
entir o vento no rosto, de rir sozinho por pura diversão, de fazer uma festa onde você é o principal convidado.
Hoje eu brinquei como não fazia há muito tempo. Sempre que passeio com meus cachorros perto do campus Santa Mônica, vejo três balanços em uma pracinha aconchegante, construída bem no fundo do campus. Volta e meia vejo jovens estudantes se balançando ali. E a vontade de ocupar o lugar deles bateu um dia. A vontade crescia como tinha que ser...
Depois de muito ensaiar, peguei meus cachorros e fui. Chegou a minha vez de brincar. Entrei no campus e procurei a entrada para meu parque de diversões de gente grande. Achei rapidinho e lá estavam eles. Os três balanços. Ninguém por perto. Soltei Belarmina e Pacheco e sentei-me no mais alto deles. Comecei meio com medo. Peguei impulso e, de repente, entrei na máquina do tempo.
Aos poucos, na medida em que tomava impulso, Adriana Sousa desaparecia, se desfazia no pêndulo do balanço. No lugar dela, voltava aos poucos o Nenzico, pegando impulso e voando alto em seu balanço, quase tocando o céu.

Como é bom brincar. Se permitir esquecer dos compromissos, das cobranças, da vida adulta, das obrigatoriedades. O vento no rosto, a força nos braços para dar impulso e balançar cada vez mais alto. Um portal se abriu e me trouxe de volta. Foi-se Nenzico, voltou Adriana, a adulta, a séria, a comprometida.
Vou contar um segredo. Aquele balanço, aparentemente inocente, é na verdade um portal que permite a poucas pessoas viajar pelo tempo. Quem tem imaginação vira criança de novo. Ele também nos dá asas que permitem quase tocar o céu. É por essas e outras que eu amo o campus Santa Mônica. E que venham outros portais. Quem sabe qualquer hora entro em um deles e encontro outros pedaços de mim?
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