoa feliz. Que canta na rua e sorri para a Lua Cheia. Uma pessoa realizada, embora ainda falte tanta coisa que posso viver e conquistar. Ser feliz é uma dádiva do hoje. Sei que tenho caminhos a percorrer, alguns retos, outros sinuosos, mas sei também que estou preparada e que saberei usar o calçado mais adequado.
No meio de todas as mudanças pelas quais passei, fiquei doente, tive que me cuidar para evitar uma cirurgia, dedicar tempo a mim para ficar bem. Também tive que aprender a conviver com um novo status, com falta de dinheiro e de apoio para seguir minha carreira. Tive que lidar com um assalto infeliz, onde o prejuizo material aliou-se a um medo grande, que quase se tornou patológico. Tive que lidar com o fato de não me reconhecer no espelho, mas vislumbrar o surgimento de alguém diferente.

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